Vento Sul

Marcos Valle

1972

Capa de Vento Sul
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

Vento Sul, lançado por Marcos Valle em 1972, representa uma obra singular e um ponto de ruptura radical em sua trajetória artística. Longe do som bossa nova que o consagrou, este álbum é um mergulho profundo em sonoridades "super-espaciais" e folk-psicodélicas, revelando um Valle em seu auge "cósmico e "hippiedélico". É considerado um "pequeno clássico" e um "feito notável" desse período, que mistura as raízes musicais brasileiras do artista com a excentricidade do acid rock e uma profunda carga emocional. O trabalho é altamente experimental, gestado em um espírito comunitário e marcando a fase "hippie" de Marcos Valle. Vento Sul destaca-se por sua fusão inovadora de pop, rock, soul e elementos psicodélicos, estabelecendo-se como uma peça essencial para compreender a diversidade e a audácia da música popular brasileira dos anos 70.

Contexto

No início dos anos 70, Marcos Valle, já reconhecido como um talentoso compositor da segunda geração da bossa nova, buscava expandir seus horizontes musicais. Sentindo-se restrito pelas demandas de trabalhos comerciais, como a trilha sonora da novela "Selva de Pedra", Valle desejava explorar novas influências e direções criativas. Após o sucesso de seu álbum anterior, Garra, Marcos Valle e seu irmão Paulo Sérgio Valle, juntamente com amigos e suas companheiras, buscaram refúgio em Búzios, um vilarejo de pescadores, no verão de 1971. Nesse ambiente de "busca pela alma" e experimentação, típico do movimento "hippie" da época, nasceu a inspiração para Vento Sul. O objetivo era claro: "arriscar um pouco mais" e incorporar uma "influência rock".

Gravação

A produção de Vento Sul foi assinada por Milton Miranda, Lindolfo Gaya e Renato Corrêa. Para este trabalho, Marcos Valle assumiu não apenas os vocais, mas também uma variedade de instrumentos, como piano, cravo, órgão e viola caipira. Um elemento crucial para a sonoridade do álbum foi a colaboração com a banda brasileira de rock progressivo O Terço, o que solidificou a proposta experimental do disco. A ficha técnica de Vento Sul inclui músicos notáveis como Robertinho Silva na bateria e percussão, Vinícius Cantuária na bateria, e Cezar de Mercês no baixo. Os arranjos e orquestrações ficaram a cargo de Hugo Bellard e Ian Guest, contribuindo para a riqueza textural do trabalho.

Músicas

As composições de Vento Sul refletem o "humor melancólico" de Marcos Valle e sua guinada para uma estética "sonhadora e psicodélica". O álbum apresenta faixas que se tornaram "obras-primas absolutas", como "Vôo Cego" e "Deixa o mundo e o sol entrar". A canção "Democústico" exibe "pitadas do Tropicalismo" recente, com um poema rítmico e fonético sobre uma base musical que se transforma continuamente. "Bodas de Sangue" é um instrumental "sublimemente belo", enquanto a faixa-título, "Vento Sul", é considerada "matadora". A amplitude musical do disco é "desconcertante", e muitas de suas peças são descritas como "pequenos mundos sônicos", evidenciando a genialidade composicional de Marcos e Paulo Sérgio Valle, parceiro letrista em diversas canções.

Legado

Vento Sul é amplamente reconhecido como um dos álbuns mais significativos e "maiores trabalhos" na discografia de Marcos Valle, um testemunho de sua constante evolução artística. O período de 1970 a 1974 na carreira de Valle, que inclui este álbum, é frequentemente citado como um ápice criativo "raramente atingido na música popular". Embora talvez não tenha gerado "hits óbvios" na época, o álbum foi positivamente recebido pela crítica e suas "vendas" e "recepção crítica" não foram prejudicadas por sua natureza experimental. Relançamentos posteriores o consolidaram como um "álbum mágico" e uma adição valiosa a qualquer coleção de música sul-americana, influenciando o psychedelic-folk e o progressivo brasileiro.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Diretor Musical

Lindolfo Gaya

Produção

Milton Miranda

Produção [Assistant]

Renato Corrêa

Supervisão de Gravação

Z. J. Merky

Vocais

Cezar De Mercês, Cláudio Guimarães, Frederiko, Paulo Guimarães, Renato Corrêa, Sérgio Hinds, Vinicius Cantuária

12-String Acoustic Guitar [Viola 12 Cordas]

Cláudio Guimarães, Marcos Valle, Sérgio Hinds

Baixo

Cezar De Mercês, Cláudio Guimarães, Mauricio Maestro

Caxixi

Vinicius Cantuária

Congas

Paulo Guimarães

Bateria

Robertinho Silva, Vinicius Cantuária

Guitarra

Cláudio Guimarães, Frederiko, Sérgio Hinds

Guitarra [Efeitos]

Sérgio Hinds

Guitarra [Guitarra Base]

Frederiko, Sérgio Hinds

Guitarra [Guitarra Solo]

Cláudio Guimarães, Frederiko, Sérgio Hinds

Flauta

Paulo Guimarães

Flauta [Flauta Solo]

Paulo Guimarães

Flauta [Flauta em Dó], Flute [Flauta em Sol]

Paulo Guimarães

Guitarra [Violão]

Cláudio Guimarães, Frederiko

Percussão

Robertinho Silva, Vinicius Cantuária

Percussion [Coquinho], Percussion [Sino], Ganzá

Cláudio Guimarães

Percussão [Guizos]

Paulo Guimarães

Percussão [Tumbadora]

Cezar De Mercês

Piano, Órgão

Marcos Valle

Cordas

Quarteto de Cordas de Peter Dauelsberg

Surdo

Robertinho Silva

Engenheiro de Som [Recording]

Nivaldo Duarte, Zilmar De Araujo

Técnico

Reny R. Lippi

Layout

Juarez Machado

Texto do Encarte

Marcos Valle

Referências