Álibi

Maria Bethânia

1978

Capa de Álibi
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

Álibi, o oitavo álbum de estúdio de Maria Bethânia, lançado em 1978, representa um divisor de águas na carreira da cantora e na própria Música Popular Brasileira. Com ele, Bethânia não apenas solidificou sua posição como uma das maiores intérpretes do país, mas também democratizou a MPB, derrubando o estigma de que o gênero era exclusivo de um público mais elitizado e intelectualizado. O disco é uma celebração da potência da voz feminina, da dramaticidade e da emoção, características intrínsecas à arte de Bethânia. Ele se destaca pela seleção cuidadosa de repertório, que mescla compositores consagrados e emergentes, e pela intensidade das interpretações, que variam do lírico ao popular, do samba ao bolero, sem perder a coerência artística. Álibi provou que qualidade e apelo popular podiam coexistir, abrindo novos horizontes para a música brasileira e estabelecendo Maria Bethânia como uma verdadeira rainha da música nacional.

#79

Com Álibi, Maria Bethânia superou uma barreira até então jamais realizada na música brasileira por uma intérprete feminina: a astronômica marca de mais de 1 milhão de cópias vendidas.

Antônio do Amaral Rocha · Rolling Stone Brasil

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Contexto

Antes de Álibi, Maria Bethânia já era uma cantora reconhecida pela crítica, admirada por sua voz grave e marcante e pela teatralidade de seus shows, mas seu público era mais restrito, concentrado na elite intelectual e universitária. Sua popularidade começou a se expandir com sucessos como "Olhos nos Olhos" (1976) e os álbuns Pássaro Proibido (1976) e Pássaro da Manhã (1977), que lhe renderam os primeiros Discos de Ouro. A formação do supergrupo Doces Bárbaros em 1976, ao lado de Caetano Veloso, Gilberto Gil e Gal Costa, também aumentou sua visibilidade. O lançamento de Álibi em 1978 coincidiu com um período crucial da história brasileira, o início da abertura política após anos de repressão da ditadura militar, que havia sufocado a MPB com a censura. O álbum, e em particular a interpretação de "Cálice" no programa Fantástico, em sintonia com a extinção do AI-5 no início de 1979, simbolizou um momento de renovação e esperança, ressoando profundamente com o sentimento do país.

Gravação

Álibi foi lançado em 1978 pela Polygram/Philips (hoje Universal Music), consolidando a parceria da cantora com uma das maiores gravadoras da época. A produção do álbum ficou a cargo de Perinho Albuquerque e da própria Maria Bethânia, uma colaboração que garantiu a fidelidade à visão artística da intérprete. Perinho Albuquerque não apenas produziu o disco, mas também foi o responsável pelos arranjos e pela condução musical, elementos cruciais para a sonoridade coesa e envolvente do álbum. O time de músicos contou com talentos como Jamil Joanes, Luizão e Moacyr Albuquerque nos baixos, e a participação notável de Rosinha de Valença, que contribuiu com cavaquinho e violão clássico, enriquecendo a textura instrumental.

Músicas

O álbum Álibi é um verdadeiro compêndio de clássicos, com canções que se tornaram marcantes na voz de Maria Bethânia. A faixa-título, "Álibi", de Djavan, estabeleceu um tom de intensidade e paixão, tornando-se um de seus grandes sucessos. Outros destaques incluem o dueto inesquecível com Gal Costa em "Sonho Meu", de Dona Ivone Lara e Délcio Carvalho, uma escolha ousada da cantora que inicialmente pensou em Alcione para a parceria. A parceria com Alcione, por sua vez, se concretizou na poderosa interpretação de "O Meu Amor", composição de Chico Buarque originalmente feita para o musical Ópera do Malandro. O repertório ainda brinda o ouvinte com a dramaticidade de "Ronda", de Paulo Vanzolini, e a explosão de sentimentos em "Explode Coração (Não Dá Mais Pra Segurar)", de Gonzaguinha, que se tornou um dos maiores sucessos de sua carreira. "Cálice", de Chico Buarque e Gilberto Gil, proibida pela ditadura desde 1973, ganhou uma interpretação poderosa, tornando-se um símbolo da resistência e da abertura política da época.

Legado

Álibi não foi apenas um sucesso de crítica, mas um fenômeno comercial sem precedentes para uma cantora brasileira. Foi o primeiro disco de uma mulher no Brasil a ultrapassar a marca de 900 mil cópias vendidas, com algumas fontes indicando mais de um milhão, um feito até então exclusivo de Roberto Carlos. O single homônimo, "Álibi", também recebeu disco de ouro e vendeu mais de 785 mil cópias. Considerado um dos melhores discos da carreira da cantora, Álibi está posicionado na 79ª colocação na prestigiosa Lista dos 100 maiores discos da música brasileira pela Rolling Stone Brasil. Além das vendas e do reconhecimento crítico, o álbum massificou a carreira de Maria Bethânia, transformando-a na cantora mais popular do país e redefinindo a relação da MPB com o grande público. Seu sucesso abriu portas para que outros artistas do gênero também alcançassem projeção nacional.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Arranjo, Regência

Perinho Albuquerque

Baixo

Jamil Joanes, Luizão, Moacyr Albuquerque

Cavaquinho

Rosinha de Valença

Classical Guitar

Rosinha de Valença

Bateria

Enéas Costa, Paulinho Braga, Tutty Moreno

Flauta

Mauro Senise

Guitarra

Perinho Albuquerque

Gaita

Mauricio Einhorn

Percussão

Djalma Correa, Tutty Moreno

Piano

Perna Fróes, Tomas Improta

Trombone

Edmundo Maciel

Corte

Ivan Lisnik

Masterização

Barrozo

Mixagem

Ary Carvalhaes

Gravação

Ary Carvalhaes

Gravação [Help]

Julinho, Vitor Farias

Capa

Luciano Figueiredo, Oscar Ramos

Fotografia [Cover]

Marisa Alvarez Lima

Fotografia [Insert]

Januário Garcia

Podcasts

Referências

Livros