Drama - Anjo Exterminado

Maria Bethânia

1972

Capa de Drama - Anjo Exterminado
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Porque Merece Estar na Lista

Lançado em 1972, Drama - Anjo Exterminado é o quinto álbum de estúdio da aclamada cantora brasileira Maria Bethânia, e se destaca como um marco fundamental em sua discografia, consolidando de maneira definitiva a veia teatral de sua arte. Produzido por seu irmão, Caetano Veloso, o disco transcende a mera coleção de canções, sendo concebido como um espetáculo cênico-musical dividido em atos, uma estrutura que sublinha a dramaticidade intrínseca à sua interpretação vocal e à narrativa proposta. Através de um repertório audacioso e profundamente emotivo, Bethânia demonstra uma maturidade e versatilidade interpretativa notáveis, mesmo em seus vinte e poucos anos. O álbum passeia com elegância por gêneros diversos, do ponto de umbanda ao fado português, do samba ao brega e até flertes com o jazz, sempre elevado pela potência e pela firmeza de sua voz. Drama - Anjo Exterminado não é apenas um álbum, mas uma performance encapsulada, uma declaração artística que solidificou Maria Bethânia como uma das maiores e mais expressivas intérpretes da Música Popular Brasileira.

Contexto

O lançamento de Drama - Anjo Exterminado em 1972 ocorreu em um período efervescente e, ao mesmo tempo, repressor da história brasileira. A ditadura militar impunha um clima de censura, mas a criatividade musical resistia. Maria Bethânia já era uma artista consolidada, com uma carreira que se iniciara nos anos 60 e ganhara projeção nacional com o espetáculo "Opinião" em 1965 e seu primeiro grande sucesso, a canção "Carcará". O álbum é o primeiro trabalho de estúdio após o grande sucesso do show "Rosa dos Ventos – O show encantado" (1971), onde Bethânia havia aprimorado e estabelecido a fórmula cênica que a acompanharia. A produção coube a Caetano Veloso, que havia retornado do exílio em Londres pouco antes, trazendo novas perspectivas e uma bagagem cultural enriquecida. A dedicação do disco a Fauzi Arap, diretor e ator de teatro que estimulou a veia dramática da cantora desde 1967, reforça o caráter intrinsecamente teatral da obra.

Gravação

A gravação de Drama - Anjo Exterminado foi realizada no estúdio Eldorado, localizado na cidade de São Paulo. A produção musical foi inteiramente orquestrada por Caetano Veloso, marcando um dos primeiros trabalhos significativos do artista após seu retorno do exílio em Londres. Os arranjos, cruciais para a atmosfera dramática do álbum, ficaram a cargo de Perinho Albuquerque. A equipe de músicos que contribuiu para a sonoridade única do disco incluiu Perinho Albuquerque no violão, Tutty Moreno na percussão, Antônio Perna Fróes ao piano e Tuzé de Abreu na flauta, elementos que enriqueceram a tapeçaria musical e reforçaram a proposta cênica da obra.

Músicas

O repertório de Drama - Anjo Exterminado é uma joia da MPB, com doze faixas que se desdobram em dois atos distintos, como um roteiro teatral. O disco abre com "Ponto", um canto tradicional do folclore baiano, que já estabelece um tom de resistência e autoafirmação, enviando uma mensagem aos ditadores da época. Em seguida, a delicadeza de "Esse Cara" de Caetano Veloso, que se tornou um grande sucesso popular, é emendada a um trecho de "Bodas de Prata", criando um contraponto emocional. Destaques como "Volta Por Cima", de Paulo Vanzolini, ganham uma interpretação vigorosa e um arranjo com uma linha de baixo sofisticada. A faixa-título "Anjo Exterminado", uma brilhante composição de Jards Macalé com letra de Waly Salomão, é entregue por Bethânia com uma intensidade vocal que transborda angústia e desespero. A canção faz uma clara alusão ao filme "O Anjo Exterminador" de Luis Buñuel, explorando temas de confinamento emocional e dependência. "Maldição", um fado do repertório de Amália Rodrigues, é recriado com uma dramaticidade fiel ao original, mas com um arranjo que se assemelha a um samba fúnebre, ressoando a temática sombria da letra. O álbum ainda apresenta "Iansã", uma oferenda musical de Gilberto Gil e Caetano Veloso à orixá, e "Trampolim", uma das raras canções compostas pela própria Bethânia em parceria com Caetano, que compara a paixão e a vida ao ato de estar no ar antes de um mergulho. O disco é magistralmente encerrado pela canção "Drama", de Caetano Veloso, que literalmente narra o fim de um ato de amor desesperado, com os versos icônicos: "E ao fim de cada ato / Limpo num pano de prato / As mãos sujas do sangue / Das canções".

Legado

Drama - Anjo Exterminado é amplamente reconhecido como uma das obras mais significativas na carreira de Maria Bethânia, uma "tradução completa da teatralidade de seu canto". O álbum não só reafirmou a posição de Bethânia como uma das maiores intérpretes da música brasileira, mas também solidificou sua imagem como a "Abelha Rainha" da MPB. Embora dados específicos de vendas para este álbum sejam menos comentados do que outros marcos de sua carreira, "Drama - Anjo Exterminado" é considerado um "álbum fundamental" e "antológico" que pavimentou o caminho para o sucesso estrondoso de Bethânia em álbuns futuros, como "Álibi" (1978), que a tornaria a primeira cantora brasileira a vender um milhão de cópias. As canções do disco, com suas interpretações marcantes e arranjos inovadores, permaneceram no repertório da cantora e na memória da MPB, sendo constantemente revisitadas e celebradas como clássicos que atravessam gerações. Em 2022, o álbum completou 50 anos de seu lançamento, sendo reverenciado pela crítica e pelo público como um testemunho da genialidade artística de Maria Bethânia.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Arranjo

Perinho Albuquerque

Supervisão de Gravação

Roberto Menescal

Baixo

Moacyr Albuquerque

Bateria

Tutty Moreno

Flauta

Tuzé De Abreu

Guitarra, Guitarra

Perinho Albuquerque

Piano

Antonio Perna

Gerente de Produção

Caetano Veloso

Capa

Edinizio Ribeiro

Fotografia

Lucinda Rato

Referências

Livros