Vinicius de Moraes en La Fusa

Maria Creuza, Vinícius de Moraes, Toquinho

1970

Capa de Vinicius de Moraes en La Fusa
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Porque Merece Estar na Lista

Vinicius de Moraes en La Fusa, gravado em 1970 com Maria Creuza e Toquinho, é uma joia atemporal da Música Popular Brasileira, capturando a essência e a magia dos shows de Vinicius que marcaram época. O álbum não é apenas um registro musical, mas um documento vivo da efervescência cultural e da espontaneidade que permeavam as apresentações do Poetinha, especialmente em seus encontros com novos talentos. A atmosfera íntima e acolhedora, que o próprio Vinicius descreveu como um ambiente de boemia e grande cordialidade, é magistralmente traduzida para o ouvinte, transportando-o para uma noite memorável em Buenos Aires. Este trabalho se destaca por apresentar um formato "ao vivo" que, apesar de ter sido gravado em estúdio com a ambientação da boate, consegue transmitir uma autenticidade rara, quase como se o público estivesse presente na mesma mesa, testemunhando a performance. A fusão das vozes de Vinicius, Maria Creuza e Toquinho, juntamente com o virtuosismo instrumental, resultou em interpretações clássicas de canções icônicas da bossa nova e do samba, solidificando a química inegável entre o trio. É um álbum que reflete a capacidade de Vinicius de se reinventar e de criar novas parcerias musicais que se tornariam lendárias.

Contexto

Antes da gravação de Vinicius de Moraes en La Fusa, o Poetinha já vinha realizando uma série de apresentações de sucesso pela América do Sul. Em fevereiro de 1970, Maria Creuza, uma talentosa cantora baiana, já havia se unido a Vinicius e Dorival Caymmi para shows em Punta del Este, no Uruguai. Para a temporada em Buenos Aires, Vinicius convidou Toquinho, um jovem e promissor violonista, para integrar o trio. A chegada de Vinicius e Toquinho à capital argentina, a bordo do navio Eugênio C, ocorreu poucos dias antes da final da Copa do Mundo de 1970. No mesmo domingo, após a vitória da Seleção Brasileira de Futebol, o trio abriu sua temporada de espetáculos na recém-inaugurada boate La Fusa, um espaço cultural no bairro Balvanera que rapidamente se tornou um refúgio para artistas.

Gravação

A gravação do álbum foi um processo engenhoso e inovador para a época. Alfredo Isidoro Radoszynski, produtor musical e fundador do selo Trova, ficou encantado com as apresentações do trio na La Fusa e propôs a gravação de um disco ao vivo. No entanto, a acústica da boate não era ideal para a qualidade sonora desejada. A solução encontrada foi gravar as músicas nos Estudios ION, localizados no bairro Balvanera. Para recriar a atmosfera vibrante da La Fusa, o som ambiente da boate foi gravado separadamente e adicionado durante a mixagem. Além disso, cerca de 30 pessoas foram convidadas a participar das sessões de gravação nos estúdios, atuando como uma plateia simulada, para reproduzir o calor e a interação com o público que Radoszynski considerava essencial. O trabalho de gravação foi intenso, realizado durante duas madrugadas de julho, estendendo-se da meia-noite às 8h da manhã. Vinicius de Moraes descreveu essas sessões como um ambiente de boemia e grande cordialidade, "onde não faltaram os elementos primordiais: garrafas de uísque e mulheres bonitas", o que reflete o espírito descontraído e criativo que permeou a produção do disco.

Músicas

O repertório de Vinicius de Moraes en La Fusa é um desfile de clássicos da bossa nova e do samba, apresentados com a elegância e a intimidade características do trio. Faixas como "A felicidade", "Garota de Ipanema" e "Eu sei que vou te amar", todas parcerias de Vinicius com Tom Jobim, ganham novas nuances nas vozes de Maria Creuza e Toquinho, que também se destacam nos vocais. O álbum também resgata a poesia e a profundidade de "Samba em prelúdio", de Vinicius e Baden Powell, e a energia de "Que maravilha", parceria de Toquinho com Jorge Ben. A interação de Vinicius com a plateia, mesmo que simulada, é palpável, especialmente em momentos como a recitação do "Soneto da Fidelidade" durante "Eu sei que vou te amar", que encantou o público argentino. Outros destaques incluem interpretações marcantes de "Tomara", "Lamento no morro", e a fusão de "Berimbau" e "Consolação", demonstrando a versatilidade do trio em transitar por diferentes matizes da música brasileira. A performance de Maria Creuza em canções como "A Felicidade" e "Catendê" é frequentemente elogiada, contribuindo significativamente para a magia do disco.

Legado

Vinicius de Moraes en La Fusa foi prontamente lançado em agosto de 1970 e alcançou uma ótima vendagem, tornando-se um sucesso comercial e de crítica. A popularidade do álbum foi duradoura, culminando na certificação de disco de ouro pela Cámara Argentina de Productores de Fonogramas y Videogramas em 2004. O álbum é amplamente considerado um dos melhores discos ao vivo da música popular brasileira, marcando a primeira aparição de Vinicius com seu novo parceiro musical, Toquinho, e solidificando a colaboração com Maria Creuza. Sua gravação é elogiada por sua qualidade sonora "de estúdio", apesar de ter o calor de uma apresentação ao vivo, com interações vocais e harmonias bem ajustadas que revelam a química impecável entre os músicos. O impacto do álbum se estendeu por décadas, sendo uma referência para fãs da MPB e da bossa nova, e é frequentemente citado como uma obra essencial nas discografias dos artistas envolvidos.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Produção

Alfredo Radoszynski

Vocais

Maria Creuza, Vinicius De Moraes

Contrabaixo

Mario "Mojarra" Fernandez

Bateria

Enrique "Zurdo" Roizner

Guitarra

Toquinho

Percussão

"Chango" Farías Gómez, Fernando Gelbard

Gravação [Director de Grabación]

Mike Ribas

Técnico [Técnico de Grabación]

Gerd Baumgartner

Design

Oscar Zárate

Texto do Encarte

Vinicius De Moraes

Fotografia

Horacio "Chivo" Borraro

Referências