Fullgás
Marina Lima
1984

Porque Merece Estar na Lista
Lançado em 1984, Fullgás é o quinto álbum de estúdio da cantora Marina Lima e representa um marco incontornável na música pop brasileira. O disco catapultou Marina ao estrelato, consolidando-a como uma das figuras mais relevantes do pop rock urbano da década de 80. O álbum se destaca por sua sonoridade moderna, flertando com gêneros como new wave e synthpop, e por sua capacidade de unir sensibilidade e vanguarda em arranjos e letras. Fullgás não é apenas um sucesso comercial, mas um divisor de águas na carreira da artista, moldando seu estilo musical e influenciando seus trabalhos posteriores. É reconhecido como uma joia única do pop brasileiro, que conseguiu destoar das FMs da época com uma estética discreta, elegante e, ao mesmo tempo, profundamente engajada, capturando o espírito de um Brasil em transição.
Contexto
Antes de Fullgás, Marina Lima já tinha uma carreira iniciada em 1977, com canções gravadas por artistas como Gal Costa. Ela lançou seu álbum de estreia, Simples Como Fogo, em 1979, e outros três discos pela gravadora Ariola, os quais obtiveram repercussão modesta. A grande virada aconteceu quando Marina trocou a Ariola pela PolyGram em 1983, buscando maior liberdade criativa para desenvolver uma sonoridade mais pop e rock. O lançamento de Fullgás em 1984 coincidiu com um período de efervescência no Brasil, que vivenciava a transição da ditadura militar para a democracia e a ampliação das liberdades individuais. Esse contexto de "combustão e efervescência" é intrínseco ao próprio título do álbum, que remete a um tanque de combustível cheio para uma nova jornada. O álbum veio acompanhado de um manifesto assinado por Marina e seu irmão, Antônio Cícero, que defendia a liberdade criativa contra a "ordem dos caretas" e as "velhas fórmulas" da música brasileira, buscando a descoberta e liberação dos desejos autênticos.
Gravação
A produção de Fullgás ficou a cargo de João Augusto, que se mostrou o parceiro ideal para Marina Lima desenvolver o som que buscava. A gravação do álbum, que ocorreu em 1983, foi marcada pela exploração intensa de sintetizadores e baterias eletrônicas programadas, elementos que conferiram ao disco um caráter pop contemporâneo e o aproximaram do synthpop e da new wave. Marina compôs boa parte do álbum utilizando um teclado portátil Casiotone, buscando uma "bateria tranquila e sem viradas, sem perturbar o canto". Durante o processo de gravação, a artista se cercou de músicos talentosos, como Liminha no baixo, que inclusive improvisou o solo da faixa-título "Fullgás" com uma linha inspirada em "Billie Jean" de Michael Jackson, álbum "Thriller" (1982), que serviu de parâmetro de qualidade no estúdio. Lulu Santos contribuiu com a guitarra em "Mais Uma Vez". Apenas a canção "Me Chama" foi gravada com um baterista ao vivo, o próprio Lobão.
Músicas
Fullgás é recheado de faixas que se tornaram clássicos do repertório de Marina Lima e da música brasileira. A faixa-título, composta em parceria com Antônio Cícero, é considerada por críticos como um exemplo de pop perfeito, com uma letra que evoca um novo país e a liberdade pessoal em tempos de redemocratização. Outros grandes sucessos incluem a interpretação de Marina para "Mesmo que Seja Eu", de Roberto e Erasmo Carlos, que ganhou uma versão mais intimista no álbum. A envolvente "Me Chama", de Lobão, também se tornou uma das canções mais conhecidas na voz de Marina e do próprio compositor. "Veneno (Veleno)", versão de Nelson Motta para uma canção italiana, destaca-se pela dose equilibrada de romantismo e sensualidade em sua letra. O álbum ainda apresenta a releitura de "Pé na Tábua (Ordinary Pain)", de Stevie Wonder, e a influenciada pela new wave "Nosso Estilo", co-escrita com Lobão e Antônio Cícero.
Legado
Fullgás foi um estrondoso sucesso comercial, vendendo mais de 250 mil cópias e elevando Marina Lima ao status de superstar no cenário musical brasileiro. O álbum foi aclamado pela crítica, que elogiou a sensibilidade dos arranjos e letras, bem como a exploração inovadora de teclados eletrônicos e bateria sintetizada. Praticamente metade do álbum emplacou nas rádios e programas de TV, com faixas como "Fullgás", "Me Chama", "Mesmo que Seja Eu" e "Veneno" se tornando hits avassaladores. O sucesso de Fullgás solidificou o lugar de Marina Lima como pioneira feminina do rock brasileiro e uma artista que soube mesclar a MPB com as tendências contemporâneas do pop e da new wave dos anos 80.
Ranking nas Listas
Faixas
Créditos
João Augusto
Antonio Cicero, Marina Lima
