Barulhinho Bom - Uma Viagem Musical

Marisa Monte

1996

Capa de Barulhinho Bom - Uma Viagem Musical
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

Barulhinho Bom, lançado com o subtítulo Uma Viagem Musical, representa um marco singular na discografia de Marisa Monte, destacando-se por sua estrutura inovadora como um álbum duplo que mescla gravações de estúdio e registros ao vivo. Essa abordagem híbrida oferece aos ouvintes um panorama multifacetado da artista, equilibrando a intimidade das composições inéditas com a energia contagiante de suas performances no palco. O álbum solidifica a reputação de Monte como uma das vozes mais versáteis da MPB, capaz de transitar com fluidez entre diversos gêneros como pop, samba, bossa nova, rock e jazz, sempre com sua entrega vocal característica e cativante. Além de sua riqueza musical, Barulhinho Bom ganhou notoriedade imediata devido à sua capa, uma ilustração provocadora do artista de quadrinhos pornô-naif Carlos Zéfiro. A escolha da imagem gerou ampla polêmica e discussões, tornando o álbum um objeto de debate cultural e acrescentando uma camada de audácia e originalidade à sua identidade. Marisa Monte explicou que a intenção era criar um diálogo entre a música e as artes visuais de matriz popular, e que o voyeurismo explorado na imagem se relacionava com a interação entre público e artista. Esse elemento visual, combinado à proposta sonora, cimentou o status de Barulhinho Bom como uma obra de arte completa e instigante.

Contexto

Antes de Barulhinho Bom, Marisa Monte já havia consolidado uma trajetória de sucesso e reconhecimento no cenário musical brasileiro. Sua carreira decolou com o álbum de estreia ao vivo, MM (1989), seguido pelos aclamados álbuns de estúdio Mais (1991) e Verde, Anil, Amarelo, Cor-de-Rosa e Carvão (1994). Esses trabalhos a estabeleceram como uma figura central na Música Popular Brasileira, celebrada por sua voz expressiva, sua experimentação sonora e suas parcerias criativas com nomes como Arnaldo Antunes, Nando Reis e Carlinhos Brown. A gravação das partes ao vivo de Barulhinho Bom ocorreu em meio à bem-sucedida turnê de Verde, Anil, Amarelo, Cor-de-Rosa e Carvão, demonstrando um período de intensa atividade e maturidade artística para a cantora. Essa sequência de álbuns bem-recebidos pavimentou o caminho para que Barulhinho Bom, seu quarto trabalho consecutivo, também alcançasse o topo das paradas no Brasil, sublinhando sua crescente influência e apelo junto ao público.

Gravação

A produção de Barulhinho Bom foi um processo intrincado e geograficamente disperso, refletindo a ambição artística de Marisa Monte. As partes ao vivo do álbum foram capturadas em dois momentos e locais distintos: no Teatro Guararapes, em Recife, Pernambuco, entre 13 e 14 de outubro de 1995, e no Teatro Carlos Gomes, no Rio de Janeiro, em 28 de março de 1996. Essas gravações foram realizadas durante a aclamada turnê do álbum Verde, Anil, Amarelo, Cor-de-Rosa e Carvão, transmitindo a energia e a espontaneidade de suas apresentações. Já as sessões de estúdio que compõem a outra metade do disco aconteceram nos estúdios Impressão Digital, no Rio de Janeiro, em junho de 1996, e no renomado Kampo Audio/Video, em Nova Iorque, em julho do mesmo ano. A produção do álbum ficou a cargo da própria Marisa Monte em colaboração com o experiente músico e produtor Arto Lindsay, que já havia desempenhado um papel significativo em trabalhos anteriores da cantora. Essa colaboração internacional e a cuidadosa seleção de locais de gravação contribuíram para a sonoridade rica e polida do projeto.

Músicas

O álbum Barulhinho Bom é uma tapeçaria sonora que tece canções inéditas com interpretações de clássicos e sucessos anteriores de Marisa Monte, refletindo um "passeio por sua memória afetiva". O disco de estúdio apresenta três músicas inéditas de Carlinhos Brown: "Arrepio", "Maraçá" e "Magamalabares", que se destacam pela inventividade e ritmo característicos da parceria. Dentre as composições próprias, "Blanco" é particularmente notável por ser a musicalização de um poema de Octavio Paz, traduzido por Haroldo de Campos, demonstrando a inclinação de Monte para a fusão de diferentes formas de arte. Complementando o material original, o álbum inclui covers de grande expressividade, como "Chuva no Brejo" de Moraes Moreira, "Cérebro Eletrônico" de Gilberto Gil e a icônica "Tempos Modernos" de Lulu Santos, que em sua voz ganham novas camadas de significado. A parte ao vivo do álbum revisita hits que já haviam marcado a carreira da cantora, como "Segue o Seco", "Ao Meu Redor", "Bem Leve", "Ainda Lembro" e "Beija Eu", além de outros covers, permitindo que a performance vibrante de Marisa Monte ressignifique essas canções para o público.

Legado

Barulhinho Bom rapidamente se tornou um sucesso estrondoso, estreando na primeira posição da lista dos discos mais vendidos no Brasil e marcando o quarto álbum consecutivo de Marisa Monte a atingir essa façanha. Sua repercussão foi amplificada pela controvérsia em torno da capa, que utilizava um desenho do artista Carlos Zéfiro. A imagem gerou debate e, nos Estados Unidos, onde foi lançado como A Great Noise, a capa foi censurada com uma tarja preta sobre os seios do desenho, enquanto no Brasil, algumas lojas o embalaram com plásticos coloridos, aumentando a curiosidade e o burburinho em torno da obra. O álbum foi aclamado pela crítica especializada, que reconheceu o "extraordinário talento" e a "autenticidade" de Marisa Monte, ressaltando sua capacidade de surpreender com um disco ao vivo cheio de magia e emoção, em um estilo contemporâneo e delicado. A ousadia e a qualidade musical de Barulhinho Bom o consolidaram como um álbum icônico na música brasileira. Anos mais tarde, em junho de 2020, o legado do álbum foi estendido com o lançamento digital de "Hotel Tapes", uma coleção extra de faixas ao vivo gravadas em dezembro de 1996, como parte do projeto Cinephonia, oferecendo ainda mais registros desse período criativo da artista.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Direção Artística [EMI]

João Augusto

Coprodução

Carlinhos Brown

Direção [Executive]

Leonardo Netto

Produção

Arto Lindsay, Marisa Monte

Crew [Live], Produção Executiva

Suely Aguiar

Crew [Live], Other [Production Assistant]

Newton Maciel

Crew [Live], Technician [Monitor]

Mauro Bianchi

Crew [Live], Technician [P.A]

Antoine Midani

Crew [Live], Technician [Roadie]

Guilherme Calicchio, Marcio Barros

Crew [Production Assistant - Rio]

Suely Aguiar

Typography [Chorded Harmonies]

Fernando Caneca

Masterização

UE Nastasi

Mixagem

Fernando Aponte, Patrick Dillett

Mixagem [Assistant]

Alex De Jonge

Mixagem [Assistants]

Dave Robbins, Jim McNamara

Gravação [Live - Assistant]

Claudemir Rufo

Gravação [Live]

Jorge Nunes, Roberto Marques, Zorro

Gravação [Studio - Assistants (N.Y.)]

Alex De Jonge, Dave Robbins, Jim McNamara

Gravação [Studio - Assistants (Rio)]

Marco Hoffer, Marcos Vicente

Gravação [Studio]

Fernando Aponte, Patrick Dillett

Arte [Art Assistant]

Bruno Porto

Arte [Art/CG Assistant]

Leonardo Eyer

Arte, Typography

Gringo Cardia

Coordenação [Graphic]

Patricia Fernandes

Ilustração

Carlos Zéfiro

Texto do Encarte

Marisa Monte

Referências

Livros