Mais

Marisa Monte

1991

Capa de Mais
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

Lançado em 1991, Mais é o segundo álbum da carreira de Marisa Monte e seu primeiro trabalho de estúdio, marcando um ponto de virada significativo em sua trajetória artística. A proposta central do disco foi romper com a imagem de 'crooner talentosa' e estabelecer uma identidade sonora coesa e original, um processo que a própria artista descreveu como 'procurar sua turma'.

Contexto

Marisa Monte, descoberta por Nelson Motta em 1988, havia recusado diversas propostas de contrato antes de assinar com a EMI. Seu álbum de estreia, um projeto ao vivo de 1989, foi um sucesso comercial avassalador, vendendo mais de um milhão de cópias em poucos meses, impulsionado pelo hit "Bem que se Quis". Àquela altura, Marisa já era vista como uma figura de referência, capaz de harmonizar diversas vertentes da música brasileira, como MPB, rock, samba e a cultura nordestina, em uma nova vertente pop.

Gravação

As sessões de gravação de Mais tiveram início em setembro de 1990 e se estenderam até novembro do mesmo ano, sendo realizadas em diversos estúdios no Brasil e em Nova Iorque. O sucesso de seu trabalho anterior garantiu um financiamento robusto da gravadora EMI para este novo projeto. Marisa Monte escolheu Arto Lindsay como produtor, após ter se impressionado com sua banda Ambitious Lovers, e Lindsay, por sua vez, trouxe para o projeto músicos de renome internacional como Ryuichi Sakamoto, Bernie Worrell, John Zorn e Melvin Gibbs. Antes das gravações, em julho de 1990, Monte já havia apresentado faixas inéditas do álbum, como "Volte para o Seu Lar" e "Ensaboa", no Festival de Jazz de Montreux.

Músicas

Para este álbum, Marisa Monte buscou ativamente novas composições, afastando-se de interpretações de seu gosto pessoal para criar algo mais conectado à sua geração. Embora não se considerasse uma compositora nata na época, ela valorizou a ligação com outros criadores. O resultado foi uma colaboração intensa, com sete das oito canções originais desenvolvidas em parceria com membros dos Titãs, como Arnaldo Antunes, Nando Reis e Branco Mello, sendo "Eu Sei (Na Mira)" a primeira faixa escrita exclusivamente por Marisa Monte.

Legado

Na época de seu lançamento, o álbum Mais recebeu elogios da crítica, com o jornal O Estado de S. Paulo afirmando que Marisa Monte havia se tornado 'menos dramática, com a voz ainda mais afinada e cristalina', consolidando seu lugar 'no panteão dos titãs'. Contudo, O Globo apresentou críticas mistas, avaliando negativamente o repertório e as interpretações. Em uma análise retrospectiva de 2020, o jornalista Mauro Ferreira destacou que o álbum 'reverteu expectativas de quem ansiava por outro disco com lapidações de joias da música brasileira'. O disco gerou singles de sucesso como "Beija Eu", "Rosa", "Eu Sei (Na Mira)", "Ainda Lembro" e "Diariamente", e algumas de suas faixas foram incluídas em trilhas sonoras de novelas da Rede Globo, como "Eu Sei (Na Mira)" em O Dono do Mundo, "Ainda Lembro" em Deus Nos Acuda, e "Rosa" em diversas produções como Fera Ferida e Além da Ilusão.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Direção Artística

Jorge Davidson

Produção Executiva

Leonardo Netto

Produção Executiva, Project Manager

Lula Buarque

Produção

Arto Lindsay

Saxofone Alto

John Zorn

Baixo

Melvin Gibbs, Ricardo Feijão

Bateria

Dougie Bowne, Gigante Brasil

Engineer [Assistant], Gravação, Mixagem

Dave Shiffman, Justin Luchter, Mauro Bianchi

Guitarra

Marc Ribot, Perinho Santana, Robertinho De Recife, Romero Lubambo

Teclados

Bernie Worrell, Ryuichi Sakamoto

Percussão

Armando Marçal, Gigante Brasil, Naná Vasconcelos, Prince Vasconcelos De Bois

Saxofone Tenor

Marty Ehrlich

Engenheiro de Som, Gravação, Mixagem

Patrick Dillett, Roger Moutenot

Referências

Livros