Verde, Anil, Amarelo, Cor-de-Rosa e Carvão
Marisa Monte
1994

Porque Merece Estar na Lista
Verde, Anil, Amarelo, Cor-de-Rosa e Carvão é o segundo álbum de estúdio da aclamada artista brasileira Marisa Monte, lançado em 1994, que se destaca como um marco em sua trajetória. Embora mantenha as sonoridades de rock, MPB e pop já exploradas em trabalhos anteriores, o disco representa uma significativa imersão no samba, um gênero que a própria cantora descreve como um retorno às suas raízes musicais. Essa fusão de estilos, com uma maior presença do samba, confere ao álbum uma identidade sonora rica e coesa, unindo elementos musicais díspares de maneira orgânica. O projeto é notável pela sua proposta de sonoridade mais "brasileira", com foco em instrumentos acústicos como violão, percussão e voz, e uma deliberada ausência de instrumentos eletrônicos, sintetizadores ou guitarras, diferenciando-o de seu antecessor. As participações especiais de grandes nomes como Gilberto Gil, Laurie Anderson e a Velha Guarda da Portela, além do grupo Época de Ouro, enriquecem ainda mais o tecido musical do álbum, consolidando-o como uma obra de profunda conexão com a tradição brasileira, mas sempre com um olhar inovador.

Consolidação de parcerias, texturas múltiplas e estilo marcamCor de Rosa e Carvão, uma poesia sonora que traz a música do presente e do passado, respeitadas e reinventadas.
Ademir Correa · Rolling Stone Brasil
Contexto
Após o sucesso crítico e comercial de seu primeiro disco de inéditas, Mais (1991), que vendeu mais de 700 mil cópias e foi elogiado pela maturidade e fusão de influências, Marisa Monte dedicou-se a turnês e colaborações musicais. Esses encontros foram cruciais para a concepção de seu álbum seguinte. Um ponto de virada foi o início de uma parceria profissional e amizade com Carlinhos Brown em janeiro de 1994, que resultou na composição de três faixas inéditas, incluindo "Na Estrada". Marisa Monte já havia trabalhado com Arnaldo Antunes e Nando Reis, que também contribuíram significativamente para Verde, Anil, Amarelo, Cor-de-Rosa e Carvão. A decisão de incorporar o samba de forma mais proeminente refletia uma vivência pessoal, com a cantora mencionando sua ligação com escolas de samba e a influência de artistas como Paulinho da Viola e Clara Nunes em sua formação.
Gravação
As gravações de Verde, Anil, Amarelo, Cor-de-Rosa e Carvão ocorreram entre março e maio de 1994, em dois importantes estúdios: Estúdio Nas Nuvens, no Rio de Janeiro, e Skyline Studios, em Nova Iorque. Nove canções foram registradas no Brasil e quatro nos Estados Unidos. A produção foi novamente assinada em parceria com Arto Lindsay, e um fato notável do processo foi o desejo da artista de gravar cada canção na primeira tomada. Essa escolha visava conferir ao projeto um caráter mais "humano" e menos propenso a correções digitais, reforçando a espontaneidade e a autenticidade das performances.
Músicas
Musicalmente, Verde, Anil, Amarelo, Cor-de-Rosa e Carvão é caracterizado pela mescla de música popular brasileira, pop e, principalmente, samba. A artista buscou imprimir mais elementos brasileiros, utilizando predominantemente instrumentos acústicos como violão, percussão e voz, sem uso de teclados, sintetizadores ou guitarras, distinguindo-o de seu trabalho anterior. O álbum se inicia com "Maria de Verdade", uma canção pop com acordes de violão e vocais suaves, narrando a história de uma mulher poderosa. Em seguida, "Na Estrada" deriva do rock, enquanto "Ao Meu Redor" já apresenta a predominância do samba com o pandeiro sincopado de Marcos Suzano. "Segue o Seco" é um destaque com fortes elementos da música nordestina, acentuada pela percussão de Carlinhos Brown, e sua letra expressa o drama da seca no Brasil. O disco também traz regravações notáveis, como "Pale Blue Eyes" dos The Velvet Underground, e "Dança da Solidão" de Paulinho da Viola, esta última com a participação vocal e no violão de Gilberto Gil. "De Mais Ninguém", uma seresta em parceria com o Época de Ouro, narra a dor da ausência. A faixa final, "Esta Melodia", conta com o violão dolente de Paulinho da Viola e a contribuição das tias da Portela (Doca, Surica e Eunice) em um coro, desembocando em um samba típico de Sapucaí, evocando a saudade do amor ausente.

Filha da classe média alta, com um pé no samba (o pai, Carlos Monte, foi diretor da escola de samba Portela), Marisa (de Azevedo) Monte, carioca de 1967, tinha tudo para seguir um roteiro, literalmente, clássico.
Tárik de Souza · 300 Discos Importantes
Legado
Verde, Anil, Amarelo, Cor-de-Rosa e Carvão foi majoritariamente aclamado pela crítica especializada, que elogiou sua produção, os vocais de Marisa Monte e a coesão na união de elementos musicais diversos. Álvaro Neder, do Allmusic, classificou-o como "um dos melhores discos pop dos anos 1990", destacando a intenção da intérprete em buscar uma nova linguagem que respeitasse a rica tradição musical brasileira. Carlos Calado, da Folha de S.Paulo, considerou o álbum "mais maduro" e um passo "adiante" na carreira da cantora, elogiando as colaborações com Antunes e Brown e a forma como Monte colocou sua voz a serviço da música. Comercialmente, o álbum foi um grande sucesso, alcançando o sexto lugar entre os discos mais vendidos na tabela da NOPEM. Recebeu três certificados de platina pela Pro-Música Brasil (PMB) e vendeu mais de um milhão de exemplares no país. É frequentemente citado como um dos melhores trabalhos de Marisa Monte e da década de 1990, tendo sido incluído na lista dos 500 melhores álbuns brasileiros de todos os tempos pela revista Rolling Stone Brasil. O videoclipe do single "Segue o Seco" foi o de maior custo por um artista brasileiro até então e conquistou cinco prêmios no MTV Video Music Brasil Awards de 1995, tornando Monte a artista com o maior número de vitórias naquela edição.
Ranking nas Listas
Faixas
Créditos
João Augusto
Marisa Monte
Leonardo Netto
Arto Lindsay
Sérgio Benevenuto
MYTEK Tecnologies
Scott Hull
Denilson Campos
Patrick Dillett
Alexandre Saieg
Matt Curry, Rich Lamb
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