Marku
Marku Ribas
1973

Porque Merece Estar na Lista
Marku, lançado em 1973, é um álbum singular que solidifica a proposta musical inovadora de Marku Ribas, um artista que desafiou categorizações e enriqueceu a música brasileira com sua visão multicultural. O disco se destaca por uma fusão pioneira de ritmos, incorporando elementos afro-caribenhos, afro-brasileiros e afro-americanos, criando uma sonoridade que transcende fronteiras geográficas e estilísticas. Este trabalho de estreia solo de Marku Ribas é um testemunho de sua liberdade criativa e de sua capacidade de integrar samba, funk, soul, jazz latino e outros gêneros em uma tapeçaria sonora vibrante e complexa. A musicalidade exuberante e a presença carismática de Ribas se manifestam em cada faixa, revelando um artista à frente de seu tempo, que desbravou caminhos para a polirritmia e a experimentação. É uma obra que cativa pela originalidade e pela profundidade de suas referências, oferecendo uma experiência auditiva rica e multifacetada.
Contexto
O álbum Marku foi gravado entre 1972 e 1973, durante um período em que Marku Ribas estava de férias no Brasil, após experiências significativas no exterior. Antes deste lançamento solo, Marku já havia passado por transformações musicais notáveis, influenciadas por sua vivência com o grupo Batuki na França (1968 a 1970) e, posteriormente, no Caribe (1971 a 1975). Este contexto de intercâmbio cultural e pesquisa rítmica o posicionou como um músico com uma perspectiva ampliada sobre a diáspora africana e suas manifestações sonoras. A efervescência do soul brasileiro, que ganhava força em plena ditadura militar, também serviu de pano de fundo para a emergência de artistas como Marku, que, junto a outros pioneiros como Jorge Ben e Wilson Simonal, pavimentaram o caminho para um novo som.
Gravação
Marku foi gravado em 1972 e lançado no ano seguinte, 1973, pelo selo Copacabana + Underground. A gravação aconteceu nos Estúdios Reunidos, contando com a engenharia de som de Milton Rodrigues. A direção artística ficou a cargo de Cesare Benvenuti, com supervisão musical de Leo Peracchi, enquanto os arranjos foram assinados pelo renomado Erlon Chaves. Marku Ribas foi responsável pela voz, violão e percussão no álbum, demonstrando seu talento multifacetado. Embora muitos instrumentistas talentosos tenham participado, vários deles não foram creditados nos registros originais.
Músicas
O álbum apresenta dez faixas, todas compostas por Marku Ribas, com exceção de adaptações folclóricas. Entre os destaques, a canção "Zamba Ben" é particularmente notável, sendo um dos maiores clássicos dos bailes nos anos 1970 e considerada um hino do samba-rock. Outras faixas marcantes incluem "5,30 Schoelcher", "O Adeus, Segundo Maria", "N'Biri, N'Biri" (adaptada de um folclore angolano) e "Pacutiguibê Iaô". A sonoridade do disco é enriquecida pela participação de músicos lendários do jazz brasileiro, como Wilson das Neves e Pascoal Meirelles na bateria, Tenorio Jr. nos teclados e João Donato, que contribuiu com piano e arranjos orquestrais. A MPB diva Miúcha também emprestou sua voz em harmonias em várias canções, adicionando mais uma camada de sofisticação ao trabalho. As letras e composições de Marku exploram temas diversos, permeados pela influência da diáspora africana e pela celebração da cultura afro-brasileira.
Legado
Marku solidificou a reputação de Marku Ribas como um dos artistas mais inventivos da música brasileira. A canção "Zamba Ben" não apenas se tornou um clássico cult nos bailes da década de 1970, mas também foi amplamente sampleada por DJs e regravada por diversas bandas, atestando seu impacto duradouro. O álbum é reconhecido como um dos trabalhos mais únicos e profundamente "funky" de seu estilo, misturando soul brasileiro com influências do funk-rock e salsa nuyorquina. A recepção crítica ao longo do tempo tem sido bastante positiva, com o álbum recebendo uma média de 4.57 de 5 estrelas em avaliações de usuários no Discogs, e uma média de 76 sobre 100 para suas faixas no BestEverAlbums.com. Artistas contemporâneos como Ed Motta são fãs declarados de Marku Ribas, e Motta chegou a lançar uma compilação de suas composições, intitulada Zamba Ben. A inclusão de Marku entre os 100 melhores discos da música brasileira reflete seu valor artístico e sua relevância cultural inquestionáveis.
Ranking nas Listas
Faixas
Créditos
Geraldo Barbosa
João Donato
Marku
Paulo Rocco
Marku
Ana Maria, Georgiana De Moraes, João Donato, Marku, Miucha
Marku
Conjunto Nosso Samba
Aurino Ferreira
Luizão Maia
Marku
Hermes Contesini
Pascoal Meirelles
João Donato
Marku, Wilson das Neves
Ariovaldo Contesini, Hermes Contesini, Marku
Wilson das Neves
Ariovaldo Contesini, Marku, Wilson das Neves
Aladim, Mamão, Pascoal Meirelles, Wilson das Neves
João Donato, Tenorio Jr.
Tenorio Jr.
Copinha, Jayme Araújo, Jorge Ferreira Da Silva, Oberdan Magalhães
Marku
Chiquito
Marku
Talmo Scaranari
João Donato, Tenorio Jr.
Geraldo Bongô
Luizinho, Macaé, Zé Bodega
Adilson, João Donato
Marku
Edmundo Maciel, Gesse, Manoel Araújo
Manoel Araújo
Barreto, Carlos Darci, Niltinho
Marku
Marku
Don Lewis, Luigi Hoffer, Luiz Da Urca
Brás, Paulinho Chocolate
Vitor Farias
Adilson, Antonio Jose Castilho, Roberto Do Monte
Garrafa
Pedro Lopes
Oswaldo Micheloni
