É a Maior

Marlene

1970

Capa de É a Maior
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

Lançado em 1982, Thriller de Michael Jackson é um marco inquestionável na história da música, redefinindo os padrões da indústria e do pop global. O álbum se destaca por uma fusão magistral de gêneros, explorando o pop, o rock, o pós-disco e o funk, além de incorporar estilos mais suaves como a música contemporânea e o R&B, criando uma sonoridade acessível e sofisticada simultaneamente. É uma obra que não apenas consolidou Michael Jackson como um artista singular, mas também impulsionou a música pop a novos patamares de expressão e alcance. Considerado por muitos o maior e melhor álbum da história, Thriller é notável por sua inovação na promoção musical. Foi pioneiro ao utilizar videoclipes como ferramentas de divulgação de sucesso sem precedentes, com produções cinematográficas para faixas como "Billie Jean", "Beat It" e a faixa-título, que transformaram a MTV e a própria percepção do que um videoclipe poderia ser. A visão de Jackson para o disco, onde cada canção era concebida como um "assassino", culminou em um trabalho coeso, mas diversificado, que capturou a imaginação de milhões. Musicalmente, o álbum refinou os pontos fortes de seu antecessor, Off the Wall, equilibrando faixas dançantes e rock com baladas calmas e carregadas de soul, enquanto liricamente explorava temas de paranoia e elementos sobrenaturais, adicionando uma profundidade incomum ao repertório pop da época.

Contexto

Os anos que precederam o lançamento de Thriller foram um período de transição e intensa busca por independência para Michael Jackson. Após o aclamado e comercialmente bem-sucedido Off the Wall, que vendeu mais de 20 milhões de cópias, Jackson, apesar do sucesso, sentia-se solitário e subestimado pela indústria musical. Ele expressava uma frustração com a percepção de um "sub-desempenho" de Off the Wall por não ter ganhado o prêmio de Álbum do Ano, declarando que "isso pode nunca acontecer novamente". Com 21 anos, o artista revelou o desejo de se tornar a maior estrela do show business e o mais rico, confrontando o preconceito racial que sentia existir na indústria, como a recusa da revista Rolling Stone em colocá-lo na capa. Este cenário de determinação pessoal e aspiração por reconhecimento máximo moldou a mentalidade por trás da criação de Thriller, um álbum concebido para quebrar barreiras e superar todas as expectativas.

Gravação

A gravação de Thriller reuniu Michael Jackson e o produtor Quincy Jones novamente, em uma parceria que já havia rendido frutos com Off the Wall. Trabalharam em cerca de 30 canções, das quais nove foram selecionadas para o disco final. As sessões ocorreram nos estúdios Westlake Recording em Los Angeles, Califórnia, com um orçamento de 750 mil dólares, um valor considerável para a época. O processo de gravação começou em 14 de abril de 1982, com a notável colaboração de Jackson e Paul McCartney em "The Girl Is Mine", e foi finalizado em 8 de novembro de 1982. Vários membros da banda Toto contribuíram para o álbum. Jackson foi o compositor e coprodutor de quatro faixas essenciais: "Wanna Be Startin' Somethin'", "The Girl Is Mine", "Beat It" e "Billie Jean", e sua abordagem criativa incluía ditar letras em um gravador de som e cantar de memória. A relação entre Jackson e Jones, embora produtiva, teve momentos de tensão, com Jackson frequentemente ensaiando passos de dança sozinho e ambos insatisfeitos com os primeiros resultados, o que os levou a remixar cada faixa semanalmente até alcançarem a perfeição desejada. A produção da faixa "Billie Jean" contou com a insistência de Jackson para manter sua longa introdução, que o inspirava a dançar, enquanto para "Beat It", Jones e Jackson buscaram um guitarrista de rock que agradasse a todos os gostos, encontrando Eddie Van Halen. A faixa-título, inicialmente pensada como "Starlight" ou "Midnight Man" por Rod Temperton, foi rebatizada para "Thriller" devido ao seu potencial de marketing. Para o spoken word final da canção, Jones convidou o ator Vincent Price, que gravou sua parte em apenas dois takes, com Temperton escrevendo os versos no táxi a caminho do estúdio.

Músicas

Musicalmente, Thriller é predominantemente um álbum de funk e pós-disco, mas com uma ampla paleta sonora. Steve Huey, do Allmusic, observou que o disco "refinou os pontos fortes do álbum anterior de Jackson, Off The Wall", equilibrando canções de dança e rock com baladas pop e faixas mais próximas da música soul. O álbum apresenta baladas como "The Lady In My Life", "Human Nature" e "The Girl Is Mine", canções funk como "Billie Jean" e "Wanna Be Startin' Somethin'", e peças de disco como "Baby Be Mine" e "P.Y.T. (Pretty Young Thing)". "Wanna Be Startin' Somethin'" se destaca por um fundo de baixo e percussão, culminando em um clímax inspirado por um canto africano, conferindo-lhe um sabor internacional. "The Girl Is Mine", um dueto com Paul McCartney, explora a disputa lírica entre dois amigos por uma mulher. Faixas como "Billie Jean" e a própria "Thriller" mergulham em temas de paranoia e imagens sobrenaturais, marcando uma transição para narrativas mais sombrias na obra de Jackson. Liricamente, "Billie Jean" aborda a alegação de paternidade de um fã, enquanto "Wanna Be Startin' Somethin'" critica fofocas e a mídia. A faixa-título, por sua vez, incorpora uma gama de efeitos sonoros, de portas rangendo a uivos de cães, criando uma atmosfera imersiva de terror. "Beat It" se apresenta como uma homenagem ao musical West Side Story, sendo a primeira faixa crossover de Jackson a obter grande sucesso, com uma mensagem antigangue. "Human Nature", cocomposta por Steve Porcaro do Toto, é uma balada introspectiva e melancólica. As habilidades vocais de Jackson são um ponto alto do álbum; ele demonstra um alcance vocal extraordinário, deslizando para um falsete surpreendente e usando seu característico "soluço vocal" para evocar emoções diversas, desde a tristeza à excitação, ou ao medo. O biógrafo J. Randy Taraborrelli descreveu "The Lady In My Life" como o momento em que Jackson "conseguiu cantar com uma voz sensual usada na música soul depois de seus anos na Motown".

Legado

Thriller não foi apenas um sucesso comercial estrondoso, mas também um fenômeno cultural com um legado inigualável. Aclamado por fãs e crítica, venceu um recorde de oito Grammy Awards em 1984, incluindo o cobiçado Álbum do Ano. O disco liderou as tabelas no Canadá, Estados Unidos, Reino Unido e várias outras nações, tornando-se, em apenas um ano, e permanecendo como, o álbum mais vendido de todos os tempos, com mais de 66 milhões de cópias comercializadas globalmente. Nos Estados Unidos, vendeu mais de 33 milhões de cópias, um recorde histórico na época. Todos os sete singles do álbum alcançaram o top 10 nos EUA, com "Billie Jean" e "Beat It" liderando a Billboard Hot 100. Thriller quebrou preconceitos e barreiras raciais na música pop, impulsionado pelas icônicas apresentações de Jackson na MTV e seu encontro na Casa Branca com o presidente Ronald Reagan. Os videoclipes revolucionários de "Billie Jean", "Beat It" e "Thriller" foram constantemente transmitidos na MTV, com o vídeo da faixa-título sendo frequentemente citado como o "melhor vídeo musical de todos os tempos", estabelecendo um novo padrão para a arte visual na música. O impacto duradouro de Thriller é evidenciado por suas constantes aparições em listas de "melhores álbuns": foi classificado em 20º lugar entre os 500 melhores álbuns de todos os tempos pela Rolling Stone em 2003, e em primeiro lugar entre os "melhores álbuns dos anos 1980" pela Slant Magazine em 2012. O disco foi incluído no National Recording Registry da Biblioteca do Congresso dos EUA, e seu videoclipe homônimo, no National Film Registry. Mesmo após a morte de Jackson em 2009, o álbum continuou a quebrar recordes, vendendo mais de 100.000 cópias e fazendo de Jackson o primeiro artista a vender mais de um milhão de downloads de músicas em uma semana. Seu legado continua a ser celebrado com reedições especiais, como o Thriller 25 e o futuro Thriller 40, mostrando sua relevância e influência permanentes.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Violão, Diretor Musical

Arthur Verocai

Baixo

Novelli

Referências

Livros