O Som
Meirelles e os Copa 5
1964

Porque Merece Estar na Lista
Lançado em 1964, O Som, de Meirelles e os Copa 5, é uma obra seminal e um dos álbuns mais emblemáticos do samba-jazz nacional. O disco captura a energia e a sofisticação de um dos grupos mais inovadores da música brasileira, sendo um marco no desenvolvimento desse estilo instrumental único. É amplamente reconhecido como um ápice do samba-jazz, demonstrando que não se tratava apenas de uma vertente da bossa nova, mas de um movimento musical com linguagem e identidade próprias. O Som representou uma síntese do fervor criativo que permeava o lendário Beco das Garrafas, pavimentando caminhos para a modernização da música brasileira. Suas composições e arranjos são considerados o que há de melhor e mais sofisticado da produção do período, rivalizando tanto com o que havia de mais notável na bossa nova quanto com o jazz americano da época. Este trabalho visionário foi um clássico à frente de seu tempo, e sua relevância perdura até os dias atuais.
Contexto
J. T. Meirelles, saxofonista, arranjador e compositor, foi uma figura central no surgimento e consolidação do samba-jazz nos anos 1960. Sua trajetória começou aos 17 anos tocando saxofone com João Donato, e em 1963, com apenas 23 anos, ele se destacou como arranjador do álbum de estreia de Jorge Ben, Samba Esquema Novo, que incluía o icônico sucesso "Mas que Nada". A grande repercussão desse trabalho com Jorge Ben rendeu a Meirelles um convite do produtor Armando Pittigliani, da Companhia Brasileira de Discos (atual Universal Music), para integrar o catálogo da gravadora Philips. Essa oportunidade permitiu que Meirelles gravasse seus próprios discos instrumentais com total liberdade artística. De volta ao Rio de Janeiro, ele formou o grupo instrumental Os Copa 5 com músicos talentosos e ligados à bossa nova, como Luiz Carlos Vinhas (piano), Dom Um Romão (bateria), Manoel Gusmão (baixo) e Pedro Paulo (trompete). O conjunto se tornou uma atração consagrada no Bottle's Bar, no Beco das Garrafas, e O Som representou uma guinada significativa em relação à bossa nova para esses instrumentistas.
Gravação
O álbum O Som foi lançado pela gravadora Philips em 1964, com produção de Armando Pittigliani, e gravado no Rio de Janeiro. A formação principal do Meirelles e os Copa 5 contava com J. T. Meirelles no saxofone tenor e flauta, Luiz Carlos Vinhas no piano, Dom Um Romão na bateria, Pedro Paulo no trompete e Manoel Gusmão no contrabaixo. Além dos membros principais, o álbum contou com a participação de outros instrumentistas notáveis da cena da época, incluindo Eumir Deodato ao piano, Edison Machado na bateria, Roberto Menescal no violão acústico e Waltel Branco na guitarra elétrica, solidificando a força e o virtuosismo do conjunto. A gravação em mono, como indicam algumas reedições, reflete as técnicas de produção da época.
Músicas
O Som apresenta seis faixas, todas composições originais de J. T. Meirelles, que demonstram uma notável transição entre a intensidade rítmica e a harmonia refinada. As composições se destacam pela sua complexidade e riqueza harmônica, apesar da aparente leveza, e a estrutura das faixas raramente se repete, evidenciando a liberdade criativa e a destreza composicional de Meirelles. Entre as canções, "Quintessência" é reconhecida por sua energia contagiante, enquanto "Contemplação" evoca o lirismo impressionista que remete ao estilo de Bill Evans. Outras faixas notáveis que compõem o álbum incluem "Solitude", "Blue Bottle's", "Nordeste" e "Tânia".
Legado
O Som rapidamente se estabeleceu como uma referência fundamental para o samba-jazz instrumental brasileiro, influenciando diretamente a fusão dos gêneros samba e jazz. Sua relevância é atestada por diversas reedições ao longo dos anos, incluindo lançamentos em CD remasterizado em 2001 e 2003, e em formatos especiais como SHM-CD em 2023. Edições em vinil de 180 gramas também foram lançadas em diferentes momentos, como em 2007 e 2025, tornando o álbum acessível a novas gerações de ouvintes e colecionadores. O reconhecimento internacional do álbum é notório, com DJs ingleses sendo os primeiros a abraçar o vigor da música instrumental brasileira dos anos 60 e a incorporá-la em suas pistas de dança. O Som figura em listas importantes, como a de "1001 Discos da Música Brasileira", e mantém uma alta avaliação de 4.71 de 5 estrelas em plataformas como Discogs, com um grande número de interessados em adquiri-lo, o que reflete sua cobiça no mercado. O valor de revenda do vinil original pode variar significativamente, alcançando centenas de dólares, evidenciando seu status de item de colecionador.
Ranking nas Listas
Faixas
Créditos
Armando Pittigliani
Manuel Gusmao
Dom Um Romao
Luiz Carlos Vinhas
João Theodoro Meirelles
Pedro Paulo
Sylvio Rabello
Célio Martins
Paulo Breves
Mafra
