Metá Metá

Metá Metá

2011

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Por Que Esse Disco é Importante

O álbum de estreia autointitulado do Metá Metá, lançado em 2011, é uma obra seminal que redefiniu e expandiu os horizontes da música brasileira contemporânea. Longe das convenções, o trio de São Paulo, formado por Juçara Marçal (voz), Kiko Dinucci (guitarra e voz) e Thiago França (saxofone e flauta), criou um som que é, simultaneamente, profundamente enraizado em tradições afro-brasileiras e ousadamente vanguardista. Este trabalho é uma fusão poderosa de jazz, rock, samba e ritmos de Candomblé, resultando em uma sonoridade única que alguns críticos descreveram como afro-punk ou samba torto. A originalidade e a intensidade do álbum, com arranjos econômicos que enfatizam elementos melódicos e signos da música de influência africana, conferem-lhe um lugar de destaque na cena musical recente do Brasil.

Contexto

O Metá Metá foi formado em São Paulo em 2008, unindo três músicos já experientes e atuantes na efervescente cena musical paulistana. Antes do lançamento do álbum de estreia em 2011, Juçara Marçal e Kiko Dinucci já haviam colaborado no álbum "Padê" (2008), e Kiko Dinucci lançara seu disco solo "Na Boca Dos Outros" em 2009. O ano de 2011 é visto como um marco para um potente coletivo musical em São Paulo, que viu não apenas a estreia do Metá Metá, mas também do grupo Passo Torto, indicando um período de intensa colaboração e experimentação na cidade.

Gravação

O álbum foi originalmente lançado em 2011 como um CDr pelo selo Desmonta, sendo posteriormente relançado em vinil em 2018 pela Goma Gringa Discos, com uma edição de luxo e arte inédita. A instrumentação é notável por sua abordagem minimalista e despojada, com Juçara Marçal nos vocais, Kiko Dinucci no violão e voz, e Thiago França no saxofone tenor e flauta. Em algumas faixas, foram adicionadas percussão e bateria, e uma única canção conta com cavaquinho. Contudo, uma característica distintiva do álbum é a ausência intencional de baixo e teclado, uma escolha que realça as vozes e as letras, conferindo um ambiente sonoro singular quase como uma "sessão de curtas-metragens" musicais.

Músicas

O álbum "Metá Metá" apresenta dez faixas, com composições de diversos artistas que enriquecem a tapeçaria sonora do trio. Entre elas, destacam-se "Vale do Jucá", de Siba Veloso, que abre o disco, "Umbigada", de Lincoln Antonio, e "Papel Sulfite", de Jonathan Silva. Outras canções notáveis incluem "Trovoa", de Maurício Pereira, "Samuel", assinada por Kiko Dinucci e Rodrigo Campos, e "Vias de Fato", de Douglas Germano, Edu Batata e Kiko Dinucci. "Oranian" e "Obá Iná" são composições de Douglas Germano e Kiko Dinucci (sendo "Obá Iná" apenas de Germano). Faixas como "Vale do Jucá" e "Vias de Fato" evocam a atmosfera dos afro-sambas de Baden Powell e Vinicius de Moraes, enquanto "Umbigada" se apresenta como uma melodia ensolarada. A lírica e a performance vocal de Juçara Marçal exploram temas que remetem à ancestralidade africana e ao Candomblé, com o nome da banda significando "três em um" em iorubá. Canções como "Papel Sulfite" trazem vocais sussurrados, e "Oranian" demonstra um canto quase rap-like. "Obá Iná" surpreende com uma linha de guitarra que remete ao punk, e "Obatalá" explora uma conexão mais forte com o jazz.

Legado

O álbum "Metá Metá" (2011) é considerado um marco e um "embrião conceitual" para o que viria a ser o "samba torto paulistano", sendo um dos trabalhos mais inventivos da música brasileira recente. Recebeu aclamação crítica considerável, sendo avaliado como um disco que seria o ponto alto da carreira de muitos artistas, mas que para o Metá Metá foi apenas um aquecimento. A banda disponibilizou o álbum para download gratuito em seu site, uma estratégia que, segundo Kiko Dinucci, impulsionou a curiosidade do público e levou as pessoas aos seus shows ao vivo, gerando resenhas em publicações como a Rolling Stone. Embora o grupo tenha ganhado prêmios por álbuns subsequentes, o álbum de estreia solidificou a reputação do Metá Metá como um dos grupos mais prestigiados e representativos da nova cena musical brasileira.

Faixas

Créditos

Voz

Juçara Marçal

Violão, Voz

Kiko Dinucci

Saxofone Tenor, Flauta

Thiago França

Livros

Análises

Metá Metá: Metá Metá - Fita Bruta

fitabruta.com.br

Não apenas por isso. Metá Metá é também importante por alguns motivos mais difusos. Com composições retrabalhadas ao paroxismo, como "Umbigada" (Lincoln Antonio) ou "Trovoa" (Maurício Pereira, dos Mulheres Negras), o disco demonstra uma dedicação incomum na música brasileira de hoje.

Crítica | Metá Metá: "Metá Metá" - Música Instantânea

musicainstantanea.com.br

Um resumo precioso e ainda hoje surpreendente de tudo aquilo que o Metá Metá viria a produzir ao longo da década. Este texto faz parte da nossa lista com Os 100 Melhores Discos Brasileiros dos Anos 2010 que será publicada ao longo das próximas semanas.

Criatura de Sebo: Metá Metá - 2011

criaturadesebo.blogspot.com

Esse é o primeiro álbum do trio Metá Metá, que reuniu o que havia surgido de melhor na cena musical paulista dos anos 2000.

Metá Metá - Metá Metá (2011; Circus/Desmonta, Brasil)

camarilhadosquatro.wordpress.com

Metá Metá constrói seu primeiro álbum a partir das ruínas de uma MPB vetusta e aparentemente sem rumo. Tanto que não soa anacrônico, mas, à moda dos últimos discos de Allen Toussaint e Aaron Neville, confere outras nuances a uma sonoridade desgastada.

Disco: "Metá Metá", Metá Metá - Música Instantânea

musicainstantanea.com.br

Embora sejam tecnicamente distantes as origens musicais de cada um dos três integrantes que dão vida ao peculiar Metá-Metá (2011, Independente), o ponto que delimita o encontro entre as três mentes é único, capaz de cruzar o oceano e estreitar os laços entre a costa da África e a costa do Brasil.

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