MetaL MetaL
Metá Metá
2012

Porque Merece Estar na Lista
MetaL MetaL, o segundo álbum do Metá Metá e estreia pelo selo Mais Um Discos, é uma obra que se lança dos antigos cânticos dos orixás para uma fusão visceral e inovadora. O trabalho é uma caldeira suja de samba psicodélico, jazz distorcido e afro-punk, que se destaca por desconstruir criativamente os elementos musicais tradicionais brasileiros. Regido pela voz potente de Juçara Marçal, o álbum explode com uma energia que remete à fúria de bandas como The Stooges e Sonic Youth, combinada com a espiritualidade de John Coltrane e Sun Ra. A banda propõe uma música caótica e cheia de vida, passeando entre improvisos jazzistas e flertes com o punk, em uma sonoridade que redefine a música brasileira contemporânea.
Contexto
Antes de MetaL MetaL, o Metá Metá já havia lançado um álbum autointitulado em 2011, que explorava o estilo clássico do afro-samba, mas já se aventurava pelo free jazz e rock. MetaL MetaL marca, então, uma expansão significativa na sonoridade do trio.
Gravação
O álbum MetaL MetaL, originalmente lançado em 2012 no Brasil e internacionalmente em 2014, expandiu o som do trio principal (Juçara Marçal, Kiko Dinucci e Thiago França) com a adição de Marcelo Cabral no baixo, Sergio Machado na bateria e Samba Sam na percussão. Essas inclusões resultaram em um som mais elétrico, denso e pesado. Para enriquecer ainda mais a sonoridade, o lendário baterista nigeriano de Afrobeat, Tony Allen, fez uma participação especial em duas faixas do álbum. A produção buscou combinar os fundamentos espirituais e rítmicos dos antigos cânticos de Candomblé com uma mistura de samba psicodélico, jazz distorcido e afro-punk.
Músicas
MetaL MetaL apresenta uma imersão profunda nas raízes afro-brasileiras e espirituais, com o trio invocando o espírito dos Orixás em diversas faixas, como "Exu", "Oyá", "Logun" e "Orunmilá". Embora todos os membros sigam o Candomblé, a banda utiliza a temática dos Orixás como uma estrutura para contar suas histórias, e não para pregar crenças específicas. O álbum se inicia com "Exu", descrita como um canto religioso agudo e lúgubre, alternando para canções dedicadas aos deuses. "Logun", por exemplo, é uma composição de quase oito minutos que parte do violão "torto" de Kiko Dinucci, incorpora o cavaquinho de Rodrigo Campos, e culmina em uma experiência quase ritualística com coros de vozes e sobreposição de metais, batidas e ruídos sintéticos.
Legado
MetaL MetaL solidificou o Metá Metá como um dos grupos mais prestigiados e representativos da cena musical brasileira contemporânea. O álbum foi indicado em 2013 no Prêmio Multishow de Música Brasileira nas categorias Melhor Disco, Versão do Ano e Música Compartilhada, vencendo nesta última. A repercussão internacional também foi notável, com o baterista Tony Allen descrevendo a banda como "inventores para a nova cena musical no Brasil". A crítica especializada elogiou o equilíbrio do álbum entre a experimentação vanguardista e a habilidade em criar "ganchos" memoráveis e ritmos dançantes. A estrutura sonora do MetaL MetaL não apenas influenciaria os futuros lançamentos do próprio Metá Metá, mas também uma série de outras obras que surgiriam na cena paulistana nos anos seguintes.
