Coisas

Moacir Santos

1965

Capa de Coisas
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

Coisas, lançado em 1965, é o primeiro álbum solo do arranjador, compositor, maestro e multi-instrumentista Moacir Santos. O disco se destaca por sua sonoridade singular, que mescla jazz com ritmos afro-brasileiros, apresentando uma fusão que se distancia tanto da Bossa Nova quanto do Bebop e Hard Bop que dominavam a cena da época. Sua originalidade reside na recusa em se enquadrar em rótulos, criando uma identidade sonora que se tornou um marco na música instrumental brasileira. As dez faixas instrumentais, todas compostas e arranjadas por Santos, levam o nome de "Coisa" seguido por um número, numa inspiração direta da numeração de Opus da música clássica, adaptada para o universo popular. Essa abordagem não apenas reflete a erudição do maestro, mas também sublinha a profunda conexão da obra com a música negra, uma contraponto forte ao cenário musical brasileiro dos anos 1960. Os arranjos sofisticados, as inusitadas combinações de timbres, os encadeamentos harmônicos, os ritmos cruzados e a alternância entre harmonia jazzística e erudita moderna são elementos que compõem a rica tapeçaria musical do álbum.

#23

Apresentava intrincadas harmonias e fusões de baião, xote e samba com jazz.

Toninho Spessoto · Rolling Stone Brasil

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Contexto

Antes do lançamento de Coisas, Moacir Santos já possuía uma trajetória consolidada como compositor de trilhas para diversos filmes brasileiros e produções filmadas no Brasil, muitas das quais serviram de berço ou foram reaproveitadas para as composições do álbum. Paralelamente à sua atuação como compositor, Santos era um respeitado professor, influenciando talentos da música brasileira e lecionando para alunos como Sérgio Mendes, a quem passou composições que formariam a base do grupo Bossa Rio.

Gravação

O álbum Coisas foi gravado nos estúdios da RCA Victor, com as sessões ocorrendo entre os dias 23 e 25 de março de 1965. A produção ficou a cargo de Roberto Quartin, que também assinou o texto da contracapa da primeira edição, lançada pelo selo Forma no mesmo ano. A ficha técnica registra ainda Wadi Gebara Netto na direção artística e Alberto Soluri como técnico de gravação, garantindo a qualidade sonora que se tornaria característica do trabalho.

Músicas

As dez faixas instrumentais de Coisas são notáveis por sua estrutura e sonoridade, todas intituladas como "Coisa" seguida por um número, remetendo à prática de numeração de Opus da música erudita. Entre as composições, "Coisa nº 5", também conhecida como "Nanã", destaca-se como a faixa mais célebre, com mais de 150 gravações por artistas diversos, incluindo Herbie Mann e Kenny Burrell. Essa canção, originada como trilha de abertura do filme Ganga Zumba, tem uma história rica, com o maestro imaginando sua melodia durante um passeio e, inicialmente, Vinicius de Moraes e, posteriormente, Mário Telles, elaborando letras para ela. Outras parcerias em composições incluem Mário Telles em "Coisa nº 10", "Coisa nº 5" e "Coisa nº 7", Regina Werneck em "Coisa nº 9" e "Coisa nº 8", e Clóvis Mello em "Coisa nº 1". A originalidade das criações de Santos reside em arranjos sofisticados, combinações inusitadas de timbres, encadeamentos harmônicos complexos, a ocorrência de ritmos cruzados e a alternância entre a harmonia jazzística e o erudito moderno. A imprevisibilidade das melodias é outra característica marcante, uma vez que o músico não construía suas composições a partir do desenvolvimento de células melódicas simples, resultando em uma sonoridade rica e inovadora.

Além de fornecer um raro deleite sonoro em suas sucintas dez faixas, Coisas quebra importantes paradigmas a partir de seu lançamento, em 1965. Um deles, o suposto primitivismo atribuído à música nativa de raízes afro.

Tárik de Souza · 300 Discos Importantes

Legado

A repercussão de Coisas foi significativa ao longo do tempo, solidificando seu status como um marco na música brasileira. O LP foi eleito o 23º melhor disco brasileiro de todos os tempos em uma lista da versão brasileira da revista Rolling Stone. Embora lançado originalmente em 1965, o álbum só recebeu uma reedição em CD em 2005, impulsionada pela ampla repercussão do CD duplo Ouro Negro, que regravou praticamente todas as músicas para a nova MPB. A canção "Coisa nº 5" (Nanã) teve um impacto notável, sendo gravada por mais de 150 artistas diferentes e influenciando músicos nacionais e internacionais.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Diretor Musical, Supervisão de Gravação

Wadi Gebara Netto

Produção, Texto do Encarte, Supervisão de Gravação

Roberto Quartin

Saxofone Alto

Dulcilando Pereira, Jorge Ferreira Da Silva

Saxofone Barítono

Geraldo Medeiros, Moacir Santos

Baixo

Gabriel Bezerra

Bass Trombone

Armando Palla

Violoncelo

Giorgio Bariola, Peter Dauelsberg, Watson Clis

Bateria

Wilson Das Neves

Flauta

Nicolino Cópia

Guitarra

Geraldo Vaspar

Percussão

Elias Ferreira

Piano, Órgão

Chaim Lewack

Saxofone Tenor

Luiz Bezerra

Trombone

Edmundo Maciel

Trompete

João Gerônimo Menezes, Julio Barbosa

Vibrafone

José Cláudio das Neves

Engenheiro de Som

Alberto Soluri

Capa

Patricia Tattersfield

Fotografia

Pedro Morais

Podcasts

Referências

Livros