Ouro negro

Moacir Santos

2001

Capa de Ouro negro
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

Ouro Negro, lançado em 2001, é um álbum que revisita e celebra a vasta obra do maestro Moacir Santos, um dos nomes mais singulares e influentes da música brasileira. Este trabalho se destaca por reacender o interesse do público brasileiro pela genialidade do compositor, que já era reverenciado internacionalmente. Com arranjos primorosos e uma estética sonora grandiosa, o disco é uma fusão sofisticada de ritmos afro-brasileiros, jazz, elementos de trilhas sonoras hollywoodianas e referências africanas, resultando em um estilo que é simultaneamente lânguido e vigoroso. O álbum é uma jornada musical que oferece uma visão abrangente do universo de Moacir Santos, apresentando suas composições com uma roupagem contemporânea, mas fiel à essência de suas criações. A riqueza melódica, a diversidade textural e o refinamento rítmico fazem de Ouro Negro um marco, consolidando a importância de Santos como um inovador que transcendia gêneros e fronteiras musicais.

Contexto

Moacir Santos, nascido em Pernambuco em 1926, teve uma trajetória musical rica e multifacetada, iniciando sua carreira no Brasil onde se tornou um maestro respeitado, lecionando para grandes nomes da Bossa Nova como Nara Leão, Baden Powell e Roberto Menescal. Após lançar o aclamado álbum Coisas em 1965, que misturava jazz e ritmos afro-brasileiros, ele se mudou para os Estados Unidos em 1967, onde continuou sua carreira como arranjador e compositor, lançando discos pela Blue Note e sendo nomeado ao Grammy. Apesar de seu reconhecimento internacional, a obra de Moacir Santos era, para grande parte do público brasileiro, menos acessível e conhecida até o lançamento de Ouro Negro. O projeto Ouro Negro surge como um resgate e uma homenagem, trazendo de volta à cena musical brasileira a profundidade e a originalidade de um maestro que havia passado grande parte de sua vida nos Estados Unidos, mas cuja música era intrinsecamente brasileira. Este álbum de 2001 marca um reencontro do Brasil com um de seus maiores tesouros musicais, apresentando sua obra a uma nova geração e reafirmando seu legado.

Gravação

O álbum Ouro Negro foi meticulosamente produzido por Mario Adnet e Zé Nogueira, com a supervisão do próprio Moacir Santos, já octogenário na época. As gravações ocorreram no Rio de Janeiro, no AR Studios, em fevereiro e março de 2001, resultando em um disco duplo com 28 faixas. A produção se empenhou em recriar os arranjos originais das peças de Santos, muitas delas datadas de 1965 a 1975, sendo necessário refazer algumas partituras que haviam sido perdidas. O projeto reuniu um verdadeiro "dream team" de instrumentistas e contou com a participação de um elenco estelar de vocalistas da MPB, incluindo Milton Nascimento, Djavan, Ed Motta, Gilberto Gil, João Bosco, João Donato e Joyce. Moacir Santos também contribuiu com sua voz em algumas faixas, adicionando um toque pessoal e emocionante às regravações de suas composições.

Músicas

O Ouro Negro apresenta uma seleção abrangente de composições de Moacir Santos, desde as famosas "Coisas" até outras peças instrumentais e canções vocalizadas. Entre as faixas que se destacam está "Coisa Nº 5 - Nanã", uma de suas melodias mais reconhecíveis. As letras das músicas, muitas delas com parceiros como Nei Lopes e Aldir Blanc, complementam a riqueza instrumental e exploram temas variados que refletem a brasilidade e a universalidade de sua obra. A genialidade composicional de Moacir Santos se manifesta na densidade e imaginação de suas obras. Ele era conhecido por utilizar conduções paralelas em passagens marcantes, movimentos sutis de notas para criar fluidez harmônica e por enfatizar a linha melódica principal, frequentemente executada por múltiplos instrumentos em diferentes registros, criando texturas aveludadas. Os encartes do álbum trazem comentários do próprio compositor sobre cada canção, oferecendo uma perspectiva única sobre o processo criativo.

Legado

O lançamento de Ouro Negro em 2001 causou grande repercussão na mídia e no público brasileiro, sendo fundamental para que o país redescobrisse Moacir Santos e sua vasta contribuição à música. O álbum não só conquistou aclamação crítica, sendo descrito como uma "retrospectiva cativante", mas também impulsionou uma nova onda de influência sobre instrumentistas, arranjadores e pesquisadores acadêmicos. O sucesso de Ouro Negro gerou diversos desdobramentos, incluindo o lançamento de um DVD com um show ao vivo da Banda Ouro Negro e o álbum Choros & Alegria em 2005, com composições inéditas de Santos da década de 1940. Além disso, impulsionou o relançamento em CD do icônico álbum Coisas. A afirmação de que Ouro Negro é considerado um dos 100 melhores discos da música brasileira reflete o reconhecimento duradouro de sua qualidade e importância cultural.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Arranjo, Saxofone Tenor

Moacir Santos

Composição

Aldir Blanc, Clovis Mello, Moacir Santos, Mário Telles, Nei Lopes, Regina Werneck

Baixo Acústico

Jorge Helder, Zeca Assumpção

Violão

Mario Adnet

Saxofone Barítono, Flauta

Teco Cardoso

Bass Trombone

Gilberto Oliveira

Clarinete, Saxofone Alto

Nailor Proveta Azevedo

Bateria

Jurim Moreira

Baixo Elétrico

Bororó

Flauta

Andréa Ernest Dias

Trompa

Philip Doyle

Guitarra

Ricardo Silveira

Teclados

Marcos Nimrichter

Percussão

Armando Marçal

Piano

Cristóvão Bastos

Saxofone Soprano

Zé Nogueira

Saxofone Tenor

Marcelo Martins

Trombone

Vittor Santos

Trompete, Flügelhorn

Jessé Sadoc

Vibrafone

Jota Moraes

Referências