Monarco

Monarco

1976

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Porque Merece Estar na Lista

O álbum Monarco, lançado em 1976, representa um marco fundamental na carreira de Hildemar Diniz, o Monarco, sendo seu primeiro trabalho solo e consolidando sua voz como um dos maiores baluartes do samba de raiz. Neste disco, o sambista da Portela apresenta sua essência com a elegância e a fidalguia que o caracterizam, trazendo à tona sambas de quadra que se tornariam símbolos do patrimônio cultural coletivo da escola e do samba carioca como um todo. Através de suas composições, Monarco oferece uma imersão na mais pura tradição do samba, com melodias refinadas e letras de notável qualidade poética. O álbum é um testemunho da riqueza e da profundidade do samba tradicional, servindo como uma ponte entre as gerações de sambistas e preservando a memória de uma das escolas de samba mais emblemáticas do Brasil.

Contexto

Antes do lançamento de seu álbum solo em 1976, Monarco já possuía uma trajetória respeitável no universo do samba. Nascido Hildemar Diniz em 1933, no Rio de Janeiro, ele ainda jovem, aos 17 anos, foi convidado a integrar a ala de compositores da Portela, sua paixão e reduto de grandes nomes do samba. Convivendo com figuras lendárias como Paulo da Portela e Manacéa, Monarco se tornou um mestre na arte dos sambas de quadra, embora seu primeiro grande destaque como compositor tenha vindo em 1973, quando Martinho da Vila gravou "Tudo Menos Amor", parceria com Walter Rosa. Sua carreira fonográfica solo teve início no rastro desse sucesso, abrindo as portas do mercado para sua voz e suas composições. Cinco anos antes, em 1970, Monarco já havia gravado o álbum "Portela Passado de Glória" ao lado da Velha Guarda da Portela, produzido por Paulinho da Viola.

Gravação

O álbum Monarco de 1976 foi lançado pela gravadora Continental. A produção do disco ficou a cargo de Romeo Nunes, enquanto os arranjos foram assinados por Zé Menezes. A gravação contou com um time de músicos de primeira linha, incluindo nomes como Wilson das Neves na bateria, Marçal, Luizão no contrabaixo, Abel Ferreira e Dino 7 Cordas, que contribuíram para a sonoridade autêntica e rica do samba de Monarco. Embora os músicos não fossem especificados por faixa na ficha técnica original, a presença de três cavaquinistas e dois violonistas indicava a densidade instrumental característica do samba de raiz.

Músicas

O álbum é composto por doze faixas, muitas delas assinadas pelo próprio Monarco, frequentemente em parceria com outros notáveis sambistas. Dentre as canções que se destacam, estão "O Quitandeiro", uma colaboração com Paulo da Portela, e "Lenço", parceria com Francisco Santana (Chico Santana), que se tornaram célebres no repertório do samba. Outras composições notáveis incluem "Ingratidão", com José Mauro, "Amor Verdadeiro", "Tudo Menos Amor" (com Walter Rosa), "Mangueira e Suas Glórias" e "Glórias do Samba", todas exemplificando sua capacidade de explorar temas emotivos e retratar personagens do cotidiano carioca através de melodias envolventes. A faixa "Desengano" é uma composição de Aniceto da Portela, e "Conselho" foi escrita em parceria com Manacéa. As letras do álbum refletem a poética do samba, abordando desenganos amorosos, a beleza do cotidiano e a exaltação das tradições das escolas de samba, com uma linguagem coloquial e profundamente ligada à cultura popular carioca.

Legado

O álbum Monarco, de 1976, marcou o início de uma discografia solo relevante para o artista, sendo reeditado em CD no ano 2000. A obra de Monarco, impulsionada por este lançamento, despertou interesse internacional, culminando no lançamento do CD "A Voz do Samba" no Japão em 1995, que lhe rendeu o Prêmio Sharp de melhor cantor de samba no Brasil. Canções do álbum, como "Lenço", foram regravadas por importantes nomes como Beth Carvalho, e "Tudo Menos Amor" foi popularizada por Martinho da Vila antes mesmo do disco solo, abrindo caminhos para Monarco no mercado fonográfico. Monarco tornou-se uma figura essencial na preservação do samba de raiz e na memória da Portela, com seu trabalho sendo reconhecido em diversas homenagens. Em 2008, a trajetória de Monarco e da Velha Guarda da Portela foi tema do documentário "Mistério do Samba", produzido por Marisa Monte, com Monarco tendo participação destacada. Sua influência se estende a diversos músicos, que o reverenciaram como um mestre, e ele continuou a lançar álbuns e projetos até seus últimos anos, solidificando um legado que transcende gerações.

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Referências

Livros