Mora na Filosofia dos Sambas de Monsueto
Monsueto
1962

Porque Merece Estar na Lista
Lançado em 1962, Mora na Filosofia dos Sambas de Monsueto é um marco na discografia de Monsueto Campos de Menezes, figura multifacetada e essencial do samba de morro. O álbum condensa a autenticidade e a profundidade poética que caracterizaram o trabalho do artista, apresentando um estilo que mescla a malandragem carioca com reflexões existenciais. É uma obra que ressoa a alma do samba genuíno, carregada de cadência e verdade, características que o tornam um registro indispensável para a compreensão da música popular brasileira. O disco é notável por trazer à tona a essência do samba popular, mantendo a rica tradição percussiva e a força dos coros das pastoras, com Monsueto atuando como o puxador. A sua importância reside na capacidade de Monsueto em traduzir o cotidiano, as alegrias e as dores do povo em canções que, apesar de sua aparente simplicidade, carregam uma profunda sabedoria e filosofia de vida. Este álbum é um convite para mergulhar na musicalidade vibrante e nas narrativas líricas de um dos grandes mestres do samba.
Contexto
Monsueto, nascido na Gávea e criado na favela Morro do Pinto, no Rio de Janeiro, teve uma trajetória artística diversa, atuando como baterista em diversas bandas nos anos 1940, incluindo a Orquestra de Copinha, no Copacabana Palace Hotel. Antes do lançamento deste álbum, muitas de suas composições já haviam sido gravadas por outros artistas no início da década de 1950, e ele próprio já fazia aparições em filmes e na televisão no final dos anos 50. O lançamento de Mora na Filosofia dos Sambas de Monsueto ocorreu em um Brasil que celebrava o bicampeonato mundial de futebol em 1962, um período efervescente e de transformações na cultura brasileira. No entanto, o país também vivia um momento de turbulência política, o que contrastava com a efervescência cultural e a busca por uma identidade nacional refletida na música.
Gravação
O álbum se destaca por priorizar uma sonoridade que busca emular a atmosfera de uma escola de samba dentro do estúdio. Monsueto deliberadamente afastou-se das orquestrações e arranjos mais alinhados à escola europeia, comuns na época, para incorporar uma formação mais orgânica. A gravação contou com a participação de treze ritmistas, além de cantos de pastorinhas, elementos que reforçaram a autenticidade e a essência do samba de raiz. O próprio Monsueto assumiu o papel de puxador, evidenciando seu domínio e conexão com a tradição do gênero.
Músicas
A faixa-título, "Mora na Filosofia", é uma das joias do álbum e da MPB, composta por Monsueto em parceria com Arnaldo Passos. A letra aborda de forma perspicaz a incompatibilidade entre o amor e a dor, questionando a necessidade de rimar esses sentimentos contraditórios. Outros sambas notáveis do disco incluem "Couro do Falecido", composta com Jorge de Castro, "Me Deixa Em Paz", parceria com Airton Amorim, e "A Fonte Secou", feita com Tufic Lauar e Marcléo. As letras de Monsueto frequentemente narram histórias do Rio de Janeiro, suas alegrias e lutas, com uma capacidade inesgotável de se reinventar, utilizando o samba como uma expressão máxima de uma ancestralidade que transforma o caos em esperança.
Legado
Apesar de sua relevância, a popularidade de Monsueto diminuiu por um tempo, mas ele foi "redescoberto" no final da década de 1960. Essa redescoberta foi impulsionada por Maria Bethânia, que gravou "Mora na Filosofia", e posteriormente por Caetano Veloso, que incluiu uma versão da mesma canção em seu álbum Transa, em 1972, com arranjos de Jards Macalé, consolidando-a como um dos mais belos sambas da história da música popular brasileira. Composições de Monsueto, como "Me Deixa Em Paz", também foram gravadas em álbuns lendários como Clube da Esquina de Milton Nascimento. O álbum Mora na Filosofia dos Sambas de Monsueto é considerado uma obra importante da MPB e figura em seleções de livros sobre discos relevantes da música brasileira.
Ranking nas Listas
Faixas
Créditos
Ismael Corrêa

