Lá Vem o Brasil Descendo a Ladeira
Moraes Moreira
1979

Porque Merece Estar na Lista
Lá Vem o Brasil Descendo a Ladeira (1979) é uma obra fundamental na discografia solo de Moraes Moreira, celebrada por sua capacidade de sintetizar a riqueza da música brasileira com influências contemporâneas. O álbum se destaca por ampliar o som elétrico característico do artista, integrando ritmos como samba, xote e frevo a elementos do rock e reggae, mas sem perder a essência profundamente nacional. O disco, em sua essência, é uma exaltação vibrante da cultura e do povo brasileiro. A canção título, por exemplo, traduz uma visão afirmativa e cheia de energia, inspirada na graça e força da mulher brasileira, transformando uma cena cotidiana em um símbolo de vitalidade e resistência. Moraes Moreira deixa claro que a intenção era celebrar, e não criticar, a capacidade do brasileiro de superar desafios. Com uma sonoridade que mescla a espontaneidade do carnaval com arranjos sofisticados, o álbum apresenta o ijexá de uma forma mais estilizada e acessível, demonstrando a maestria de Moraes em inovar dentro da tradição. É um trabalho que representa a genialidade do artista em criar uma música ao mesmo tempo popular e de alta qualidade artística.
Contexto
Antes de lançar Lá Vem o Brasil Descendo a Ladeira, Moraes Moreira já havia estabelecido uma carreira sólida como membro fundador e principal compositor dos Novos Baianos, grupo que marcou a música brasileira entre 1969 e 1975. Após sua saída, ele iniciou uma prolífica carreira solo em 1975, lançando álbuns como *Moraes Moreira* (1975), *Cara e Coração* (1977) e *Alto Falante* (1978). Nesse período solo, Moraes já havia alcançado sucesso nacional com a canção "Pombo Correio", presente em *Cara e Coração*, que integrou a trilha sonora de uma novela da TV Globo, alavancando sua visibilidade. Ele também foi pioneiro ao se tornar o primeiro cantor de trio elétrico do Brasil, consolidando sua forte ligação com o carnaval.
Gravação
O álbum Lá Vem o Brasil Descendo a Ladeira foi gravado em 1979 nos estúdios SIGLA da gravadora Som Livre, localizados no Rio de Janeiro. A produção foi cuidadosamente conduzida por Guto Graça Mello. Moraes Moreira contou com um elenco de músicos talentosos, incluindo ex-companheiros dos Novos Baianos como Pepeu Gomes na guitarra, Dadi Carvalho no baixo (que na época já integrava a banda A Cor do Som), Jorginho Gomes na bateria, e os percussionistas Charles Chalita e Baixinho. O álbum também teve participações especiais de Oswaldinho do Acordeon e da própria banda A Cor do Som, com arranjos e regência de Moraes, Pepeu Gomes e Armandinho.
Músicas
As canções do álbum são um retrato vívido da diversidade musical de Moraes Moreira. A faixa título, "Lá Vem o Brasil Descendo a Ladeira", composta com Pepeu Gomes, nasceu de uma observação de João Gilberto sobre a graça de uma mulher descendo uma ladeira no Rio, que o inspirou a adicionar um acorde à melodia. A letra celebra a vitalidade, o gingado e a força da mulher brasileira e do povo como um todo, com versos icônicos como "Quem desce do morro / Não morre no asfalto". Outros destaques incluem "Chão da Praça", um dos maiores sucessos do disco, coescrita com o poeta e letrista cearense Fausto Nilo, que também assina "Coração Nativo" (com Armandinho) e "Som Moleque". "Pelas Capitais" é uma parceria com Jorge Mautner. O álbum ainda apresenta faixas como "Eu Sou O Carnaval" (com Antônio Rizério), "O Prometeu" (com Antônio Cícero), a instrumental "Frevo Dobrado Nº 3" e "Dodô no Céu Osmar na Terra (Passo Double Carnaval)", uma homenagem a um dos criadores do trio elétrico. Canções como "Paxorô" e "Axé do Gandhi", esta última com Pepeu Gomes, introduzem o clima do ijexá dos afoxés de Salvador.
Legado
Lá Vem o Brasil Descendo a Ladeira é amplamente considerado por muitos críticos como o melhor álbum da carreira solo de Moraes Moreira, marcando um divisor de águas em sua trajetória. Sua sonoridade eletrizante e a introdução de ritmos afro-brasileiros de forma estilizada o colocam como um precursor, antecipando o som que viria a ser conhecido como axé music na década de 1980. O sucesso do álbum solidificou a posição de Moraes Moreira como um compositor requisitado na MPB, e a canção título se tornou um de seus maiores êxitos. Músicas como "Eu Sou O Carnaval", "Chão da Praça", "Pelas Capitais" e "Assim Pintou Moçambique" foram amplamente executadas nas rádios da época. Moraes Moreira é reconhecido como um dos nomes mais importantes da música brasileira, e em 2012, a revista Rolling Stone Brasil o elegeu como o 57º maior artista da música nacional, atestando a relevância duradoura de sua obra, incluindo este disco de excelente qualidade técnica e artística.
Ranking nas Listas
Faixas
Créditos
Sergio Mello
Guto Graça Mello
Aderi Costa

