Samba Esquema Noise

Mundo Livre S/A

1994

Capa de Samba Esquema Noise
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

Samba Esquema Noise, o disco de estreia da banda Mundo Livre S/A, lançado em 1994, é uma obra-prima que redefiniu sonoridades na música brasileira. Com seu título fazendo referência ao clássico Samba Esquema Novo de Jorge Ben, o álbum propõe uma fusão audaciosa de samba, rock, punk e ritmos regionais, criando uma identidade sonora inovadora. Considerado por alguns críticos como a tradução sonora dos anos 90, este trabalho inaugural destaca-se pela sua originalidade e pela capacidade de transitar por diferentes universos musicais, consolidando uma estética particular que marcaria a cena cultural da época.

#69

Armados do manifesto “Caranguejos com Cérebro”, os mangueboys invadiram o Sudeste e, em seguida, o resto do mundo com letras inteligentes e a mistura de eletrônica, maracatu, rock e samba.

Leonardo Dias Pereira · Rolling Stone Brasil

Leia mais

Contexto

Apesar de ter dez anos de formação, a banda Mundo Livre S/A fez sua aguardada estreia fonográfica apenas em 1994. Samba Esquema Noise foi o segundo lançamento do selo Banguela Records, uma iniciativa dos Titãs em parceria com o jornalista e produtor Carlos Eduardo Miranda e a Warner, sucedendo o disco de estreia dos Raimundos.

Gravação

Samba Esquema Noise foi uma produção ambiciosa, que inclusive estourou o prazo de gravação e o orçamento inicial, estimado em mais de 40 mil dólares. O álbum foi gravado e mixado por Beto Machado (Bob Mac) nos estúdios Be Bop, em São Paulo, entre maio e julho de 1994, utilizando um sistema analógico de 24 canais e totalizando 660 horas de estúdio. Além da produção arrojada, o disco contou com inúmeras participações especiais, distribuídas em muitas de suas treze faixas. Entre os convidados, estiveram amigos e percussionistas da Nação Zumbi, Nasi (vocalista do Ira!, na faixa “Homero, o Junkie”), a atriz Malu Mader (em “Musa da Ilha Grande”) e Naná Vasconcelos em “Rios (Smart Drugs), Pontes e Overdrives”. A efervescência criativa era tanta que qualquer pessoa que visitava o estúdio de gravação se oferecia para deixar sua contribuição, culminando em arranjos finais elaborados por Charles Gavin e Carlos Eduardo Miranda.

Músicas

As treze faixas do álbum, compostas predominantemente por Fred Zero Quatro, demonstram uma riqueza lírica e composicional, integrando de forma coesa as diversas influências sonoras da banda. As canções se beneficiaram das participações especiais, que adicionaram camadas e texturas únicas à sonoridade do disco. A faixa “Sob o Calçamento (Se Espumar é Gente)” é um exemplo notável dessa colaboração intensa, contando com as participações de Gilmar Bola 8, Toca, Gira, Canhoto e Dengue (Nação Zumbi), Paulo Miklos, Nando Reis e Charles Gavin (Titãs), além de outros músicos e o produtor Apolo 9. Esta canção ainda inclui uma gravação não creditada da “Oração A João Pessoa”, editada por Alex Antunes, conferindo uma profundidade histórica e cultural à música.

As letras minúsculas com as quais se escreve o nome da banda liderada por Fred “04” Montenegro, co-signatário do 1º Manifesto do Movimento Mangue Bit, não escondem a ambição maiúscula da moçada de Pernambuco: revolucionar a música nordestina a partir da própria tradição.

Arthur Dapieve · 300 Discos Importantes

Legado

Samba Esquema Noise foi amplamente aclamado pela crítica, sendo considerado um dos melhores álbuns da década de 1990 pela revista ShowBizz e um dos grandes discos da música brasileira pela Rolling Stone Brasil. O jornal Folha de S.Paulo, em crítica positiva, o apontou como candidato a melhor CD de música brasileira do ano, afirmando que a “Geração 90 já tem seu grande disco”. Apesar da recepção crítica positiva, as vendas iniciais do CD foram baixas, levando o disco a sair de catálogo rapidamente. Contudo, sua importância foi reconhecida ao longo do tempo, com relançamentos em 2001 (na série Arquivos Warner), 2004 (na caixa Bit), 2014 (em vinil amarelo com 10 faixas) e 2024 (em vinil com todas as faixas pela Noize Records). O álbum também figura na 69ª posição da lista dos 100 melhores discos da música brasileira e na 122ª posição em uma enquete com 162 especialistas musicais conduzida pelo podcast Discoteca Básica.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Direção Artística

Carlos Eduardo Miranda, Titãs

Produção Executiva

Lara Pinheiro

Produção Executiva [Executive Assistant]

Marcilene Marcondes Paim, Renata Maia

Produção, Mixagem

Carlos Eduardo Miranda, Charles Gavin

Vocais, Guitarra, Cavaquinho, Bendir, Acoustic Guitar [Violão], Guitar [Guitarra Processada/ Guitarra Noise], Vocais de Apoio, Mixagem

Fred Zero Quatro

Baixo

Fábio Goró

Bongôs, Cowbell, Pandeiro, Ganzá, Surdo, Tamborim, Congas

Otto

Bateria

Chefe Tony

Órgão, Piano, Synth [Mini-Moog], Teclados

Bactéria

Engenheiro de Som, Mixagem

Ana Lucia Carvalho E Silva Faria, Beto Machado

Masterização

Ricardo Garcia

Design

Renato Yada

Fotografia

Rui Mendes

Referências

Livros