O Canto Livre de Nara
Nara Leão
1965

Porque Merece Estar na Lista
O Canto Livre de Nara, lançado em maio de 1965, é um álbum seminal que marca uma ruptura significativa na trajetória artística de Nara Leão e na própria Música Popular Brasileira. Anteriormente conhecida como a "musa da Bossa Nova", Nara transiciona neste trabalho para uma voz mais engajada e contestadora, consolidando-se como uma das pioneiras da "canção de protesto" no Brasil. Este disco transcende o estilo suave da Bossa Nova, explorando uma diversidade estilística criativa e arranjos jazzísticos com toques de cabaré, resultando em uma obra ao mesmo tempo temperamental e encantadora. A artista demonstra uma liberdade vocal e interpretativa que se alinha com as novas perspectivas poéticas e políticas da época.
Contexto
O álbum foi lançado em um período turbulento da história brasileira, cerca de um ano após o golpe militar de 1964, que instaurou uma ditadura de 21 anos no país. A situação política era de crescente repressão e censura, com o regime militar impondo medidas autoritárias e realizando perseguições. Nara Leão, que antes personificava o ideal da Bossa Nova, começou a desenvolver uma consciência política mais acentuada. Ela passou a dar voz a compositores de samba de morro e a se posicionar abertamente contra o hipernacionalismo e o regime militar, uma atitude que se refletiria em sua obra e performance, como no emblemático show "Opinião".
Gravação
O Canto Livre de Nara foi produzido por Dorival Caymmi Filho e lançado pela gravadora Philips em maio de 1965. A direção musical e o piano ficaram a cargo de Luiz Eça, membro do Tamba Trio, que contribuiu com arranjos multifacetados que se harmonizavam perfeitamente com a capacidade vocal de Nara. Acompanharam Nara Leão na gravação Dori Caymmi no violão, Bebeto Castilho no baixo e flauta, e Rubens Ohana na bateria. O encarte do álbum contou com um texto escrito pelo renomado poeta Ferreira Gullar.
Músicas
As canções do álbum se destacam pela diversidade e pelo caráter engajado. Faixas como "Corisco" e a própria "Canto Livre" transmitem uma sensação de libertação. "Suite dos Pescadores", uma composição de Dori Caymmi com cerca de seis minutos e múltiplos movimentos, representou uma ousadia inovadora para a música brasileira de 1965, fundindo perfeitamente a produção com a voz de Nara. Em "Carcará", a voz de Nara Leão expressa uma raiva e um distanciamento da doçura bossa-novista, assumindo um tom de protesto. O álbum também inclui a oração de "Aleluia" (de Edu Lobo) e a alegria inocente de "Malvadeza Durão", além de interpretações de sambas de morro de Zé Keti, Nelson Cavaquinho e Cartola, e novas composições de Carlos Lyra e Edu Lobo.
Legado
O Canto Livre de Nara é amplamente reconhecido como um divisor de águas na carreira de Nara Leão e na MPB, estabelecendo as bases para a "canção de protesto" e abrindo caminho para uma nova geração de talentos. Nara Leão, através deste álbum e de suas posições, confrontou a ditadura militar e quebrou preconceitos, o que é frequentemente destacado em documentários e análises de sua obra. O álbum é considerado um trabalho "fenomenal do início ao fim" e "deslumbrante", recebendo uma média de 4.58 de 5 estrelas em plataformas como o Discogs, baseada em diversas avaliações. Sua importância é tal que o álbum tem sido relançado em várias edições, incluindo reedições em CD no Japão.
Ranking nas Listas
Faixas
Créditos
Armando Pittigliani
Nara Leão
Ohana
Bebeto Castilho
Dori Caymmi
Luiz Eça
Peter E Seu Naipe De Cordas
Sylvio Rabello
Célio Martins
Jânio De Freitas
Ferreira Gullar