Eis o Ôme

Noriel Vilela

1969

Capa de Eis o Ôme
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

Eis o Ôme, lançado em 1969, é o único álbum solo do cantor Noriel Vilela e se destaca como uma obra singular na música brasileira, apresentando um estilo que mescla samba, samba-rock e elementos da "black music" internacional, como o soul. Com sua voz grave e marcante de baixo profundo, Noriel Vilela criou um som vibrante e dançante, que foge do convencional e mergulha em uma sonoridade eletrizante e cheia de balanço. O álbum é uma explosão ininterrupta de ritmos animados, combinando de forma engenhosa a batida do samba com a energia do rock e a profundidade de arranjos que incluem órgão, bateria, metais, sopros e guitarra elétrica. "Eis o Ôme" é considerado por muitos como um disco subestimado e uma verdadeira "relíquia" da MPB, merecendo atenção por sua originalidade e pela forma como Noriel Vilela explorou sua identidade musical.

Contexto

Em 1969, o Brasil vivia sob a intensidade da ditadura militar, um período marcado por grande repressão política, censura e a promulgação do Ato Institucional Nº 5 (AI-5), que concedia poderes ditatoriais ao presidente e suspendia garantias constitucionais. Neste cenário de turbulência, a arte frequentemente se manifestava de maneira indireta, e a música popular, como o samba-rock, emergia como uma forma de expressão cultural que, mesmo sem oposição direta, carregava em sua essência a energia e a resiliência do povo brasileiro. Antes de "Eis o Ôme", Noriel Vilela construiu sua carreira vocal como parte do grupo Nilo Amaro e Seus Cantores de Ébano nos anos 60, onde sua voz de baixo profundo já se destacava. Sua origem humilde, tendo trabalhado como torneiro mecânico antes de dedicar-se integralmente à música, adiciona uma camada de autenticidade à sua trajetória artística e à sua expressão musical.

Gravação

O álbum Eis o Ôme foi lançado em 1969 pela gravadora Copacabana. Os arranjos musicais que enriqueceram a sonoridade única do disco foram concebidos e executados pelo Maestro Carioca. A instrumentação do álbum é notável por sua "funky sixties organ", bateria, metais, sopros e a presença ocasional de guitarra elétrica, além de um barítono saxofone e clarinete baixo que complementavam a voz grave de Noriel Vilela.

Músicas

As doze faixas de Eis o Ôme são um mergulho em temas profundamente enraizados na religiosidade de matriz africana, especialmente a Umbanda. Canções como "Promessado", "Saravando Xangô", "Meu caboclo não deixa", "Acredito sim" e "Pra Iemanjá levar" são repletas de referências a orixás como Xangô e Iemanjá, e suas letras trazem orações devocionais e a mística dos terreiros. A faixa-título, "Só o Ôme" (também conhecida como "Eis o Ôme"), destaca-se por sua atmosfera de mistério, com alusões a encruzilhadas e rituais. Embora o maior sucesso comercial do álbum tenha sido "16 Toneladas", uma versão em português do clássico norte-americano "Sixteen Tons" de Merle Travis e Ernie Ford, algumas análises sugerem que as outras faixas do disco, com sua forte identidade e profundidade temática, são as verdadeiras joias da obra.

Legado

Eis o Ôme é o único álbum de estúdio solo de Noriel Vilela, o que o torna uma peça central em sua discografia. O disco obteve sucesso comercial significativo na época, recebendo dois discos de ouro e vendendo aproximadamente 200.000 cópias. A canção "16 Toneladas" se tornou o maior sucesso do cantor e continua sendo lembrada, tendo desfrutado de um "cult revival" entre os fãs de sambalanço, sendo regravada e utilizada em comerciais anos depois de seu lançamento original. Apesar de sua importância e do reconhecimento de seu sucesso pela crítica e pelo público da época, o álbum é considerado por alguns como subestimado, ressaltando o valor duradouro de suas faixas e sua contribuição para a fusão de gêneros musicais no Brasil.

Ranking nas Listas

Faixas

Referências

Livros