Acabou Chorare
Novos Baianos
1972

Ranking nas Listas
Por Que Esse Disco é Importante
Acabou Chorare, o segundo álbum de estúdio dos Novos Baianos lançado em 1972, é um marco fundamental da contracultura brasileira nos anos 1970, surgindo em um período de forte influência internacional no Brasil e em face à ditadura civil-militar. O disco é uma obra de notável versatilidade, fundindo a expressividade da guitarra de Jimi Hendrix com a brasilidade de Assis Valente e a marcante influência de João Gilberto, que atuou como mentor do grupo. A proposta central do álbum é criticar a melancolia que dominava a música popular brasileira da época, injetando alegria, prazer e jocosidade. A beleza sonora do trabalho reside na fusão de instrumentos como cavaquinhos e violões, típicos do choro e do samba, com guitarras elétricas, tudo permeado pelo toque bossa-novista de João Gilberto. O título do disco e a faixa homônima refletem essa intenção, inspirados em uma história sobre a filha de Gilberto, Bebel, e sua forma infantil de expressar o fim do choro.
Obra-prima dos Novos Baianos, Acabou Chorare nasceu do choque entre o grupo e João Gilberto.
Marcus Preto · Rolling Stone Brasil
Contexto
Antes de Acabou Chorare, os Novos Baianos, formados por Pepeu Gomes, Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão, Baby Consuelo e Moraes Moreira, já haviam lançado É Ferro na Boneca (1970), um trabalho que, apesar do sucesso relativo, ainda buscava uma identidade. Após tocarem juntos em Salvador em 1969, o grupo se mudou para o Rio de Janeiro em 1971, onde o comportamento hippie e "cabeludo" da banda os levou a buscar um lugar mais discreto e natural, longe do centro da cidade. A trajetória do grupo os levou a um sítio na estrada para Jacarepaguá, o Cantinho/Sítio do Vovô, adotando um estilo de vida comunitário hippie. Neste cenário, buscando proteção musical, Galvão contatou João Gilberto, que se tornaria mentor e principal influência, reaproximando o grupo das raízes musicais da Bahia e do Brasil. As frequentes visitas de Gilberto, que também era fã de Tropicália, choro, afoxé, trio elétrico e Jimi Hendrix, foram cruciais para a nova direção sonora dos Novos Baianos, que passaram a incorporar o "samba de verdade" de Assis Valente.
Gravação
O álbum Acabou Chorare foi concebido e gravado em meio ao estilo de vida comunitário do Sítio do Vovô, em Jacarepaguá, onde toda a banda vivia com amigos e parentes. A rotina do grupo era marcada por composições, ensaios e exercícios diários, criando um ambiente de "caos" alegre que, segundo Moraes Moreira, influenciava diretamente a música. A capa do disco, uma mesa com pratos e utensílios desarrumados, simboliza essa mistura musical e o espírito coletivo do grupo, tendo recebido o prêmio de melhor produção gráfica do ano em 1972, com arte assinada por Antônio Luis Martins, o Lula. O processo de elaboração da linguagem musical do disco durou dois anos, com João Gilberto fornecendo sugestões e toques. A vida no sítio era o próprio ensaio, resultando em um álbum que, de tão praticado no dia a dia, soava como se fosse "debaixo do dedo", gravado em quatro canais. O técnico de som Paulo César Salomão, que morava no sítio, foi fundamental na produção: sem recursos para novas peças de guitarra, ele aprimorou o som do instrumento de Pepeu Gomes, entalhando-o e acoplando capacitores de uma televisão da família. Esse "truque do televisor" foi notável na "abelhuda estridência" da faixa "Bilhete Para Didi" e no solo de "Mistério do Planeta". Salomão também transformou o galinheiro do sítio em estúdio, instalando amplificadores e caixas de som nos galhos das árvores, onde o grupo, que prezava a música como um assunto sério apesar dos comportamentos exóticos e uso de drogas, alcançava uma afinação impecável em sua mistura de acústico e elétrico. Após gravações precárias pela Polygram, a Som Livre, de João Araújo, que futuramente seria conhecido como pai de Cazuza, bancou a produção de Acabou Chorare no Sítio do Vovô, impulsionando a carreira dos Novos Baianos.
Músicas
As canções de Acabou Chorare refletem a síntese sonora e ideológica do álbum, com Moraes Moreira e Pepeu Gomes atuando como arranjadores. A faixa de abertura, "Brasil Pandeiro", foi sugerida por João Gilberto, sendo um samba de Assis Valente que, originalmente, Carmen Miranda havia recusado. O título do álbum e da faixa homônima foram inspirados em uma conversa de Gilberto sobre sua filha, Bebel, que, ainda criança no México, dizia "acabou chorare" para se consolar, simbolizando a proposta do disco de trazer alegria à MPB. "Preta Pretinha" rapidamente se tornou um sucesso nacional, enquanto "Besta é Tu" e "Tinindo Trincando" dominaram as rádios do país. "Tinindo Trincando" é apontada como um belo exemplo da fusão de baião com rock psicodélico, uma marca registrada do grupo. A "abelhuda estridência" de "Bilhete Para Didi" e o solo de "Mistério do Planeta" são momentos de destaque que ilustram as inovações sonoras do álbum, como o "truque do televisor" aplicado na guitarra de Pepeu Gomes, que também se destacou tocando craviola.

Seguindo uma antiga rota de migração artística, o grupo Novos Baianos mudou-se para o Rio de Janeiro em 1971, se assentando numa lendária cobertura da Rua Conde de Irajá, em Botafogo. Por ela, passaram conterrâneos mais velhos, como João Gilberto, Glauber Rocha e Caetano Veloso.
Arthur Dapieve · 300 Discos Importantes
Legado
Mais de cinco décadas após seu lançamento, Acabou Chorare mantém seu status como um dos mais importantes e influentes álbuns da música popular brasileira. Sua fama é acompanhada por um amplo reconhecimento crítico. O impacto do disco é evidente na nova geração de músicos, especialmente cantoras como Vanessa da Mata, Marisa Monte, Céu, Roberta Sá e Mariana Aydar, que beberam de sua fonte criativa. Em 2007, a revista Rolling Stone Brasil, em sua eleição dos 100 maiores discos da música brasileira, colocou Acabou Chorare em primeiro lugar, consagrando-o como uma obra-prima por estudiosos, produtores e jornalistas.
Faixas
Créditos
João Araujo
Moraes Moreira, Pepeu Gomes
Eustáquio Sena
Baby Consuelo, Moraes Moreira, Paulinho Boca De Cantor
Pepeu Gomes
Moraes Moreira
Baby Consuelo
Dadi
Dadi
Luís Bolacha
Jorginho Gomes
Baixinho
Baixinho, Jorginho Gomes
Pepeu Gomes
Paulinho Boca De Cantor
Joel Cocchiararo
Antonio Luiz
Podcasts
Discoteca Básica Podcast · Parasol Storytelling
A HORA DESSA GENTE BRONZEADA MOSTRAR SEU VALOR. Juntando música brasileira com a música universal, melodia e contracultura, os Novos Baianos fizeram o segundo maior álbum brasileiro da história, segundo a eleição promovida pelo “Discoteca Básica”. Convidado do episódio: Nando Reis. Assinante do Clube Discoteca Básica tem conteúdo exclusivo. Nesta semana, preparamos um especial a respeito do incr
Adega Musical · Andre Valdez
ENTRE CONFETES E SERPENTINAS HOJE É DIA DE REVISITAR E CELEBRAR A OBRA DOS VELHOS NOVOS BAIANOS"Minha carne é de carmaval, meu coração é igual..."O programa de hoje, literalmente e musicalmente falando, traz à baila "Acabou Chorare", um dos mais icônicos LP's da música popular brasileira. Considerado pela crítica especializada como um dos mais importantes e influentes trabalhos da indústria fonogr
Brazuca Sounds · Leandro Vignoli
In episode #34 we continue our series celebrating albums released 50 years ago with the masterpiece "Acabou Chorare", released by Novos Baianos in September 1972. The album was listed as the best Brazilian album of all time by Rolling Stone magazine published in 2007. Inspired by several meetings with Joao Gilberto in the group's communal house outside Rio, the album focused on their Brazilian roo
Roda de conversa sobre os melhores discos que completam 50 anos em novembro de 2022. Participação de Daniel Rezende e Lúcio Brancato. Produção e apresentação de Eduardo Osorio. Entre para o nosso clube: https://benfeitoria.com/projeto/clubedomusicatessen 10 MELHORES DISCOS DE NOVEMBRO DE 1972 1º) Acabou Chorare (Novos Baianos) 2º) Transformer (Lou Reed) 3º) Can’t Buy A Thrill (Steely Dan) 4º
PodCália · Gigola
Se a tarefa fosse escolher um disco que representa a música brasileira para colocar em uma capsula e lançar no espaço, não seriam poucas as pessoas que escolheriam o Acabou Chorare. É uma obra que define a MPB, pois bebe na água do tropicalismo, da bossa nova, do samba, do choro e muito mais. É uma mistura de tudo que é diferente, ao mesmo tempo que soa diferente de tudo. Nesse episódio, Pepeu "Gi
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"Acabou chorare" - Novos Baianos | Os melhores discos da MPB nos anos 70 | Alta Fidelidade
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OS 50 ANOS DE ACABOU CHORARE DOS NOVOS BAIANOS | ALBUM REVIEW
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[ELEITA REVISTA ROLLING STONES] Novos Baianos Acabou Chorare melhor disco MPB
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ACABOU CHORARE (1972) / História do disco
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Novos Baianos | Review do álbum Acabou Chorare (50 Anos) | Pitadas do Sal | Podcast Musical
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ACABOU CHORARE (1972) | Melhor DISCO da MÚSICA BRASILEIRA - HOMENAGEM a MORAES MOREIRA
A MÚSICA, O FILME E O LIVRO
Filmes

Acabou Chorare Novos Baianos se Encontram
2017
Os Novos Baianos estão juntos novamente e trazem novidades para os fãs. Após o sucesso nos anos 70, quando viveram seu auge e eternizaram canções na história da música brasileira, Baby do Brasil, Moraes Moreira, Pepeu Gomes, Paulinho Boca de Cantor e Luiz Galvão estão de volta com o projeto “Acabou Chorare – Novos Baianos se Encontram”. O novo trabalho reúne em versão ao vivo, clássicos do histórico álbum de 1972, eleito em 2007 pela Rolling Stone o maior disco da música brasileira de todos os tempos - e outros sucessos da carreira e da MPB. Gravado no Rio de Janeiro em março de 2017, o show tem direção de Andrucha Waddington e Mini Kerti, com produção da Conspiração Filmes, e direção fotográfica de Fernando Young.

Filhos de João, O Admirável Mundo Novo Baiano
2011
A trajetória dos Novos Baianos, grupo encabeçado por Pepeu Gomes, Baby do Brasil, Moraes Moreira, Luiz Galvão e Paulinho Boca de Cantor. Nos anos 1970, a banda ganhou um padrinho famoso e influente: João Gilberto.

Nem Tudo é Paz e Amor
2026
Os filhos da contracultura refletem sobre a criação dada por seus pais. Psicodelia, drogas, sexo e resistência contra a ditadura se misturam com fraldas, papinhas e trabalhos escolares. A partir de um ponto de vista privilegiado, eles observaram a beleza, as rupturas e as contradições de uma liberdade sem fim. Dirigido por Betão Aguiar, filho do Novo Baiano Paulinho Boca de Cantor, o filme evoca o espírito da época, e pergunta: quanta coragem é necessária para atravessar os traumas e as maravilhas de crescer no caos das revoluções artísticas e comportamentais da contracultura?

Novos Baianos F.C.
1973
Novos Baianos F.C.: Dirigido por Solano Ribeiro. Com Paulinho Boca de Cantor, Baby do Brasil, Luiz Galvão, Pepeu Gomes. Após lançarem o clássico "Acabou Chorare", os Novos Baianos passam a viver ju...
Livros

Os 500 Maiores Álbuns Brasileiros de Todos os Tempos
Ricardo Alexandre · 2022
A maior eleição de música brasileira já feita: 162 especialistas, entre jornalistas, críticos, músicos, produtores e podcasters, indicaram, cada um, 50 discos essenciais, apoiados por uma masterlist de mais de 2.000 obras. Encabeçada por Ricardo Alexandre, com tabulação de Sérgio Jomori, foi publicada em dezembro de 2022 em um livro de 200 páginas em capa dura, com projeto gráfico de Fernando Pires.
Acabou chorare
Marcio Gaspar · 2020
Este livro tem o mesmo título do álbum e oferece uma análise profunda sobre sua criação. Descreve como, em 1972, os Novos Baianos criaram no Rio (entre o apartamento da Conde de Irajá e o Sítio do Vovô) um disco que se tornaria um marco, estabelecendo a Bahia como um centro de modernidade musical para o Brasil e o mundo. É um estudo direto e detalhado sobre o álbum.

A Visita de João Gilberto aos Novos Baianos
Sérgio Rodrigues · 2019
Neste livro de contos, Sérgio Rodrigues explora o universo da MPB, incluindo um conto que retrata um 'encontro mitológico' entre João Gilberto e os Novos Baianos. Dado o conhecido impacto de João Gilberto na sonoridade e na concepção do álbum 'Acabou Chorare', este livro oferece um contexto cultural e criativo diretamente relevante para o estudo do álbum.

300 Discos Importantes da Música Brasileira
Charles Gavin, Tárik de Souza, Carlos Calado, Arthur Dapieve · 2008
Idealizado pelo baterista dos Titãs e pesquisador musical Charles Gavin, o livro de 434 páginas reúne capas e resenhas de discos lançados entre 1929 e 2007. Os textos ficaram a cargo dos jornalistas Tárik de Souza, Arthur Dapieve e Carlos Calado.
A história dos Novos Baianos e outros versos
Moraes Moreira · 2007
Escrito por Moraes Moreira, membro fundador dos Novos Baianos, a primeira parte deste livro narra a história da banda em versos, no estilo de cordel. A segunda parte apresenta letras de canções de Moraes Moreira com comentários. Sendo uma obra de um integrante chave da banda, é uma fonte primária e essencial para compreender a trajetória dos Novos Baianos e, consequentemente, o contexto de criação de seu álbum mais icônico, 'Acabou Chorare'.
Análises
Acabou Chorare – Wikipedia
Wikipédia, a enciclopédia livre
Acabou Chorare – Os 100 Maiores Discos da Música Brasileira
Marcus Preto · Rolling Stone Brasil
Obra-prima dos Novos Baianos, Acabou Chorare nasceu do choque entre o grupo e João Gilberto.
Acabou Chorare (1972) Novos Baianos - by Luciano Siqueira
meusdozemais.substack.com
O segundo álbum dos Novos Baianos, Acabou chorare, lançado em 1972, é uma obra que dispensa apresentações. Ele figura no topo de praticamente todas as listas dos maiores discos da música brasileira, e não é por acaso.
Obra-prima do grupo Novos Baianos, álbum 'Acabou chorare' faz 50 ... - G1
g1.globo.com
Assim como o frescor do disco, o poder de sedução do repertório lapidar de Acabou chorare em 2022 é o mesmo de 1972.
Acabou Chorare, dos Novos Baianos: o maior disco brasileiro de todos os ...
rollingstone.com.br
E o fato de elas terem ajudado Acabou Chorare a conquistar pela primeira vez o topo de uma lista dos melhores discos brasileiros de todos os tempos só serve para confirmar isso.