66

O Terno

2012

Capa de 66
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

Lançado em 2012, 66 marca a estreia fulgurante da banda paulistana O Terno, apresentando ao público um som que, de imediato, se destacou pela sua originalidade e sagacidade. O álbum estabeleceu as bases para o estilo distintivo do trio, caracterizado por uma fusão inteligente de influências do rock dos anos 1960, do rock psicodélico e elementos da MPB, criando uma sonoridade ao mesmo tempo nostálgica e inovadora. Composto por dez faixas, o disco revelou a verve lírica e instrumental da banda, com Martim Bernardes, Guilherme D'Almeida e Victor Chaves explorando arranjos sofisticados e letras permeadas de ironia e humor. O trabalho foi um cartão de visitas que ressoou pela sua capacidade de revisitar sonoridades clássicas com uma abordagem contemporânea, abordando dilemas criativos e fazendo uma crítica bem-humorada à indústria cultural.

Contexto

Formado em 2009, o power-trio O Terno começou sua trajetória em São Paulo, inicialmente ganhando notoriedade com covers de bandas icônicas como Os Mutantes, The Beatles e The Kinks. Essa fase de experimentação e assimilação de influências clássicas pavimentou o caminho para o desenvolvimento de um repertório autoral robusto e singular. Em 2012, com o lançamento de 66, a banda emergiu como uma das vozes proeminentes da cena independente brasileira do início da década, destacando-se pela maturidade de sua proposta musical e lírica, que já demonstrava o potencial de Tim Bernardes como um dos grandes compositores da sua geração.

Gravação

O álbum 66 foi gravado em 2011 e lançado de forma independente em 2012, inicialmente em CD e para download gratuito na internet. Em 2014, o disco também ganhou uma versão em LP. A ficha técnica do álbum revela a formação clássica do trio: Martim Bernardes na guitarra e voz, Guilherme D'Almeida no baixo e Victor Chaves na bateria. O disco contou ainda com participações especiais notáveis, como Maurício Pereira na voz e sax tenor em faixas do Lado B, Dino Vicente no Minimoog em "Enterrei Vivo" e Marcelo Jeneci no Hammond em "66" e "Zé, Assassino Compulsivo", contribuindo para a riqueza sonora do trabalho.

Músicas

O Terno estruturou 66 em dois lados distintos, cada um com sua particularidade e encanto. O Lado A é composto por cinco faixas autorais, majoritariamente assinadas por Martim Bernardes, que exploram temas como melancolias joviais em "Enterrei Vivo", personagens marcantes em "Zé, Assassino Compulsivo" e reflexões existenciais em "Morto". A faixa-título "66" se destaca pela ironia nos versos, que questionam os dilemas da originalidade na música contemporânea e a recepção da indústria cultural. O Lado B, por sua vez, presta uma homenagem criativa ao trabalho de Maurício Pereira e sua banda Os Mulheres Negras, com cinco versões interpretadas pelo O Terno e pelo próprio Maurício Pereira. Canções como "Modão de Pinheiros" incorporam elementos de gêneros regionais, lembrando a lírica de Tom Zé, enquanto "Tudo por Ti" apresenta uma sonoridade com toques de Ska. Essa divisão demonstra a capacidade da banda de conciliar sua identidade autoral com a reinterpretação de obras que formam sua base de influência.

Legado

66 foi recebido com entusiasmo pela crítica musical e pelo público, consolidando-se como um dos discos mais inventivos e memoráveis lançados no Brasil em 2012. O jornal O Globo classificou-o como "um dos mais impressionantes discos de estreia de uma banda brasileira", enquanto a revista Rolling Stone Brasil o incluiu entre os 25 melhores álbuns brasileiros daquele ano. Além do reconhecimento crítico, o álbum também obteve sucesso em premiações: o videoclipe da faixa-título "66" venceu na categoria de Melhor Clipe do Ano no Prêmio Multishow 2012, e a banda foi eleita a Aposta MTV no VMB 2012. Esse impacto inicial foi fundamental para projetar O Terno no cenário da música independente nacional, estabelecendo o grupo como uma referência pela sua capacidade de equilibrar a nostalgia dos anos 1960 com o lirismo angustiado da década de 2010 e solidificando a reputação de Tim Bernardes como um compositor de grande talento.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Produção

O Terno

Vocais, Saxofone Tenor

Maurício Pereira

Baixo

Guilherme D'Almeida

Bateria

Victor Chaves

Guitarra, Vocais

Tim Bernardes

Órgão

Tim Bernardes

Órgão [Hammond]

Marcelo Jeneci

Sintetizador [Minimoog]

Dino Vicente

Mixagem, Masterização

O Terno, Renato Coppoli

Gravação

Dino Vicente

Gravação, Mixagem

Renato Cortez

Design

Renata de Bonis

Fotografia

Maria Clara Villas

Referências

Livros