Corra o Risco

Olivia Byington e A Barca do Sol

1978

Capa de Corra o Risco
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

Lançado em 1978, Corra o Risco marca a estreia fonográfica de Olívia Byington e representa um momento singular na música brasileira pela confluência artística com a banda A Barca do Sol. O álbum se destaca por sua intensidade musical e tessitura vocal extensa, que, aliadas a uma sensibilidade emocionante, conduzem o ouvinte por onze retratos sonoros marcantes. É um trabalho que navega entre a sutileza e a agressividade, o tranquilo e o nervoso, mesclando poesia, folk e rock. A obra é experimental e desafiadora, repleta de floreios musicais elaborados e inflexões vocais ornamentadas, que revelam uma criatividade inquieta. Apresenta uma fusão de influências e estilos, transitando do folk medieval ao rock progressivo, com um toque de psicodelia. Este álbum é considerado por muitos um dos mais belos discos feitos no Brasil, um exemplar raro onde a colaboração representa um ápice para ambos os artistas envolvidos, consolidando a identidade musical única de Olívia Byington e o talento instrumental da Barca do Sol.

Contexto

Em 1978, quando Corra o Risco foi lançado, Olívia Byington surgia como uma nova voz em uma safra de cantoras que marcava a cena musical brasileira do final da década de 1970. A Barca do Sol, por sua vez, já possuía dois álbuns de estúdio aclamados e uma trajetória consolidada desde sua formação em 1973, inicialmente como banda de apoio de Piry Reis. O grupo era conhecido por mesclar a parte elétrica com instrumentos acústicos como violão, violoncelo, viola e flauta, e por incorporar textos de poetas da "Geração Marginal" em suas apresentações, como Geraldo Carneiro, Cacaso e João Carlos Pádua. A colaboração no disco de estreia de Olívia Byington ocorreu nesse cenário de efervescência artística e experimentação na MPB e no rock progressivo.

Gravação

O álbum foi o disco de estreia de Olívia Byington, mas contou com o vasto instrumental e arranjos da banda A Barca do Sol. O grupo também contribuiu com grande parte das composições, algumas das quais já haviam sido gravadas em seus registros anteriores, enquanto outras eram inéditas. A produção artística de Corra o Risco ficou a cargo de Geraldo Carneiro, que também foi coautor de nove das onze faixas do disco. A capa do álbum foi criada por Bita Carneiro e Lula Lindenberg.

Músicas

As particularidades das canções de Corra o Risco residem na sua rica tapeçaria sonora e lírica. O álbum se inicia de forma fulminante com "Fantasma da Ópera", que apresenta uma pegada folk/medieval destacada pela flauta. Em seguida, a melodia tortuosa e a poética melancólica de "Lady Jane", de Nando e Geraldo Carneiro, tornaram-se um sucesso radiofônico, impulsionando o reconhecimento de Olívia. A faixa-título, "Corra o Risco", assinada por Olívia Byington e Geraldo Carneiro, é acompanhada por um belo arranjo de cordas, flauta e percussão, utilizando exclusivamente instrumentos acústicos. "Lobo do Mar" se destaca no "lado B" do disco, considerado "mais nervoso", com arranjos eletrizantes que flertam com o rock progressivo, uma vocalização fantástica e um solo de guitarra fuzz. A melancólica "Água e Vinho", de Egberto Gismonti e Geraldo Carneiro, oferece um momento de calmaria, enquanto o disco é finalizado no delírio poético e musical de "Luz do Tango", de Astor Piazzolla e Geraldo Carneiro.

Legado

Corra o Risco foi recebido com grande apreço pela crítica, com o então crítico de música do jornal O Globo, Sérgio Cabral, considerando Olívia Byington a melhor cantora de sua geração. O álbum é frequentemente recomendado a amantes de rock progressivo, hard rock, psicodelia e folk, e é visto como um disco com grande intensidade e originalidade. Apesar de não ter alcançado um sucesso comercial retumbante na época, o álbum conquistou um público fiel e um apreço duradouro entre aqueles que o conhecem. "Lady Jane" obteve sucesso nas rádios FM, contribuindo para a visibilidade do trabalho. O disco é reconhecido como um marco na carreira de Olívia Byington e um registro importante da fusão entre MPB e rock progressivo no Brasil.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Direção Artística [Direção Artística]

Ramalho Neto

Arranjo [Arranjos E Execução]

A Barca Do Sol

Produção [Assistencia De Produção]

Jorge Corrêa, Max Pierre

Produção [Produção Artística]

Geraldo E. Carneiro

Musician [A Barca Do Sol]

Alain Pierre Magalhaes, Beto Resende, David Gang, Jaques Morelenbaum, Marcelo Costa, Muri Costa, Nando Carneiro

Engenheiro de Som, Mixagem [Técnico De Som E Mixagem]

Don Lewis

Corte [Corte]

Milton Araújo

Capa [Capa]

Bita Carneiro, Luis Carlos Lindenberg

Referências

Livros