Mais Bossa com Os Cariocas
Os Cariocas
1963

Porque Merece Estar na Lista
Bossa, décimo sétimo álbum de estúdio de Zizi Possi lançado em 2001, destaca-se por sua abordagem singular ao gênero que lhe dá nome. Longe de ser um tributo convencional, o disco reinterpreta canções pop de artistas diversos com arranjos inspirados na bossa nova, criando uma fusão elegante e original. A cantora buscou infundir a sutileza e a batida característica da bossa nova em composições de nomes como The Beatles, Cazuza e Gilberto Gil. Este trabalho representa uma visão criativa de Zizi Possi, que optou por essa direção mesmo após a sugestão da gravadora de um álbum com clássicos da bossa nova. A capa do disco, remetendo à estética dos anos 50 e 60, com referências ao calçadão de Copacabana e às fotos de moças que ilustravam os LPs da época, complementa a proposta de revisitar e renovar o estilo sem artificialidade. É um registro que celebra a técnica vocal impecável da artista, aplicada a um repertório surpreendente.
Contexto
O lançamento de Bossa ocorreu após um período de sucesso para Zizi Possi, que vinha da bem-sucedida turnê de seu álbum anterior, Puro Prazer, de 1999, o qual inclusive recebeu disco de ouro. Nesse contexto positivo, a cantora sentiu que era o momento propício para gravar um novo trabalho. Apesar da sugestão inicial da gravadora de focar em clássicos da bossa nova, Possi optou por um caminho mais autoral, selecionando canções pop de diversos artistas, como The Beatles, Cazuza, Gilberto Gil e Herbert Vianna, e as arranjando sob a ótica da bossa nova.
Gravação
A gravação do álbum Bossa foi um processo íntimo e colaborativo, realizado no sítio de Zizi Possi. Acompanhada do violinista Camilo Carrara e do pianista Jether Garotti Jr., a cantora gravou diversas fitas cassetes com as canções. Para refinar as interpretações e a sonoridade, Possi buscou opiniões de todos ao seu redor, incluindo cozinheira e faxineira, demonstrando uma busca pela autenticidade e pelo tom exato. Em entrevista, ela revelou que seu objetivo era cantar músicas onde detectava "células da bossa nova", citando exemplos como canções de Sting, Sade e "Yesterday", de Lennon e McCartney. A estética visual do álbum também foi cuidadosamente concebida para evocar a era da bossa nova. A capa de Bossa remete diretamente às fotos de moças anônimas que ilustravam LPs e compactos nos anos 1960, além de incorporar elementos visuais do calçadão de Copacabana, reforçando a conexão com o movimento carioca que inspirou o disco.
Legado
A recepção crítica do álbum Bossa foi mista, refletindo a originalidade da proposta de Zizi Possi. Apoenan Rodrigues elogiou a abordagem elegante e original da cantora, que, segundo ele, se diferenciava de homenagens chatas ao gênero, criando algo novo sem artificialidade ao emprestar a sutileza e a batida de violão de João Gilberto. Por outro lado, Pedro Alexandre Sanches, da Folha de S.Paulo, embora reconhecendo a elegância de algumas versões, criticou a diversidade de temas e idiomas, sugerindo que prejudicou a coesão geral do álbum e lhe rendeu uma avaliação de "vale, mas não muito". Marco Antonio Barbosa, do site Cliquemusic, avaliou o álbum com duas de cinco estrelas, descrevendo-o como "mediano como disco de bossa nova e meio frustrante como viagem criativa". Ele argumentou que o que impera em Bossa é a própria Zizi Possi, a "diva, cantora de técnica impecável e eternamente no fio entre a dramaticidade do canto e a aspiração cool dos arranjos que a cercam", em vez de uma homenagem estrita ao estilo. O álbum foi promovido com uma turnê por diversas cidades brasileiras e o lançamento de um videoclipe para a canção "Eu Só Sei Amar Assim".
Ranking nas Listas
Faixas
Créditos
Aloysio De Oliveira
Joaquim Figueira
Cesar G. Villela
