A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado

Os Mutantes

1970

Capa de A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado
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Porque Merece Estar na Lista

Lançado em março de 1970, A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado é o terceiro álbum de estúdio dos icônicos Os Mutantes, marcando um ponto crucial na trajetória da banda e da música brasileira. Neste trabalho, o trio original, composto por Arnaldo Baptista, Rita Lee e Sérgio Dias, aprofunda sua exploração sonora, consolidando um estilo que mescla o rock psicodélico com uma identidade genuinamente brasileira e experimentalismo vanguardista. O disco se destaca por sua capacidade de fundir gêneros, apresentando uma sonoridade densa e repleta de invenções que surpreendem a cada audição. Este álbum demonstra a maestria dos Mutantes em criar uma 'originalidade distorcida', transformando referências musicais em algo completamente único. A faixa-título, "Ando Meio Desligado", é um exemplo primoroso dessa fusão, com sua linha de baixo marcante, progredindo entre o jazz, o rock e o gospel, e seu diálogo crescente entre órgão e guitarra. Com arranjos complexos e técnicas inovadoras de estúdio, o álbum solidifica o status da banda como pioneiros do rock experimental no Brasil.

#22

Você nunca mais verá seu refrigerador da mesma maneira.

Bruno Natal · Rolling Stone Brasil

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Contexto

O lançamento de A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado em 1970 ocorreu em um Brasil sob o auge da repressão da ditadura militar, um período conhecido como Anos de Chumbo. Apesar do cenário político adverso, o país vivia um efervescente momento cultural, com a indústria da música em plena ascensão e a resistência artística florescendo em meio à censura. Os Mutantes, que já haviam se destacado no movimento tropicalista, encontraram nesse contexto um terreno fértil para seu som inovador, embora também vivessem as pressões e o exílio de importantes figuras do Tropicalismo, como Caetano Veloso e Gilberto Gil, o que influenciou uma guinada em sua sonoridade. A banda vinha de dois álbuns aclamados, Mutantes (1968) e Mutantes (1969), que já haviam estabelecido sua reputação de experimentação psicodélica e pop. A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado marca uma transição em sua obra, afastando-se um pouco da estética tropicalista mais explícita e abraçando um rock mais puro e experimental, ainda que mantendo o humor surrealista e a alegoria espiritual em suas letras e conceitos.

Gravação

O álbum A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado foi gravado em outubro de 1969, no estúdio Scatena, localizado em São Paulo. Esta produção marcou a primeira participação de Dinho Leme como membro da banda, embora sua contribuição tenha sido registrada inicialmente como baterista acompanhante. O baixista Liminha, que viria a se tornar um integrante fixo do grupo, também contribuiu para o álbum, tocando nas faixas "Hey Boy" e "Preciso Urgentemente Encontrar Um Amigo". Um destaque particular na gravação é a participação do músico Naná Vasconcelos, que adicionou percussão às faixas "Ando Meio Desligado" e "Desculpe, Babe". Outra inovação técnica notável é a inclusão de um efeito de talkbox na canção "Desculpe, Babe", criado por Cláudio César, irmão mais velho de Sérgio e Arnaldo Baptista, para distorcer a voz de Sérgio, evidenciando o constante experimentalismo da banda com novas tecnologias e timbres.

Músicas

As canções de A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado revelam a versatilidade e a criatividade dos Mutantes. A faixa-título, "Ando Meio Desligado", é uma composição que rapidamente se tornou um clássico, sendo apresentada originalmente no Festival Internacional da Canção de 1969 e se destacando como a 75ª música mais tocada no Brasil em 1970. Sua melodia envolvente e a interpretação de Rita Lee e Sérgio Dias capturam perfeitamente a essência psicodélica e pop do grupo. Outras faixas como "Desculpe, Babe", com seu inovador efeito de talkbox, e "Meu Refrigerador Não Funciona", que combina um blues rock lento com o humor debochado característico da banda, exemplificam a audácia e a experimentação presente no disco. O álbum transita por diversos gêneros, do rock psicodélico ao blues rock e doo-wop, sem perder a identidade mutante, que mistura influências nacionais e internacionais de forma única. A complexidade dos arranjos e a originalidade das composições garantem que "a cada audição, A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado revela novos segredos".

Legado

A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado consolidou-se como um dos álbuns mais importantes e influentes da música brasileira. Em outubro de 2007, a revista Rolling Stone Brasil o classificou na 22ª posição em sua lista dos "100 Maiores Discos da Música Brasileira", um testemunho de seu impacto duradouro. A recepção crítica retrospectiva também é amplamente positiva, com o site AllMusic concedendo-lhe quatro de cinco estrelas e elogiando a capacidade da banda de "transformar gêneros em sua própria originalidade distorcida". O sucesso da faixa "Ando Meio Desligado", que esteve entre as mais tocadas no Brasil em seu ano de lançamento, demonstra o alcance popular do trabalho em sua época. Além disso, o álbum é frequentemente citado como uma obra seminal que influenciou gerações de artistas, tanto no Brasil quanto internacionalmente, com sua mistura audaciosa de rock psicodélico, experimentalismo e elementos da música brasileira. Sua capa icônica, inspirada na "A Divina Comédia" de Dante, e sua contracapa provocadora também se tornaram parte do imaginário cultural, reforçando a imagem de uma banda que sempre desafiou convenções.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Arranjo

Os Mutantes, Rogério Duprat

Produção [Director Of Production]

Arnaldo Saccomani

Bateria

Ronaldo P. Leme

Engenheiro de Som [Recording]

João Kibelkstis

Layout

Lincoln

Fotografia

Cynira Arruda

Podcasts

Referências

Livros