Mutantes

Os Mutantes

1969

Capa de Mutantes
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

Os Mutantes, o álbum de estreia da banda homônima, é uma pedra angular na história da música brasileira, lançado em junho de 1968. Sua relevância reside na audácia de um som inovador para a época, que fundiu a essência da música brasileira com a efervescência do rock psicodélico e experimental. A obra se destaca pela maestria em incorporar diversas técnicas de estúdio, forjando uma sonoridade única e marcante. Parte integrante do movimento tropicalista, o disco não apenas reflete o espírito de vanguarda daquele período, mas também o impulsiona, apresentando um híbrido cultural que desafiou convenções. A fusão de elementos diversos, desde a musicalidade brasileira mais tradicional até as tendências globais do rock, solidificou Os Mutantes como um marco de criatividade e ousadia em um cenário efervescente. É uma escuta essencial para compreender a vanguarda sonora do Brasil.

#44

Os Mutantes se descolam de Caetano e Gil e esclarecem que estão muito além de uma “banda de apoio” do movimento.

Marcus Preto · Rolling Stone Brasil

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Contexto

Antes de seu álbum de estreia, Os Mutantes já havia começado a moldar sua identidade musical em programas televisivos, como O Pequeno Mundo de Ronnie Von, da TV Record. O grupo se encarregava da trilha sonora, reinterpretando composições eruditas para o rock e sucessos de bandas como The Beatles, demonstrando desde cedo sua versatilidade e inclinação ao experimentalismo. O ano de 1967 marcou um ponto de virada crucial com o encontro com Gilberto Gil, por indicação do maestro Rogério Duprat. Essa parceria resultou em colaborações significativas, como as canções 'Bom Dia' e 'Domingo no Parque', esta última apresentada no III Festival de Música Popular Brasileira, onde o grupo, ao lado de Gil, obteve o segundo lugar. A partir daí, Os Mutantes se aprofundou no movimento tropicalista, participando de momentos emblemáticos, como a performance de 'É Proibido Proibir' no III Festival Internacional da Canção e o programa Divino, Maravilhoso, além de contribuir para o disco manifesto Tropicalia ou Panis et Circencis e colaborar em álbuns de Gilberto Gil e Caetano Veloso, consolidando sua posição no cenário cultural da época.

Gravação

O álbum foi gravado no início de 1968, sob a produção de Manoel Barenbein e com os inovadores arranjos de Rogério Duprat. A gravação é um testemunho do experimentalismo da banda, marcada pela exploração de inúmeras técnicas de estúdio. Entre as abordagens notáveis, destacam-se as mudanças de ritmo, o uso de guitarras distorcidas, a incorporação de ruídos e sonoplastia, e a inventividade em utilizar objetos não convencionais para simular sons de instrumentos, como o emprego de uma bomba de inseticida na faixa 'Le Premier Bonheur do Jour'. Essa abordagem vanguardista na produção contribuiu significativamente para a sonoridade única e distintiva do disco.

Músicas

A música de Os Mutantes é profundamente influenciada pelo rock psicodélico e pela banda inglesa The Beatles, mas se distingue pela habilidade em tecer esses elementos com gêneros musicais brasileiros. Exemplos claros dessa fusão incluem o samba em 'A Minha Menina', o candomblé presente em 'Bat Macumba' e as cadências do baião em 'Maria Fulô'. As faixas revelam histórias e inspirações particulares. O álbum abre com 'Panis et Circenses', uma colaboração de Gilberto Gil e Caetano Veloso, composta em um curto espaço de tempo. 'A Minha Menina' nasceu de um pedido de Rita Lee a Jorge Ben. A faixa 'O Relógio' é uma homenagem da própria Rita Lee ao seu objeto pessoal, enquanto 'Maria Fulô', sugerida por ela para 'abrasileirar' o som do grupo, é uma canção já conhecida de sua mãe. 'Senhor F' assume forte inspiração de uma canção dos Beatles, e 'Le Premier Bonheur du Jour' é uma canção francesa que Rita Lee já interpretava em seu grupo anterior, Teenage Singers.

Legado

Desde seu lançamento, Os Mutantes foi aclamado como uma obra de vanguarda, amplamente reconhecida pela crítica global. A fusão do rock psicodélico com elementos brasileiros, catalisada pela influência do Tropicalismo, resultou em um tipo de música inédita no Brasil, afastando-se do então dominante iê-iê-iê. Críticos como John Bush, do Allmusic, consideraram o álbum de estreia da banda como o melhor, descrevendo-o como uma 'viagem incrivelmente criativa que assimila pop orquestral, psicodelismo lunático, música concreta, encontro de sons ambientes' e afirmando que é 'Muito mais experimental do que qualquer um dos álbuns produzidos pela bandas da Grã-Bretanha ou América da era psicodélica'. O impacto e a relevância de Os Mutantes são confirmados por sua presença em diversas listas de prestígio. Foi classificado em 9º lugar na lista da revista Rolling Stone dos 100 maiores discos da música brasileira. Além disso, a revista MOJO o elegeu um dos 50 discos mais experimentais da história, superando nomes como The Beatles, Pink Floyd e Frank Zappa. A revista Al Borde o incluiu na 21ª Posição de sua lista 'Los 250: Essential Albums of All Time Latin Alternative - Rock Iberoamericano', sendo o álbum brasileiro melhor colocado, solidificando seu status como um marco cultural e musical.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Musician

Arnaldo Baptista, Rita Lee, Sergio Dias

Capa [Back]

Os Mutantes

Capa [Front]

Olivier Perroy

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Livros