Cinema Mudo
Os Paralamas do Sucesso
1983

Porque Merece Estar na Lista
Cinema Mudo, o álbum de estreia d'Os Paralamas do Sucesso lançado em 1983, representa um marco fundamental no cenário do rock brasileiro da década de 80. Com uma sonoridade que mesclava o pop rock e a new wave com influências de reggae e ska, o disco apresentou ao público um trio que viria a se tornar um dos pilares da música nacional. Sua chegada coincidiu com um período de efervescência para o rock no Brasil, tornando-se um dos álbuns inaugurais que definiram o som de uma geração. Este trabalho de estreia não apenas introduziu a energia juvenil e a inventividade musical de Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone, mas também pavimentou o caminho para a consolidação de sua identidade artística. Faixas como "Vital e Sua Moto" rapidamente se tornaram sucesso nas rádios, apresentando a banda a um público vasto e consolidando a proposta inovadora de um rock com sotaque brasileiro e referências diversas. O álbum, portanto, não é apenas um registro de seus primórdios, mas um documento da vitalidade do rock nacional naquele momento histórico.
Contexto
O surgimento d'Os Paralamas do Sucesso e o lançamento de Cinema Mudo se inserem em um momento de transição política e cultural no Brasil, com o país caminhando para a redemocratização e uma explosão do rock nacional. A cena musical carioca, em particular, era um caldeirão de novas ideias, e rádios como a Fluminense FM desempenhavam um papel crucial na divulgação de bandas emergentes. Foi nesse ambiente fértil que os Paralamas começaram a construir sua trajetória. Antes de Cinema Mudo, o trio, formado por Herbert Vianna (vocal, guitarra), Bi Ribeiro (baixo) e João Barone (bateria) desde 1982, já havia chamado a atenção com uma fita demo enviada à Rádio Fluminense FM. A repercussão positiva de canções como "Vital e Sua Moto" no verão de 1983 foi decisiva para que a banda assinasse um contrato com a gravadora EMI, impulsionando a gravação de seu primeiro LP e marcando o início de uma carreira de sucesso.
Gravação
O ponto de partida para Cinema Mudo foi uma fita demo enviada à rádio Fluminense FM em 1982, contendo quatro músicas: "Vital e Sua Moto", "Patrulha Noturna", "Encruzilhada Agrícola-Industrial" e "Solidariedade Não!". A boa receptividade de "Vital e Sua Moto" levou ao contrato com a EMI, e o álbum foi gravado nos Estúdios EMI-Odeon, no Rio de Janeiro, em 1983. A produção do disco ficou a cargo de Marcelo Sussekind, que também contribuiu com a cravo na faixa-título. A equipe técnica incluiu Amaro Moço, Guilherme Reis e Serginho como técnicos de gravação. O álbum contou com participações especiais notáveis, como Lulu Santos na guitarra slide em "O Que Eu Não Disse" e Ruban nos teclados em "Foi o Mordomo". Léo Gandelman foi responsável pelo arranjo de metais em "Volúpia", demonstrando uma preocupação com a riqueza sonora desde o início. Curiosamente, Marcelo Bonfá, do Legião Urbana, foi convidado para um solo de assovio em uma faixa, mas não conseguiu realizar a performance desejada.
Músicas
Cinema Mudo é uma coleção de dez faixas que, embora apresente a espontaneidade de um trabalho de estreia, já evidencia a versatilidade composicional de Herbert Vianna. Os compactos "Vital e Sua Moto" e a faixa-título "Cinema Mudo" foram os principais carros-chefes do álbum, impulsionando sua popularidade. Destaques incluem "Vital e Sua Moto", uma homenagem espirituosa ao primeiro baterista da banda, Vital Dias, e "Vovó Ondina é Gente Fina", que celebra a avó de Bi Ribeiro, cuja casa serviu de local para os primeiros ensaios. O disco também marca a primeira gravação de uma música de Renato Russo, "Química", que se tornou um clássico do rock nacional. "Volúpia" se destaca por ser a primeira canção d'Os Paralamas do Sucesso a incorporar instrumentos de sopro, indicando a futura experimentação da banda. A faixa "Cinema Mudo" em si explora a ideia de comunicação não verbal e a profundidade da intimidade em um relacionamento.
Legado
Lançado em 1983, Cinema Mudo foi recebido com aclamação crítica e um sucesso comercial significativo para uma banda estreante, vendendo mais de 90.000 cópias. O álbum foi crucial para colocar Os Paralamas do Sucesso no mapa do BRock, um movimento que ganhava força no Brasil. Contudo, o rock nacional da época enfrentava certa desconfiança da crítica, que, por vezes, via o gênero como uma moda passageira e comparava a sonoridade d'Os Paralamas a bandas internacionais como The Police. Apesar de algumas comparações, o álbum solidificou a banda no cenário musical, levando a uma intensa agenda de shows: 37 apresentações em 1983 e impressionantes 112 shows em 1984, já emendando com a turnê do álbum seguinte, O Passo do Lui. Retrospectivamente, o álbum é considerado uma parte essencial da discografia dos Paralamas, com a Allmusic concedendo-lhe uma avaliação de 4 de 5 estrelas. Sua importância reside em ter sido a rampa de lançamento para uma das mais influentes e duradouras bandas do rock brasileiro.
Ranking nas Listas
Faixas
Créditos
Marcelo Sussekind
Herbert Vianna
Herbert Vianna
Bi Ribeiro
João Barone
Jorge Davidson
Eddy Schreyer
Guilherme Reis, Sérgio Bittencourt
Amaro Moço, Guilherme Reis
Tadeu Valério
Ricardo Leite
Mauricio Valladares
