A Arte da Cantoria

Otacílio Batista & Oliveira de Panelas

1984

Capa de A Arte da Cantoria
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Porque Merece Estar na Lista

A Arte da Cantoria, volume 2: Regras da Cantoria, de Otacílio Batista e Oliveira de Panelas, é um documento sonoro de suma importância para a compreensão e preservação da tradição do repente e da cantoria nordestina. Lançado em 1984 pela Funarte, este álbum não é apenas uma gravação musical, mas um registro etnográfico e didático das complexas estruturas poéticas e melódicas que regem essa manifestação cultural. Apresenta-se como uma aula prática, onde os mestres da viola demonstram com maestria as diversas modalidades do improviso. O estilo musical do álbum é a quintessência da cantoria, um gênero que combina poesia oral, improvisação e acompanhamento de viola, característico do interior do Nordeste brasileiro. A obra se destaca por sua autenticidade e por focar nas "regras" do ofício, servindo como uma referência fundamental para estudiosos, repentistas e amantes da cultura popular. É um testemunho da riqueza e da vitalidade da poesia improvisada, um pilar da identidade cultural brasileira. A colaboração entre Otacílio Batista e Oliveira de Panelas, dois nomes reverenciados no universo da cantoria, confere ao trabalho um peso artístico e cultural inestimável. A interação entre as vozes e as violas dos cantadores oferece uma experiência imersiva na arte do repente, revelando a agilidade mental, o domínio da métrica e da rima, e a profundidade temática que tornam a cantoria uma forma de arte única e cativante.

Contexto

Otacílio Batista Patriota, nascido em São José do Egito, Pernambuco, em 1923, foi um repentista e poeta popular de trajetória longa e influente. Sua iniciação na cantoria deu-se em 1940, e ele rapidamente se destacou, participando de apresentações importantes, como no Teatro Santa Isabel em 1946. Além de cantador, Otacílio também se notabilizou como pesquisador da música tradicional, sendo coautor da "Antologia Ilustrada dos Cantadores", uma obra de referência. Oliveira Francisco de Melo, conhecido como Oliveira de Panelas, nasceu em Panelas, Pernambuco, em 1946. Filho de lavrador e pedreiro, ele se dedicou à cantoria, desenvolvendo um domínio excepcional do versejar. Antes deste álbum, Oliveira de Panelas já havia conquistado diversos primeiros lugares em concursos de violeiros e participado de caravanas e trilhas sonoras de filmes, consolidando-se como um dos mais atuantes violeiros do país. A gravação deste álbum, portanto, uniu dois expoentes da cantoria, cada um com uma rica bagagem de experiência e reconhecimento na arte do improviso.

Gravação

O álbum A Arte da Cantoria, V. 2 - Regras da Cantoria foi gravado em 29 de maio de 1979, nos estúdios da Rádio MEC, no Rio de Janeiro. A produção, pesquisa e autoria das notas de encarte ficaram a cargo de Aloysio de Alencar Pinto, uma figura central na valorização e registro do folclore brasileiro. A engenharia de som foi realizada por Mario Lucio Da Costa. A colaboração de Sebastião Nunes Batista também é destacada no processo de gravação. A montagem do material foi posteriormente realizada nos estúdios da Funarte em 3 de novembro de 1983, com a operação de som de Jorge Haouila e orientação musical de Aloysio de Alencar Pinto. Esse intervalo entre gravação e montagem reflete o cuidado e a dedicação em lapidar o registro, garantindo a fidelidade e a qualidade técnica para uma obra que se propunha a ser um guia das "regras da cantoria".

Músicas

O álbum é uma exploração didática das formas poéticas e melódicas da cantoria nordestina, com cada faixa dedicada a uma "regra" específica do improviso. O repertório inclui "Sextilhas (Início De Cantoria)", "Gemedeira", "Mourão-De-Sete-Pés (Trocado)", "Mourão-De-Você-Cai (Dez-Pés-Lá-Vai)", "Oito-Pés-A-Quadrão", "Dez-Pés-A-Quadrão", "Martelo-Alagoano" e "Galope-À-Beira-Mar". Essas modalidades representam a essência da versatilidade e do conhecimento técnico exigido dos repentistas, que devem dominar não apenas a rima e a métrica, mas também as nuances de cada estrutura. As letras, improvisadas no calor do momento, abordam temas cotidianos, reflexões sobre a vida no sertão e até mesmo questões existenciais, como exemplificado na "Gemedeira", onde um dos cantadores descreve as dores e lamentos do homem em diversas situações. A interação entre Otacílio Batista e Oliveira de Panelas é um ponto alto, com trocas de versos que demonstram a sagacidade, o bom humor e a profundidade poética de ambos. As violas nordestinas, de regra inteira e cinco cordas duplas, acompanham as vozes, criando a atmosfera autêntica da cantoria.

Legado

A Arte da Cantoria, V. 2 - Regras da Cantoria consolidou-se como um registro essencial da cantoria nordestina. Sua reedição em CD, ao lado do formato original em LP, atesta o interesse duradouro por seu conteúdo e a importância de sua preservação para novas gerações. Embora não haja dados extensivos sobre vendas ou premiações específicas para este álbum, sua natureza como um documento da Funarte, dedicado ao folclore, o posiciona como uma obra de valor inestimável para a cultura brasileira. O álbum continua sendo uma referência para aqueles que buscam compreender as técnicas e a profundidade da poesia improvisada. A presença de Otacílio Batista e Oliveira de Panelas, cantadores cujas carreiras se entrelaçam com a própria história do repente no Brasil, garante ao disco um lugar de destaque no acervo da música popular. A obra serve como inspiração e material de estudo para repentistas e pesquisadores, contribuindo para a perpetuação de uma das mais ricas e autênticas manifestações culturais do país.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Produção, Research, Texto do Encarte

Aloysio de Alencar Pinto

Viola Nordestina, Vocais

Oliveira De Panelas, Otacílio Batista

Engenheiro de Som

Mario Lucio Da Costa

Arte [Woodcut]

Ciro Fernandes

Referências

Livros