A Dança da Solidão

Paulinho da Viola

1972

Capa de A Dança da Solidão
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

Lançado em 1972, A Dança da Solidão é o quinto álbum de estúdio do aclamado sambista carioca Paulinho da Viola e representa um dos pontos altos de sua discografia. O trabalho é amplamente reconhecido como uma síntese perfeita da musicalidade de Paulinho, consolidando sua posição como um moderno guardião das tradições do samba e do choro. Nele, o artista demonstra suas harmonias sofisticadas e sua voz suave e gentil, que se tornaram suas marcas registradas. O álbum se destaca por apresentar um repertório que entrelaça a poesia intrínseca do samba com uma profundidade filosófica, abordando temas sociais e sentimentais de forma atemporal. A obra não apenas ressalta o talento de Paulinho da Viola como compositor e intérprete, mas também solidifica a sua carreira, mostrando a maturidade artística de um músico que soube conciliar a riqueza do samba de raiz com arranjos requintados, tornando-o um clássico incontestável da música brasileira.

#30

Paulinho da Viola é caso único no panorama da música brasileira.

Antônio do Amaral Rocha · Rolling Stone Brasil

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Contexto

Paulinho da Viola, nascido Paulo César Batista de Faria, cresceu imerso em um ambiente musical, sendo filho de César Faria, violonista do renomado conjunto Época de Ouro, e convivendo desde cedo com lendas como Pixinguinha e Jacob do Bandolim. Sua trajetória profissional teve início em 1965, com a participação no musical "Rosa de Ouro", e ele rapidamente se firmou no cenário da MPB, ingressando na ala de compositores da Portela, sua escola de coração. Na virada para a década de 70, Paulinho já havia conquistado reconhecimento com sucessos em festivais, como "Sinal Fechado" em 1969, e emplacado o clássico carnavalesco "Foi um rio que passou em minha vida" em 1970. O ano de 1972, quando A Dança da Solidão foi lançado, encontrava o Brasil sob o regime da ditadura militar, um período de repressão política, mas também de intensa e fértil produção cultural, especialmente na Música Popular Brasileira. Paulinho da Viola, nesse contexto, lançava em média um disco por ano, solidificando sua reputação de artista prolífico e de alta qualidade.

Gravação

A Dança da Solidão foi gravado e lançado pela Gravadora Odeon, com uma equipe técnica de peso que garantiu a excelência sonora do projeto. A direção de produção ficou a cargo de Milton Miranda, um nome importante na indústria fonográfica brasileira. A direção musical, orquestração e regência foram conduzidas pelo talentoso Maestro Gaya (Lindolpho Gaya), que foi fundamental para traduzir a "requintada carpintaria do repertório" de Paulinho em arranjos sofisticados. A ficha técnica do álbum também registra Z. J. Merky como diretor técnico, Jorge Teixeira como técnico de gravação e Reny R. Lippi no laboratório, evidenciando o cuidado com cada etapa da produção. O projeto gráfico, com o layout que expõe o artista na ilustração da capa, é obra do renomado Elifas Andreato, outro ponto que contribui para a identidade visual marcante do disco. Apesar da sucinta ficha técnica não detalhar todos os músicos, há a suposição de que Elton Medeiros, um colaborador frequente, tenha percutido a caixa de fósforos em "Meu mundo é hoje (Eu sou assim)", adicionando um toque de autenticidade e tradição.

Músicas

O repertório de A Dança da Solidão é cuidadosamente equilibrado, apresentando doze faixas lapidares que mesclam seis composições inéditas de Paulinho da Viola com seis interpretações de sambas de outros autores, a maioria também inéditos até então. A faixa-título, "Dança da Solidão", é uma obra-prima que explora a solidão e a desilusão amorosa como experiências humanas universais, retratando-a como uma "lava que cobre tudo" e uma "dança coletiva" na qual "danço eu, dança você". A letra poeticamente narra histórias de amor e perdas, mas conclui com uma nota de esperança, sugerindo a existência de uma "fonte de água pura" capaz de aliviar a amargura. Outras canções autorais de Paulinho também se destacam, como "Guardei minha viola", que abre o álbum com um tom melancólico sobre a ingratidão, e o partido alto "No pagode do Vavá", que irradia alegria e contou com a participação vocal de Elton Medeiros, tornando-se um de seus sambas mais conhecidos. A colaboração com o poeta Capinan rendeu "Coração imprudente", com um arranjo inventivo de samba-choro, e a reflexiva "Orgulho". O álbum ainda enaltece a riqueza do samba com interpretações sublimes de clássicos como "Meu mundo é hoje (Eu sou assim)" de Wilson Batista e José Batista, "Acontece" de Cartola, "Duas horas da manhã" de Nelson Cavaquinho e Ary Monteiro, "Falso moralista" de Nelson Sargento, "Passado de glória" de Monarco e "Papelão" de Geraldo das Neves, evidenciando o profundo respeito e a conexão de Paulinho com a linhagem de grandes sambistas.

Legado

A Dança da Solidão é um álbum que transcendeu sua época, permanecendo, cinco décadas após seu lançamento, como uma referência incontornável na MPB e na discografia de Paulinho da Viola. É considerado um marco que consolidou sua carreira e sua identidade artística, sendo elogiado pela crítica por sua qualidade inalterada ao longo do tempo. Sua influência se estende a gerações posteriores de artistas, com a faixa-título sendo regravada por nomes como Marisa Monte em seu aclamado álbum "Verde, Anil, Amarelo, Cor-de-Rosa e Carvão", em uma memorável parceria com Gilberto Gil, o que demonstra a perene relevância e o poder de ressonância das composições de Paulinho. O disco é frequentemente citado em listas de melhores álbuns, testemunhando seu impacto duradouro e seu lugar cativo no panteão da música brasileira.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Diretor Musical, Orquestração, Regência

Lindolfo Gaya

Produção

Milton Miranda

Supervisão de Gravação

Z. J. Merky

Técnico [Mastering]

Reny R. Lippi

Técnico [Recording]

Jorge Teixeira

Layout

Elifas Andreato

Podcasts

Referências

Livros