Confusão Urbana, Suburbana e Rural

Paulo Moura

1976

Capa de Confusão Urbana, Suburbana e Rural
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

Confusão Urbana, Suburbana e Rural, lançado em 1976, é um marco na discografia do saxofonista e clarinetista Paulo Moura, destacando-se como um dos álbuns instrumentais mais brasileiros de seu tempo. A obra é uma feliz união de elementos tradicionais da música brasileira com a sofisticação do jazz, demonstrando a habilidade singular de Moura em transitar e fundir diferentes universos musicais. O disco apresenta uma fusão bem-sucedida de ritmos, explorando sambas, maxixes, carimbós, choros e baiões, onde a cuíca se encontra com o saxofone, o pandeiro com as flautas, e o tamborim com as trompas. É uma verdadeira aula de jazz e experimentações, revelando a versatilidade de Paulo Moura em diversos instrumentos como sax soprano, clarinete e sax alto.

Contexto

Paulo Moura, antes da gravação de Confusão Urbana, Suburbana e Rural, já era um músico de grande prestígio e requisitado desde os anos 50, transitando com fluidez entre o jazz, a música erudita e o samba. Ele atuava em diferentes orquestras, sessões de gravação e lecionava, além de ser clarinetista na Orquestra do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Embora sua formação fosse predominantemente jazzística, Moura também tinha vasta experiência em conjuntos de gafieira. O álbum surge em um momento no Rio de Janeiro dos anos 70 que capturava a efervescência da Black Rio e dos movimentos negros, em meio a um certo preconceito entre os músicos de samba e de soul. Nesse cenário, Martinho da Vila, sambista consagrado, assumiu a produção do disco, evidenciando uma amizade e respeito pelo talento de Paulo Moura, e proporcionando as condições para a realização deste trabalho notável.

Gravação

Confusão Urbana, Suburbana e Rural foi lançado pela gravadora RCA em 1976, sob a produção de Martinho da Vila. O disco é considerado um exemplo de produção de alta qualidade, reunindo uma constelação de músicos de peso. Entre os instrumentistas, destacam-se Wagner Tiso no órgão e piano, Rosinha de Valença e Toninho Horta nos violões, Neco e Mané do Cavaco nos cavaquinhos, Jamil Joanes no contrabaixo, e uma vasta seção de percussão e metais. A percussão contou com nomes como Zeca da Cuíca, Doutor, Eliseu, Marçal e Paulinho, enquanto a seção de metais incluiu talentos como Marcio Montarroyos, Nivaldo, Maurilio, Joãosinho, Raulzinho e o lendário Altamiro Carrilho. O álbum também teve a participação vocal de Miúcha, Isaura Tiso e Gilda Horta. Uma particularidade notável na ficha técnica do disco é que os músicos não foram especificados por faixa, sendo identificados posteriormente por estudiosos da discografia brasileira.

Músicas

O álbum Confusão Urbana, Suburbana e Rural é composto por 11 faixas que exploram a riqueza da música brasileira instrumental. Entre elas, destacam-se clássicos como "Espinha de Bacalhau", um standard de Severino Araújo, e "Notícia", de Nelson Cavaquinho, Alcides Caminha e Norival Bahia, onde a virtuose de Zeca da Cuíca na cuíca é um dos pontos altos do disco. Outras canções notáveis incluem "Carimbó do Moura", composta pelo próprio Paulo Moura, e sambas resgatados de Cartola e Martinho da Vila. A faixa "Eu Quero É Sossego" apresenta um solo brilhante de Moura, enquanto "Pedra da Lua" é uma composição de Toninho Horta com um arranjo muito bonito e bem executado. Composições como "Bicho Papão / Tema do Zeca da Cuíca", com participação de Wagner Tiso e Martinho da Vila, são apontadas como exemplos de vanguarda e aproximações do free jazz, ilustrando a capacidade de experimentação do álbum.

Legado

Desde seu lançamento, Confusão Urbana, Suburbana e Rural foi aclamado pela crítica como um dos melhores LPs do ano de 1976. Pouco tempo após sua chegada ao mercado, o álbum já havia vendido 10 mil cópias, um feito considerável para um disco instrumental na época. É reconhecido como um LP clássico, destinado a se tornar uma obra disputada no futuro, sublinhando sua importância duradoura na música brasileira. O disco teve diversas reedições ao longo dos anos, sendo lançado em LP no Japão em 1979 e nos EUA em 1988, além de uma versão em CD também em 1988. Essas reedições e a avaliação média de 4 de 5 estrelas baseada em múltiplas avaliações em plataformas especializadas indicam seu valor contínuo e o reconhecimento por parte de colecionadores e amantes da música.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Direção Artística [Direção Artística]

Carlos Guarany

Arranjo

Wagner Tiso

Regência

Paulo Moura

Vocais

Gilda Horta, Isauro Tiso, Miucha

Acordeão

Julinho

Violão

Rosinha de Valença, Toninho Horta, Valdir Silva

Saxofone Alto

Paulo Moura

Brass

Altamiro Carrilho, Ary Silva, Cacau, Joãozinho, Lloyd McNeill, Marcio Montarroyos, Maurilio, Mauro Senise, Nivaldo Ornelas, Paulo Bombardino, Pirulito, Raulzinho, Ré Menor, Toninho

Cavaquinho

Mané Do Cavaco, Neco

Clarinete

Paulo Moura

Contrabaixo

Jamil Joanes

Bateria

Papão, Paulinho Batera

Órgão, Piano

Wagner Tiso

Percussão

Doutor, Elizeu, Geraldo Bongô, Gilberto D'Avila, Luna, Nilton Delfino Marçal, Paulinho, Raphael Corderdos, Serginho, Zeca Da Cuica

Sleeve

Elifas Andreato

Saxofone Soprano

Paulo Moura

Violino

GianCarlo Pareschi, José Alves Da Silva

Engenheiro de Som [Sound]

Luiz Carlos T. Reis, Mário Jorge

Corte

José Oswaldo Martins

Mixagem

Luiz Carlos T. Reis

Coordenação [Coordenação Artistica], Recording Supervisor [Direção De Estúdio]

Martinho Da Vila

Fotografia

Jaqués Frydman

Referências

Livros