Krishnanda
Pedro Santos
1968

Porque Merece Estar na Lista
Krishnanda, lançado por Pedro Santos em 1968, é uma obra experimental singular que transcende as fronteiras da MPB convencional. Apresentando um universo sonoro de grande diversidade, o álbum se destaca pela inventividade percussiva e pela fusão de elementos rítmicos que evocam o samba, sonoridades latinas e até orientais. Com letras poéticas de perspectiva mística e uma estrutura linguística diferenciada, este trabalho conceitual se distingue entre seus contemporâneos. A sonoridade é enriquecida por uma profusão de instrumentos percussivos, arranjos de metais, sons de animais e de floresta, um órgão psicodélico, uma guitarra com timbre de cítara, xilofones e até instrumentos criados pelo próprio Pedro Sorongo, revelando um artista à frente de seu tempo. Krishnanda é uma pérola que merece ser explorada por sua audácia e originalidade.
Gravação
Krishnanda foi produzido pelo próprio Pedro Santos nos estúdios da CBS, com arranjos assinados por Jopa Lins (José Pacheco Lins). O projeto contou com o aval de Hélcio Milito, que na época ocupava o cargo de Diretor de Produção da gravadora.
Músicas
O álbum Krishnanda é um trabalho conceitual, notável pela continuidade entre suas faixas e sua vasta diversidade sonora. Pedro Santos apresenta temas autorais como "Ritual Negro", "Água Viva", "Advertência", "Flor de Lótus", "Dual", "Dentro da Selva", "Savana" e "Desengano da Visita". As letras são de cunho profundamente poético e transcendental, explorando temas existenciais como moral, percepção, existência e ego. O álbum incorpora elementos folclóricos e exibe influências da cultura afro-brasileira, lembrando "Os Afro-sambas" de 1966 tanto na construção melódica quanto na temática lírica.
Legado
Apesar de sua inventividade e da influência sobre músicos da época, Krishnanda não teve grande repercussão em seu lançamento e permaneceu esquecido por décadas. Sua redescoberta ocorreu nos anos 2000, quando começou a circular pela internet em formato MP3 e no mercado europeu através de edições piratas, finalmente conferindo reconhecimento a Pedro Sorongo e à sua obra-prima. Essa redescoberta destacou a importância de Pedro Santos, criador de instrumentos como o berimboca e a tamba. Em 2012, a Revista Trip dedicou uma extensa reportagem a Pedro "Sorongo" Santos, ressaltando o valor do disco que uniu a MPB à macrobiótica, filosofia indiana, climas selvagens e sons da natureza, e que ressurgiu como um cult 42 anos após seu lançamento.
Ranking nas Listas
Faixas
Créditos
Jopa Lins
Hélcio Milito
Pedro Santos
