Gente da Antiga
Pixinguinha, Clementina de Jesus e João da Baiana
1968

Ranking nas Listas
Por Que Esse Disco é Importante
Gente da Antiga é um álbum seminal da música brasileira, lançado em 1968, que reúne três pilares do samba e do choro: Pixinguinha, Clementina de Jesus e João da Baiana. Este encontro de gerações e estilos musicais não apenas registrou performances históricas de mestres, mas também serviu como um resgate e celebração das raízes mais profundas da música popular brasileira. O disco caracteriza-se por sua sonoridade autêntica, misturando o instrumental virtuoso do choro com a força e a tradição do samba e dos cantos afro-brasileiros. O álbum se destaca por ser um documento vivo de uma era, capturando a essência de uma arte que o tempo cristalizou. Ele oferece uma experiência musical que transcende o simples entretenimento, funcionando como uma ponte entre o passado e o presente da MPB, e permitindo que novas gerações apreciem a pureza e a genialidade desses artistas. A reunião de Pixinguinha, Clementina e João da Baiana em um mesmo trabalho é, por si só, um evento de grande valor cultural e artístico. É um testemunho da riqueza cultural do Brasil, apresentando um repertório que inclui choros, sambas e folclore, interpretados com a maestria e a alma de cada um dos envolvidos. O trabalho conjunto desses ícones resultou em um álbum que é uma verdadeira aula de história musical, ressoando com uma espontaneidade e um amor pela música que são palpáveis em cada faixa.
Contexto
No final da década de 1960, período de efervescência cultural e política no Brasil, "Gente da Antiga" surge como um elo com as tradições musicais que moldaram a identidade sonora do país. Pixinguinha, um dos maiores compositores e instrumentistas da música brasileira, já era uma lenda viva do choro, tendo sua carreira marcada pela formação de grupos como Os Oito Batutas no início do século XX e por composições atemporais como "Carinhoso" e "Rosa". Apesar de ter enfrentado dificuldades financeiras e o declínio da popularidade do choro em décadas anteriores, sua presença no álbum celebrava seus 70 anos e seu legado inestimável. João da Baiana, percussionista e sambista que participou das lendárias rodas de samba na casa de Tia Ciata e foi figura crucial no desenvolvimento do samba carioca, trazia consigo a ancestralidade e o vigor dos batuques. Clementina de Jesus, por sua vez, representava a voz potente e a memória viva dos cantos africanos e do samba de raiz, tendo sua carreira consolidada a partir da década de 1960 e sendo reverenciada por sua autenticidade e conexão com as tradições. O álbum, assim, reuniu a "santíssima trindade" do samba e do choro, cada um com sua trajetória consolidada e sua importância inquestionável na música brasileira.
Gravação
O álbum Gente da Antiga foi gravado pela Odeon em janeiro de 1968, com sessões nos dias 10, 11 e 17. A produção ficou a cargo de Hermínio Bello de Carvalho, que buscou um ambiente de gravação que preservasse a espontaneidade e a essência dos artistas. A intenção era recriar a atmosfera das antigas "festas da Penha", onde a música era feita por puro amor e sem arranjos excessivamente elaborados, o que resultou em um som cru e verdadeiro. Para garantir essa autenticidade, não foram projetados arranjos complexos, permitindo que cada um dos artistas expressasse sua inventividade e emoção de forma orgânica. O disco contou com a participação do flautista Manoelzinho, que já havia trabalhado com Hermínio Bello de Carvalho, enriquecendo ainda mais a sonoridade do álbum. Essa abordagem minimalista e focada na performance genuína dos músicos se tornou uma das marcas registradas e mais apreciadas do disco.
Músicas
O repertório de Gente da Antiga é uma rica tapeçaria de composições próprias dos artistas e canções folclóricas, que refletem a diversidade e a profundidade da música popular brasileira. O álbum apresenta doze faixas que se alternam entre momentos instrumentais de choro e números vocais carregados de emoção e história. Entre as canções de Pixinguinha, destacam-se "Os Oito Batutas" e "Yaô", que evidenciam sua genialidade melódica e harmônica, e "Fala Baixinho", com a colaboração de Hermínio Bello de Carvalho nas letras. João da Baiana contribui com sambas vibrantes como "Quê, Quê, Rê, Quê, Quê" e "Batuque na Cozinha", que ressaltam seu talento como compositor e a energia contagiante de sua percussão e voz. Clementina de Jesus, com sua voz única, dá vida a canções folclóricas como "Roxá" e "A Tua Sina", além de "Mironga de Moça Branca", que sublinham sua profunda conexão com as raízes africanas e a tradição oral. As letras, quando presentes, são simples e diretas, evocando o cotidiano, as festas e as crenças populares, enquanto as passagens instrumentais permitem a Pixinguinha mostrar seu domínio do saxofone e da flauta.
Legado
Gente da Antiga é amplamente reconhecido como um disco emblemático e de grande relevância na discografia brasileira. Sua importância reside em ter registrado o encontro de três mestres em um momento crucial para a preservação e valorização da música de raiz. O álbum é frequentemente citado por sua autenticidade e por ser um documento histórico da "velha guarda" do samba e do choro. Embora não existam dados facilmente disponíveis sobre vendas ou posições em paradas da época, o álbum é constantemente reverenciado pela crítica e por outros músicos, sendo considerado um marco na carreira de Clementina de Jesus e um dos últimos registros significativos de Pixinguinha e João da Baiana. Sua influência se manifesta na forma como serviu de inspiração para gerações posteriores de artistas que buscam a essência da música brasileira. Mais de cinco décadas após seu lançamento, o álbum continua sendo redescoberto e até ganhou uma releitura em 2023, intitulada "Gente nova da antiga", o que atesta seu duradouro impacto cultural e artístico.
Faixas
Créditos
Lyrio Panicali
Maestro Nelsinho
Milton Miranda
Anescar Pereira Filho, Copacabana, Jair Avellar, Jairzinho Da Portela, Nelson Sargento, Pedrinho Rodrigues, Zézinho
Clementina De Jesus, João Da Baiana
Canhoto
Jorge Arena
Manoelzinho Da Flauta
Dino 7 Cordas, Meira
Gilberto, Luna
Nilton Delfino Marçal
Hermínio Bello De Carvalho
Pixinguinha
Maestro Nelsinho
Jorge Teixeira Da Rocha, Reny R. Lippi, Z. J. Merky
Glauco Rodrigues
Pedro De Moraes
Filmes

Pixinguinha: Um Homem Carinhoso
2021
Vida e obra de Pixinguinha, pai da MPB, gênio incompreendido e muito à frente de seu tempo, só teve sua importância reconhecida muitos anos depois.

Clementina de Jesus — Rainha Quelé
Este documentário pretende homenagear a cantora Clementina de Jesus, uma mulher negra e pobre que já cantou com Paulinho da Viola, João Bosco e Pixinguinha, mas despertou pouco interesse por parte das gravadoras musicais. Usando depoimentos e material de arquivo coletados ao longo de mais de dez anos, o filme acredita que "é um direito do cidadão brasileiro de conhecer a figura e a voz única de Clementina de Jesus".
Livros

Os 500 Maiores Álbuns Brasileiros de Todos os Tempos
Ricardo Alexandre · 2022
A maior eleição de música brasileira já feita: 162 especialistas, entre jornalistas, críticos, músicos, produtores e podcasters, indicaram, cada um, 50 discos essenciais, apoiados por uma masterlist de mais de 2.000 obras. Encabeçada por Ricardo Alexandre, com tabulação de Sérgio Jomori, foi publicada em dezembro de 2022 em um livro de 200 páginas em capa dura, com projeto gráfico de Fernando Pires.
Álbum 1 - 1950 a 1972
Pedro Alexandre Sanches · 2021
Como contar a história da música brasileira? A série Álbum propõe partir destas criações que atravessam o tempo e marcam a experiência de diferentes gerações: os discos. Iniciando em 1950 e chegando até hoje, o jornalista e crítico musical Pedro Alexandre Sanches reconta esta história visitando a trajetória de álbuns cruciais. O volume 'Álbum 1' abrange o período de 1950 a 1972, no qual o disco 'Gente da Antiga' (1968) se insere, sendo provável a sua análise ou menção significativa devido à sua relevância e aos artistas envolvidos.

300 Discos Importantes da Música Brasileira
Charles Gavin, Tárik de Souza, Carlos Calado, Arthur Dapieve · 2008
Idealizado pelo baterista dos Titãs e pesquisador musical Charles Gavin, o livro de 434 páginas reúne capas e resenhas de discos lançados entre 1929 e 2007. Os textos ficaram a cargo dos jornalistas Tárik de Souza, Arthur Dapieve e Carlos Calado.
Análises
Álbum de Clementina de Jesus, João da Baiana e Pixinguinha ganha ...
mrznoticias.wordpress.com
Disco de 1968 tem o repertório recriado por Áurea Martins, André Gabeh e Vidal Assis com arranjos de Lui Coimbra. Clementina de Jesus, Pixinguinha (ao centro) e João da Baiana em foto da capa do álbum 'Gente da antiga', de 1968
Álbum de Clementina de Jesus, João da Baiana e Pixinguinha ganha ... - G1
g1.globo.com
Jornalista carioca que escreve sobre música desde 1987, com passagens em 'O Globo' e 'Bizz'. Faz um guia para todas as tribos. Disco de 1968 tem o repertório recriado por Áurea Martins, André Gabeh e Vidal Assis com arranjos de Lui Coimbra.
MUSICA&SOM: 1968 - Pixinguinha, Clementina de Jesus, João da Baiana ...
tabernanovostempos.blogspot.com
Ao historiar cada faixa deste álbum, quero dizer da tremenda força que deu a este LP o trio Canhoto-Dino-Meira, músicos excelentes, privilegiados, únidos do gênero.
Reverência e reinvenção - NewMag
newmag.com.br
Áurea Martins une-se a Vidal Assis e André Gabeh para recriar repertório do disco que juntou gênios da MPB. Três grandes talentos da nossa música negra juntaram-se, em 1968, num álbum que entraria para a História da música brasileira.
Cliquemusic : Disco : GENTE DA ANTIGA - PIXINGUINHA, CLEMENTINA DE ...
cliquemusic.com.br
GENTE DA ANTIGA - PIXINGUINHA, CLEMENTINA DE JESUS e JOÃO DA BAIANA João da Baiana / Pixinguinha / Clementina de Jesus (1968) 1968 Odeon MOFB 3527