Do Romance ao Galope Nordestino

Quinteto Armorial

1974

Capa de Do Romance ao Galope Nordestino
Top 100

Ranking nas Listas

Por Que Esse Disco é Importante

Do Romance ao Galope Nordestino é o álbum de estreia do Quinteto Armorial, um marco fundamental na música instrumental brasileira e na materialização sonora do Movimento Armorial. Lançado em 1974, o disco apresenta uma proposta audaciosa: a criação de uma música de câmara erudita enraizada nas mais profundas tradições populares do Nordeste brasileiro e influências medievais galaico-portuguesas. O álbum se destaca por sua sonoridade singular, que mescla instrumentos típicos da cultura popular nordestina, como a rabeca, o pífano e a viola caipira, com o violino, a flauta e o violão, resultando em uma tapeçaria musical descrita como "chamber folk" intensa e virtuosística. Este trabalho inaugural não apenas define o estilo inovador do grupo, mas também é considerado um dos mais importantes na criação de uma música de câmara brasileira com raízes populares, solidificando a visão de Ariano Suassuna para a arte nacional.

Contexto

O álbum emerge diretamente do Movimento Armorial, uma iniciativa artística lançada em Pernambuco, em 1970, pelo escritor e dramaturgo Ariano Suassuna. O movimento buscava forjar uma arte erudita autenticamente brasileira a partir das raízes culturais populares do Nordeste, especialmente do sertão, recusando a separação rígida entre o popular e o erudito e valorizando a cultura mestiça. Ariano Suassuna foi o catalisador para a formação do Quinteto Armorial em 1970, convidando Antônio José Madureira para liderar o grupo. Essa formação veio após uma Orquestra Armorial anterior ter sido percebida como excessivamente europeia em sua sonoridade. A gravadora Discos Marcus Pereira, que lançou o álbum, foi fundada em 1973 com a missão de resgatar e documentar a música regional brasileira, oferecendo um espaço para artistas que fugiam da lógica comercial das grandes gravadoras e encontravam ali um lar ideal para sua proposta artística.

Gravação

Do Romance ao Galope Nordestino foi lançado em 1974 pelo selo Discos Marcus Pereira, uma gravadora independente que se dedicou à valorização da música regional e folclórica brasileira, contrastando com a hegemonia de estilos estrangeiros no mercado fonográfico da época. A produção do disco reflete um cuidado artesanal, alinhado à proposta do Movimento Armorial, que priorizava a essência cultural em detrimento de tendências comerciais. A capa do LP é ilustrada pela xilogravura "Alexandrino e o pássaro de fogo", criada por Gilvan Samico em 1962. Esta escolha visual é emblemática, pois a xilogravura é uma forma de arte profundamente ligada à literatura de cordel e às tradições visuais do Nordeste, estabelecendo uma conexão direta com os princípios estéticos do Movimento Armorial.

Músicas

O repertório do álbum é uma demonstração primorosa da fusão entre elementos eruditos e populares, utilizando uma instrumentação que é a assinatura do Quinteto Armorial. Antônio José Madureira empunha a viola caipira, Egildo Vieira do Nascimento contribui com o pífano e a flauta, Antônio Nóbrega com a rabeca e o violino, Edison Eulálio Cabral com o violão e Fernando Torres Barbosa com a percussão, incluindo o marimbau nordestino. As composições presentes no disco, muitas delas recriações de temas ancestrais, buscam um diálogo profundo entre o cancioneiro folclórico medieval e as práticas dos cantadores nordestinos. O álbum inclui faixas como "Revoada", a adaptação do romance ibérico do século XVI "Romance da Bela Infanta", o canto fúnebre nordestino "Excelência", e o romance do século XIX "Romance de Minervina", todas assinadas ou adaptadas por Antônio José Madureira. A presença de obras de compositores como Guerra Peixe e Capiba também reforça a conexão com figuras importantes da música brasileira alinhadas à estética armorial.

Legado

Do Romance ao Galope Nordestino foi imediatamente reconhecido pela sua originalidade e excelência, rendendo ao Quinteto Armorial o Prêmio APCA de "Melhor Conjunto Instrumental do Ano". Ariano Suassuna, o ideólogo do Movimento Armorial, considerava a obra do Quinteto a mais significativa contribuição musical do movimento, atestando sua importância cultural. O álbum não só estabeleceu o Quinteto Armorial como um grupo seminal, mas também pavimentou o caminho para outros três discos de sucesso: Aralume (1976), Quinteto Armorial (1978) e Sete Flechas (1980). O legado do Quinteto e, em particular, deste álbum, reverberou em carreiras solo de ex-integrantes como Antônio Nóbrega, que continuou a explorar a estética armorial. A influência do grupo é perceptível em formações musicais posteriores, como o grupo Rosa Armorial, que se inspira diretamente em sua estética, confirmando o impacto duradouro de Do Romance ao Galope Nordestino na música brasileira. O álbum é reverenciado como um documento essencial para compreender as raízes musicais do Brasil, uma verdadeira joia da música popular e folclórica nacional.

Faixas

Créditos

Produção

Aluizio Falcão

Berimbau [Marimbau Nordestino]

Fernando Torres Barbosa

Classical Guitar [Violão]

Edison Eulálio Cabral

Piccolo Flute [Pífano], Flauta

Egildo Vieira

Steel Guitar [Viola Sertaneja]

Antonio Jose Madureira

Violino, Rabeca

Antônio Nóbrega

Direção de Arte

Ernesto Cerri

Arte

Gilvan Samico

Layout

Antonio Maioral

Livros

Quinteto da Paraíba

Quinteto da Paraíba

Xisto Medeiros de Sousa · 2025

Quinteto da Paraíba oferece um relato íntimo e aprofundado das atividades de um quinteto musical com forte ligação à Paraíba. O autor Xisto Medeiros de Sousa detalha como a trajetória do grupo se entrelaça com sua própria vida, sugerindo uma análise detalhada e pessoal. Considerando as profundas raízes do Quinteto Armorial no Nordeste e as conexões de seus membros com a Paraíba, é altamente provável que este livro aborde diretamente a história e a música do Quinteto Armorial ou de um grupo de estética similar e diretamente relevante para o álbum "Do Romance ao Galope Nordestino".

Os 500 Maiores Álbuns Brasileiros de Todos os Tempos

Os 500 Maiores Álbuns Brasileiros de Todos os Tempos

Ricardo Alexandre · 2022

A maior eleição de música brasileira já feita: 162 especialistas, entre jornalistas, críticos, músicos, produtores e podcasters, indicaram, cada um, 50 discos essenciais, apoiados por uma masterlist de mais de 2.000 obras. Encabeçada por Ricardo Alexandre, com tabulação de Sérgio Jomori, foi publicada em dezembro de 2022 em um livro de 200 páginas em capa dura, com projeto gráfico de Fernando Pires.

300 Discos Importantes da Música Brasileira

300 Discos Importantes da Música Brasileira

Charles Gavin, Tárik de Souza, Carlos Calado, Arthur Dapieve · 2008

Idealizado pelo baterista dos Titãs e pesquisador musical Charles Gavin, o livro de 434 páginas reúne capas e resenhas de discos lançados entre 1929 e 2007. Os textos ficaram a cargo dos jornalistas Tárik de Souza, Arthur Dapieve e Carlos Calado.

Análises

Mais Informações