Lavô Tá Novo

Raimundos

1995

Capa de Lavô Tá Novo
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

Lançado em 1995, Lavô Tá Novo é o segundo e emblemático álbum de estúdio da banda brasiliense Raimundos, um divisor de águas que consolidou seu som inovador e irreverente no cenário musical brasileiro. O disco é uma fusão explosiva de hardcore punk, punk rock, metal alternativo e rap metal, tudo temperado com a inconfundível sonoridade do forró e outros ritmos nordestinos, cunhando o estilo que ficaria conhecido como "forrócore". Essencialmente visceral, pesado e agressivo, o álbum também se destaca pelo seu humor peculiar e letras diretas, que o tornam acessível e cativante. Lavô Tá Novo não apenas reafirmou a identidade musical dos Raimundos, mas também serviu como uma poderosa declaração da banda sobre sua substância artística, provando que iam muito além de meras "piadas de quinta série". O trabalho se destaca como um dos mais importantes e pesados da história do rock nacional, repleto de faixas que se tornaram hinos de uma geração, capturando a energia e a ousadia que definiram a banda no auge de sua carreira.

Contexto

O lançamento de Lavô Tá Novo veio na esteira do sucesso estrondoso de seu álbum de estreia homônimo, lançado em 1994 pelo selo Banguela Records. O primeiro disco, com sua sonoridade crua e letras escrachadas, vendeu mais de 100 mil cópias, conquistando o Disco de Ouro e levando os Raimundos a um patamar de popularidade que os colocou nas rádios, algo então incomum para bandas do gênero. No entanto, o selo Banguela, subsidiário da Warner Music e idealizado pelo jornalista Carlos Eduardo Miranda junto aos Titãs, enfrentava dificuldades financeiras após investimentos em outras bandas. Diante dessa situação, e com os Raimundos buscando um orçamento mais robusto para seu próximo trabalho, a banda foi "promovida" e assinou diretamente com a gravadora multinacional Warner Music para a gravação de seu segundo álbum.

Gravação

A gravação de Lavô Tá Novo ocorreu em 1995, entre os meses de junho e setembro, nos Estúdios Mosh, em São Paulo. Para a produção, os Raimundos contaram com o renomado produtor norte-americano Mark Dearnley, conhecido por seus trabalhos com gigantes do rock como Def Leppard, Black Sabbath e AC/DC. A experiência de Dearnley foi fundamental para trazer uma maior clareza sonora e um peso adicional aos riffs de guitarra de Digão, sem, contudo, descaracterizar as raízes musicais da banda. A concepção visual da capa foi um esforço colaborativo entre a banda, Patrick Grosner e Antônio Deliperi. Em um gesto de camaradagem com a gravadora, a banda convidou Seu Josias, o vigia do estúdio, para ser o rosto da capa do disco, remunerando-o com 500 reais pela única foto tirada. O álbum foi posteriormente masterizado no Precision Mastering, em Los Angeles, nos Estados Unidos.

Músicas

Composto por 12 faixas e uma duração de 35 minutos, Lavô Tá Novo é uma vitrine da versatilidade e do humor ácido dos Raimundos. A abertura com "Tora Tora" é um cartão de visitas impactante, com um riff marcante de Digão, enquanto "Eu Quero Ver o Oco" se tornou um verdadeiro hino, demonstrando a força do vocal de Rodolfo. "Esporrei na Manivela" é considerada uma das músicas que melhor encapsula o som da banda, mesclando de forma magistral o hardcore com a música nordestina, destacando a participação do sanfoneiro Zenilton. Outro grande destaque é "I Saw You Saying (That You Say That You Saw)", uma faixa com uma pegada mais pop e comercial que se tornou um dos maiores hits da carreira da banda, com um videoclipe memorável. O disco também apresenta pérolas como "O Pão da Minha Prima", "Opa! Peraí, Caceta", "Pitando no Kombão" e "Tá Querendo Desquitar (Ela Tá Dando)", que também conta com a participação de Zenilton. As letras, em grande parte compostas pela banda, são carregadas de irreverência, duplo sentido e abordam temas do cotidiano de forma desbocada e bem-humorada, características que se tornaram a marca registrada dos Raimundos, embora algumas de suas expressões pudessem ser vistas como polêmicas em um contexto atual.

Legado

Lavô Tá Novo solidificou os Raimundos como uma das maiores bandas de rock do Brasil na década de 90. O álbum foi um sucesso estrondoso, vendendo cerca de 400 mil cópias e conquistando a certificação de Platina, com algumas fontes indicando que as vendas ultrapassaram a marca de 500 mil unidades, superando o desempenho comercial de seu disco de estreia. A recepção crítica foi amplamente positiva, com o agregador Allmusic concedendo-lhe uma avaliação de 4.5 de 5 estrelas. O disco é frequentemente citado como o trabalho definitivo dos Raimundos e um dos mais importantes álbuns de rock pesado já produzidos no Brasil. Seus singles, como "Eu Quero Ver o Oco", "Esporrei na Manivela" e "I Saw You Saying (That You Say That You Saw)", tiveram intensa rotação nas rádios e na MTV Brasil, transformando-se em clássicos e marcando a memória cultural da época. O álbum representou um ponto de virada para a banda, consolidando a mistura única de hardcore com elementos nordestinos e reafirmando sua relevância num cenário musical que flertava com o pop, ao mesmo tempo em que a banda aprofundava suas raízes no heavy metal e no hardcore.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Direção Artística

Paulo Junqueiro

Produção [Assistant]

Guilherme Bonolo

Produção, Gravação, Mixagem

Mark Dearnley

Música

Canisso, Digão, Rodolfo

Letra

Canisso, Digão, Rodolfo

Vocais de Apoio

Digão, Guilherme Bonolo, Rodolfo

Masterização

Stephen Marcussen

Mixagem [Assistant]

Brian Young

Gravação [Assistant]

Enrico Romano, Silas de Godoy

Técnico [Drums]

Fernando Consentino

Técnico [Roadie]

Roberto Da Paixão

Arte

Antonio Deliperi, Patrick Grosner, Raimundos

Coordenação [General]

Cristina Dória

Coordenação [Graphic]

Silvia Panella

Design [Art/Electronic Editing]

Antonio Deliperi

Gerenciamento

José Muniz Neto, Mercury Concerts

Fotografia

Patrick Grosner

Referências

Livros