À Vontade Mesmo

Raul de Souza

1964

Capa de À Vontade Mesmo
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

À Vontade Mesmo, lançado em 1965 (algumas fontes citam 1964 como ano de gravação), marca a estreia solo do lendário trombonista Raul de Souza, então conhecido como Raulzinho, e é uma pedra fundamental na fusão do samba com o jazz no Brasil. Este álbum instrumental é um testemunho precoce de sua maestria no trombone, caracterizado por um fraseado inventivo e uma sonoridade rica que se tornou sua assinatura. Ele solidifica a proposta do samba-jazz, um estilo que emergiu com força na década de 1960 e que Raul de Souza ajudou a definir com sua abordagem única.

Contexto

Antes de À Vontade Mesmo, Raul de Souza já era uma figura atuante na efervescente cena musical carioca. Nascido no Rio de Janeiro em 1934, ele começou a tocar trombone na adolescência e rapidamente ganhou destaque em clubes de gafieira e jam sessions em locais emblemáticos como o Bottle's Bar e o Little Club em Copacabana. Sua trajetória incluiu passagens por grupos como a Turma da Gafieira e uma colaboração com o combo Os Catedráticos de Eumir Deodato em 1964, o que demonstra sua imersão profunda no diálogo entre o samba e o jazz que fervilhava na época. O lançamento de seu primeiro disco solo ocorreu em um período de intensa criatividade e experimentação na música brasileira, com o país imerso nas transformações culturais da Bossa Nova e o surgimento de novas vertentes instrumentais.

Gravação

O álbum À Vontade Mesmo foi gravado e lançado pela RCA Victor (também referenciada como RCA/BMG). A produção esteve a cargo de Roberto Jorge, com supervisão de Zaccarias. Os técnicos de gravação foram Alberto Soluri e Barata. Para este trabalho de estreia, Raul de Souza contou com o suporte de um dos trios mais influentes do samba-jazz, o Sambalanço Trio, que formou a banda de apoio. A formação incluía César Camargo Mariano no piano, Humberto Clayber no contrabaixo e o então jovem Airto Moreira na bateria, um conjunto que garantiu a base rítmica sofisticada e a liberdade para as improvisações do trombonista. A arte da capa foi assinada por Tide Hellmeister, com fotografia de Mafra.

Músicas

À Vontade Mesmo é um álbum predominantemente instrumental que apresenta uma mistura elegante de composições próprias e releituras de clássicos da bossa nova e do jazz. Entre as faixas que se destacam estão a homônima "À Vontade Mesmo", de autoria de Raul de Souza, que, inclusive, foi concebida como uma resposta ao clássico "Muito À Vontade" de João Donato, ambas utilizando uma gíria popular da década de 1960 para expressar um estado de bem-estar. O repertório inclui joias como "Olhou Pra Mim" (Ed Lincoln & Silvio César), "Pureza" (César Camargo Mariano & Humberto de Souza), "Estamos Aí" (Maurício Einhorn & Durval Ferreira), "Você E Eu" (Vinicius de Moraes & Carlos Lyra), além de standards como "Jor-Du" (Duke Jordan) e "Fly Me to the Moon" (Bart Howard). O álbum também revisita clássicos de Tom Jobim, como "Inútil Paisagem" e "Samba do Avião", e de Carlos Lyra e Vinicius de Moraes com "Primavera", todas interpretadas com a expressividade e o improviso característicos do trombone de Raul de Souza.

Legado

À Vontade Mesmo é reconhecido como o primeiro álbum solo de Raul de Souza e um marco em sua extensa discografia. Este trabalho o estabeleceu como uma força inovadora na música instrumental brasileira, capturando o dinamismo da fusão entre o samba e o jazz. Embora Raul de Souza tenha alcançado maior aclamação internacional e reconhecimento como um dos maiores trombonistas de jazz do mundo em sua carreira posterior, com discos como "Colors" chegando a ser objeto de estudo na Berklee College of Music, À Vontade Mesmo é a base onde sua visão musical começou a florescer. Sua capacidade de integrar ritmos brasileiros com elementos jazzísticos e seu tom distintivo no trombone seriam características que o acompanhariam por toda a carreira, influenciando gerações de músicos e contribuindo para a riqueza do jazz brasileiro.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Arranjo

Carioca, José Alves

Vocais

Alaide Costa, Biba, Flora Purim, Gal Costa, Johnny Alf, Marcos Moran, Miucha, Thais Do Amaral, Wilson Simonal, Yana Purim

Vocais, Violão

Vinicius Cantuária, Walter Santos

Vocais, Flauta, Baixo Elétrico

Bebeto Castilho

Vocais, Piano, Arranjo

Luiz Eça

Baixo Acústico

André Neiva, Carlos Monjardim, Edson Lobo, Humberto Clayber, Luiz Alves, Luiz Marinho, Manuel Gusmao, Novelli

Violão

Neco, Rosinha de Valença

Saxofone Alto

Emílio Baptista, Euclides Conceição, Jorge Ferreira Da Silva, Pedro Luiz De Assis, Zé Canuto

Saxofone Barítono

Alberto Gonçalves, Aurino Ferreira

Violoncelo

Iura Ranevsky

Compilation Producer, Texto do Encarte

Arnaldo DeSouteiro

Spalla

GianCarlo Pareschi

Bateria

Airto Moreira, Arrudinha, Dom Um Romao, Jurim Moreira, Milton Banana, Nelson Serra De Castro, Normando, Pascoal Meirelles, Robertinho Silva, Rubinho

Bateria, Vocais

Hélcio Milito

Baixo Elétrico

Alex Malheiros

Flügelhorn

Marcio Montarroyos

Flauta

Danilo Caymmi, Hermeto Pascoal, João Theodoro Meirelles, Zé Luis

Guitarra

Marcos Teixeira

Órgão, Piano

Walter Wanderley

Percussão

Sidinho Moreira

Piano

Antonio Adolfo, Dom Salvador

Piano, Arranjo

Cristóvão Bastos, César Camargo Mariano, Eumir Deodato, João Donato, Mario Castro Neves

Piano, Vocais

Antonio Carlos Jobim

Saxofone Tenor

Cipó, João Theodoro Meirelles, Leo Gandelman

Trombone

Edmundo Maciel, Edson Maciel, Raul De Souza, Serginho Do Trombone

Trompete

Hamilton, Maurilio, Papudinho, Pedro Paulo

Masterização

Arnaldo DeSouteiro

Arte

Dirk Rudolph

Referências

Livros