Gita
Raul Seixas
1974

Porque Merece Estar na Lista
Gita, lançado em 1974, emerge como um marco inconfundível na discografia de Raul Seixas. O álbum se destaca por sua audaciosa fusão de referências místicas e um claro posicionamento político-social, características que definem a singularidade artística do "Maluco Beleza". A iconografia da capa, com Raul vestido de guerrilheiro e uma guitarra vermelha, já denuncia o teor provocador e engajado do trabalho. A sonoridade de Gita explora as idiossincrasias do rock brasileiro com letras que transitam entre o esotérico, o filosófico e o cotidiano. Canções como a faixa-título, inspirada no milenar Bhagavad Gita, ou "Sociedade Alternativa", que bebe da obra de Aleister Crowley, demonstram a profundidade conceitual e a amplitude cultural que Raul Seixas trouxe para a música popular brasileira. É um álbum que convida à reflexão e à rebeldia, embalado por melodias marcantes.
Contexto
O lançamento de Gita se deu em um momento de particular efervescente na trajetória de Raul Seixas, marcando seu retorno ao Brasil após um período de exílio nos Estados Unidos. Essa ausência foi imposta pela ditadura militar brasileira, tornando a capa do álbum, com Raul trajando vestes de guerrilheiro e portando uma guitarra vermelha, uma clara e desafiadora manifestação contra o regime opressor que o havia forçado a deixar o país.
Gravação
Gita foi gravado nas instalações da Philips, hoje conhecida como Universal Music, em 1974. A direção de produção esteve a cargo de Marco Mazzola, contando com a assistência de Tolbi e a expertise de técnicos como Ary Carvalhaes, Luigi Hoffer, João Moreira e Luis Claúdio Coutinho. A mixagem foi também realizada por Marco Mazzola. A orquestração do álbum foi desenvolvida por Miguel Cidras, enquanto os arranjos foram assinados pelo próprio Raul Seixas. O corte do material final ficou sob a responsabilidade de Joaquim Figueira. Uma vasta gama de músicos contribuiu para a sonoridade, incluindo Raul Seixas, Neco e Tony Osanah nos violões; Luiz Cláudio Ramos, Rick Ferreira, Raul Seixas, Tony Osanah e Alexandre nas guitarras elétricas; e José Roberto Bertrami, Miguel Cidras e Jay Anthony Vaquer nos teclados.
Músicas
O álbum Gita é um repositório de alguns dos maiores sucessos de Raul Seixas, muitas delas compostas em parceria com Paulo Coelho. Entre as canções que se destacam está a faixa-título, "Gîtâ", profundamente inspirada no sagrado livro hindu Bhagavad Gita. Outra pérola é "Sociedade Alternativa", que ecoa a filosofia do ocultista Aleister Crowley, e a melancólica "Medo da Chuva". Raul Seixas também assina sozinho composições notáveis como "O Trem das 7" e "S.O.S.". Curiosamente, a faixa-título, "Trem das Sete" e "Loteria da Babilônia" (esta última com o título inspirado em um conto de Jorge Luis Borges) abordam ou mencionam Aleister Crowley em suas letras. "S.O.S.", por sua vez, foi apontada por André Barcinski como possuindo semelhanças com a canção "Mr. Spaceman", dos The Byrds. Houve ainda o objetivo de gravar algumas canções em inglês, com traduções de Marcelo Ramos Motta, para buscar sucesso nos Estados Unidos, mas essa iniciativa não se concretizou.
Legado
Gita consolidou-se como o álbum de maior sucesso comercial da carreira de Raul Seixas. No ano de seu lançamento, em 1974, o trabalho atingiu a marca de 143 mil cópias vendidas, um feito que lhe rendeu o primeiro disco de ouro de sua trajetória artística.
Ranking nas Listas
Faixas
Créditos
Miguel Cidras, Raul Seixas
Erlon Chaves
Ely Arcoverde, Miguel Cidras
Tobi
Mario Tavares
Mazzola
Raul Seixas, Tony Osanah
Chiquinho do Acordeon
Neco, Raul Seixas, Rick Ferreira
Alex Malheiros, Ivan Machado, Juan Roberto Capobianco, Luizão Maia, Paulo César Barros, Sergio Barroso
Gustavo Schroeter, Mamão, Paulinho Braga
Miguel Cidras
Gay Vaquer, Luiz Claudio Ramos, Raul Seixas, Rick Ferreira, Tony Osanah
José Roberto Bertrami, Miguel Cidras, Rick Ferreira
Jairo Gualberto
Joaquim Figueira
Mazzola
Ary Carvalhaes, João Moreira, Luigi Hoffer, Luis Cláudio Coutinho
Luis Cláudio Coutinho, Paulo Sergio, Zé Guilherme
