Há 10 Mil Anos Atrás

Raul Seixas

1976

Capa de Há 10 Mil Anos Atrás
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Por Que Esse Disco é Importante

Há 10 Mil Anos Atrás, lançado em dezembro de 1976, representa um momento crucial na discografia de Raul Seixas, marcando seu retorno enfático ao universo místico e esotérico que se tornou sua assinatura artística. Após uma breve experimentação com uma imagem menos ligada a esses temas em seu álbum anterior, o artista resgata aqui a figura do "mago" e do "profeta", solidificando uma identidade que o consagraria como um dos nomes mais originais da música brasileira. Este álbum se destaca pela sua riqueza musical e temática, onde Raul transita com maestria entre gêneros como rock and roll, MPB, tango, hard rock, repente e country rock, criando uma tapeçaria sonora singular. As letras, repletas de filosofia, irreverência e crítica social, exploram temas existenciais, religiosos e históricos, sempre com a profundidade e o humor característicos do artista, tornando-o um trabalho que continua a ressoar com o público e a crítica por sua ousadia e complexidade.

Contexto

Antes da gravação de Há 10 Mil Anos Atrás, Raul Seixas enfrentava uma significativa pressão de sua gravadora, a Philips Records. Embora seu álbum anterior, Novo Aeon, tivesse alcançado 60 mil cópias vendidas, as expectativas haviam crescido exponencialmente após o sucesso de Gita, de 1974, que vendeu mais de 100 mil cópias e foi certificado como disco de ouro. A gravadora buscava resultados comerciais ainda mais expressivos, enquanto Raul sentia-se desvalorizado, percebendo que era julgado primordialmente pelas vendas e não pelo mérito estético de sua obra. Em 1975, ele havia tentado uma mudança de imagem, cortando o cabelo e diminuindo os símbolos esotéricos em suas canções, mas a estratégia não obteve o sucesso esperado. Assim, Há 10 Mil Anos Atrás surge como um retorno estratégico e artístico à sua persona mais conhecida, a do místico, do guru, do "Maluco Beleza", com o intuito de reconquistar o público e a crítica.

Gravação

O processo de gravação de Há 10 Mil Anos Atrás ocorreu entre maio e novembro de 1976 nos estúdios Phonogram, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. As sessões foram notoriamente tensas, refletindo a pressão da gravadora por um sucesso comercial e a percepção de Raul de que sua liberdade artística estava sendo limitada e seu reconhecimento, negligenciado. Apesar das tensões, que incluíam o músico se apresentando embriagado e recusando-se a gravar em dias agendados, a produção do álbum foi custosa e elaborada. Houve grandes dispêndios em orquestração, coros de vozes e músicos adicionais, evidenciando o investimento da gravadora. Um exemplo notável dos custos foi a capa do disco, que exigiu a contratação de um maquiador especializado vindo de São Paulo para caracterizar Raul como um profeta, com longos cabelos, barba e túnica brancos, numa imagem que se tornaria icônica.

Músicas

O álbum se inicia com "Canto para minha Morte", um tango que, com uma parte declamada, aborda a morte não como fim, mas como um "irrecusável apelo à vida", em uma clara filiação ao existencialismo. Segue "Meu Amigo Pedro", uma crítica mordaz ao conformismo social, estabelecendo um diálogo entre a busca por emancipação individual e a aceitação das regras estabelecidas. "Ave Maria da Rua" explora a religiosidade sincrética e a sacralidade no cotidiano, associando Iemanjá e a Virgem Maria com a mulher comum, incluindo exemplos como a própria esposa do cantor. O Lado B abre com "Eu Também Vou Reclamar", onde Raul, com seu humor característico, ironiza o que considerava um ressurgimento da "música de protesto" dos anos 60. "As Minas do Rei Salomão" ressurge em uma versão hard rock, reafirmando o amor e a condição de *outsider* do artista. O disco culmina com a faixa-título "Eu Nasci Há 10 Mil Anos Atrás", um rock com influências country, que se tornou um de seus maiores clássicos. Inspirada por uma canção gravada por Elvis Presley, a versão de Raul e Paulo Coelho expande o escopo temático da original, incluindo referências a diversas religiões, eventos históricos, contos de fadas e uma crítica sutil à Igreja organizada. A letra da canção é um manifesto existencial que mistura fatos históricos, referências religiosas e elementos da cultura popular, explorando a ideia de que o narrador presenciou todos os grandes acontecimentos da humanidade e ironizando a figura do sábio absoluto.

Legado

Há 10 Mil Anos Atrás foi lançado em dezembro de 1976 e, impulsionado por uma boa divulgação da gravadora, incluindo videoclipes no programa Fantástico e participações no Globo de Ouro, vendeu cerca de 100 mil cópias no ano de seu lançamento. Essa vendagem representou uma recuperação significativa em relação ao álbum anterior, reafirmando o interesse do público pela carreira de Raul Seixas. A recepção crítica foi mista, inicialmente descrita como "fria" por parte da crítica especializada que, em grande parte, não se dedicou a uma apreciação aprofundada da obra. No entanto, críticos mais próximos ao artista, como Nelson Motta, do jornal O Globo, elogiaram o trabalho, destacando seu ecletismo, as letras bem-humoradas e a profundidade. Hoje, o álbum é universalmente reconhecido como um dos mais importantes e um dos momentos altos da trajetória de Raul Seixas, contendo duas de suas canções mais icônicas e duradouras, "Eu Também Vou Reclamar" e a faixa-título "Eu Nasci Há 10 Mil Anos Atrás", que se tornaram hinos do rock brasileiro e são consideradas parte essencial de seu legado.

Faixas

Créditos

Arranjo

Miguel Cidras

Produção [Director]

Sérgio De Carvalho

Engenheiro de Som

Ary Carvalhaes, Luigi Hoffer, Luis Cláudio Coutinho

Mixagem

Luigi Hoffer, Sérgio De Carvalho

Arte

Jorge Vianna, José Paulo

Capa

Aldo Luiz

Fotografia

Januário Garcia

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Análises

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Wikipédia, a enciclopédia livre

Há 10 Mil Anos Atrás é o quinto álbum de estúdio solo do cantor e compositor brasileiro Raul Seixas, lançado em dezembro de 1976 pela gravadora Philips Records e gravado entre maio e novembro do mesmo ano nos estúdios Phonogram na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Este disco representou uma volta ao misticismo que marcou o auge de sua carreira, após a relativa baixa de vendas de Novo Aeon, no ano anterior, em que o músico tinha mudado sua postura e a temática de suas canções. O álbum teve uma

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