Novo Aeon
Raul Seixas
1975

Porque Merece Estar na Lista
Novo Aeon, o quarto álbum solo de Raul Seixas lançado em 1975, marca uma fase de transição significativa na carreira do artista, representando uma mudança de postura em sua imagem e em suas composições. Após experiências anteriores, Raul optou por um caminho menos místico e simbólico, direcionando suas letras para uma reflexão mais profunda sobre os desafios e questões do cotidiano. O disco, que hoje é reconhecido como um dos pontos altos de sua discografia, apresenta um estilo musical que transita pelo rock, baladas e fusões com ritmos brasileiros, revelando a versatilidade do cantor. Este trabalho se destaca por ter gerado clássicos que permanecem extremamente populares entre os fãs de Raul Seixas e da MPB. Faixas como "Tente Outra Vez" e "A Maçã" são exemplos da capacidade do artista de criar canções atemporais que abordam temas universais, com arranjos épicos e letras marcantes. Embora inicialmente tenha sido lançado sob o selo da Sociedade Alternativa, o álbum já sinalizava uma nova era para Raul, com uma abordagem mais direta e pessoal.

Mas é em épicos como “Tente Outra Vez” e na faixa-título que as palavras “rock” e “brasileiro”, aparentemente antagônicas, soam como uma só.
Alexandre Matias · Rolling Stone Brasil
Contexto
O lançamento de Novo Aeon foi precedido por uma importante guinada na trajetória de Raul Seixas, após o estrondoso sucesso de seu trabalho anterior, Gita. O artista rompeu com seu então empresário, Guilherme Araújo, devido a divergências sobre a maneira como sua imagem estava sendo construída e promovida. Raul não se alinhava com a estética extravagante e agressiva, baseada na superexposição e em práticas de marketing arrojadas para a época. Essa ruptura culminou em uma deliberada redução da quantidade de simbologias em seus discos e em suas letras, bem como uma diminuição da visibilidade midiática e do uso da imagem para chocar. Raul, inclusive, passou a usar o cabelo mais curto, sinalizando essa nova fase de sua carreira, menos focada no esoterismo explícito e mais voltada para as questões do dia a dia, embora alguns elementos místicos ainda estivessem presentes.
Gravação
As sessões de gravação de Novo Aeon ocorreram entre 1º de setembro e meados de outubro de 1975, nos Estúdios CBD, localizados no Rio de Janeiro. Antes disso, em maio do mesmo ano, Raul Seixas havia se retirado para a Bahia, dedicando-se à composição das canções que integrariam o novo projeto. Já em meados de agosto, o artista tinha o repertório e a concepção geral do álbum prontos, que inicialmente se chamaria Opus 666 e seria uma continuação temática de Gita. Embora a gravadora estivesse em processo de mudança para os novos Estúdios Phonogram de 16 canais, as gravações de Novo Aeon foram realizadas nas instalações antigas, decorrendo sem intercorrências. O disco foi finalizado, incluindo mixagem e pós-produção, sem a presença do cantor, que viajou para Nova Iorque logo após o término das gravações em outubro.
Músicas
O álbum Novo Aeon se inicia com a balada rock "Tente Outra Vez", uma poderosa ode à perseverança com arranjo épico. Em seguida, o rock cinquentista "Rock do Diabo" satiriza a concepção popular do demônio, enquanto a balada em falsete "A Maçã" aborda a liberdade sexual, com ricas referências ao misticismo de Aleister Crowley e uma metáfora do fruto proibido associada ao órgão sexual feminino, além de ter sido motivo de desentendimento com Marcelo Motta. Outras faixas notáveis incluem o rock cinquentista "Eu Sou Egoísta", que explora o anarcoindividualismo de Stirner e critica hippies e o patrulhamento ideológico, e a pulsante "Tu És o MDC da Minha Vida", uma canção ultra-romântica elogiada pelo seu humor com o estilo brega. O lado B apresenta "A Verdade Sobre a Nostalgia", outro rock cinquentista que critica a apropriação da contracultura, e "Para Nóia", uma música comovente que trata do temor à onipresença do divino e contém referências à masturbação. A diversidade é completada por "Peixuxa (O Amiguinho dos Peixes)", com tema ecológico, e "É Fim de Mês", que mistura forró, baião, rock, rumba, blues e candomblé, sendo considerada um espetáculo de ritmos. O álbum conclui com a faixa-título, que reformula o significado da Sociedade Alternativa e da nova era.
Legado
No momento de seu lançamento, Novo Aeon não atingiu o mesmo sucesso comercial de seu antecessor, Gita, vendendo cerca de 60 mil cópias em contraste com as mais de 140 mil de seu trabalho anterior, e foi recebido de forma majoritariamente fria pela crítica especializada. As críticas frequentemente apontavam a tentativa de Raul de fazer rock no Brasil como algo popularesco e "subdesenvolvido", além de estranharem suas mensagens místicas, embora estas tivessem sido reduzidas neste álbum. No entanto, houve exceções notáveis, como Nelson Motta, que elogiou o ecletismo e as letras do álbum, comparando-o a Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band dos Beatles e elegendo-o o álbum do ano em sua coluna no O Globo. Apesar da recepção inicial morna e das vendas frustrantes para a gravadora, o tempo conferiu a Novo Aeon um status de um dos discos mais célebres de Raul Seixas e um dos mais queridos pelos fãs. Faixas como "Tente Outra Vez", "A Maçã", "Tu És o MDC da Minha Vida" e "Eu Sou Egoísta" tornaram-se clássicos. Sua importância é sublinhada pela inclusão na lista da revista Rolling Stone dos 100 melhores discos da música brasileira, onde ocupa a 53ª posição. Além disso, Sylvio Passos, presidente do fã-clube de Raul Seixas, relatou que o próprio cantor considerava Novo Aeon seu disco predileto.
Ranking nas Listas
Faixas
Créditos
Miguel Cidras, Raul Seixas
Mazzola
Raul Seixas, Rick Ferreira
Zé Menezes
Jamil Joanes, Luizão Maia, Paulo César Barros
Lécio Do Nascimento, Mamão, Pedrinho Batera
José Roberto Bertrami
Altamiro Carrilho
Antenor Suares Gandra Neto, Gabriel O'Meara, Luiz Claudio Ramos, Rick Ferreira
Maria Célia Machado
Chico Batera, Conjunto Ritmico Cream Craeker
Antonio Adolfo, Hugo Bellard, Miguel Cidras
Zé Bodega
Edson Maciel, Manoel Araújo
Joaquim Figueira
Paulo Sergio
Mazzola
Paulo Sergio, Zé Guilherme
João Moreira, Luigi Hoffer, Luis Cláudio Coutinho
José Paulo
Aldo Luiz
João Castrioto
