A Fantástica Viola de Renato Andrade
Renato Andrade
1977

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Por Que Esse Disco é Importante
Lançado em 1977, A Fantástica Viola de Renato Andrade é um marco fundamental na história da música instrumental brasileira, notavelmente por elevar a viola caipira a um patamar de protagonismo solista. O álbum apresenta a viola não apenas como um instrumento de acompanhamento, mas como uma voz principal capaz de expressar complexidade e virtuosismo, algo inovador para a época. Renato Andrade, com sua técnica apurada e singular, demonstra uma fusão de elementos eruditos e populares. Ele expande as possibilidades sonoras da viola, transpondo para o instrumento a riqueza de concertos e composições orquestrais, ao mesmo tempo em que mantém a essência da sonoridade rural. Este trabalho é uma demonstração primorosa de como a viola caipira pode ser um veículo para narrativas musicais inteiras, construindo paisagens sonoras sem a necessidade de vocais.
Contexto
Antes de A Fantástica Viola de Renato Andrade, o violeiro mineiro já havia dedicado anos à música, inicialmente estudando violino com Flausino Rodrigues Vale em Belo Horizonte. Ao retornar à sua terra natal, Abaeté, MG, ele se apaixonou pela viola caipira e passou a desenvolver uma técnica própria, afastando-se do violino. Na década de 1970, Renato Andrade foi para o Rio de Janeiro, onde sua carreira artística começou a tomar forma. Ele teve uma participação significativa no filme "Corpo Fechado", de Schubert Magalhães, musicando e atuando como coadjuvante. Nesse período, conheceu grandes compositores como Guerra-Peixe e Edino Krieger, que o incentivaram a explorar as capacidades da viola caipira, um instrumento que, nas metrópoles, ainda era predominantemente associado à música folclórica e caipira tradicional.
Gravação
O álbum A Fantástica Viola de Renato Andrade foi lançado em 1977 pela gravadora Chantecler. Nas capas e selos do disco, o título completo aparece como "A Fantástica Viola De Renato Andrade Na Música Armorial Mineira", conectando a obra ao movimento cultural que buscava valorizar as raízes populares e eruditas do Nordeste, mas aqui aplicado à vertente mineira do artista. As notas de encarte do LP foram escritas pelo maestro Guerra-Peixe, um dos grandes entusiastas do trabalho de Renato Andrade, que reconhecia a originalidade e o virtuosismo do violeiro. O disco é predominantemente instrumental, com a viola solista sendo o foco principal, por vezes acompanhada sutilmente por um violão.
Músicas
Todas as catorze faixas de A Fantástica Viola de Renato Andrade são composições autorais do próprio violeiro, entre elas "Seriema no campo", "Prelúdio da inhuma", "Literatura do cordel", "Sagarana", "Bailado catrumano", "Sinhá e o diabo", "Relógio da fazenda", "Viola e suas variações", "Folia de Reis", "O jeca na estrada", "Mutirão", "Casamento na roça", "Amor caipira" e "Corpo fechado". As obras são construídas de forma a permitir que a viola caipira conte a história completa, atuando como um instrumento autossuficiente. As composições de Renato Andrade frequentemente evocam as paisagens sonoras mineiras e passagens de obras literárias, como os livros de Guimarães Rosa, traduzindo o cerrado mineiro e o rio São Francisco em melodias e harmonias. Sua técnica é notável pelo uso de múltiplos dedos na mão direita para pontear a viola, uma abordagem que se aproxima da técnica do violão erudito e que difere do estilo mais comum da viola caipira da época, que utilizava principalmente dois dedos. Esse virtuosismo permitiu-lhe explorar diferentes afinações, como o cebolão, a rio abaixo e a de guitarra, e criar passagens rápidas e complexas, ricas em harmônicos.
Legado
A Fantástica Viola de Renato Andrade é amplamente considerado o "marco zero" da viola solista moderna, redefinindo o papel do instrumento na música brasileira e inspirando uma nova geração de violeiros. A recepção da obra consolidou a reputação de Renato Andrade como um dos maiores mestres da viola caipira instrumental, abrindo caminho para que o instrumento fosse reconhecido e apreciado em salas de concerto no Brasil e no exterior. Sua abordagem inovadora influenciou nomes como Almir Sater, Chico Lobo e Ivan Vilela, que seguiram trilhas de exploração da viola em contextos menos tradicionais. Renato Andrade realizou turnês internacionais patrocinadas pelo Itamaraty entre 1978 e 1983, levando a viola caipira a 36 países nos Estados Unidos, Ásia e África, consolidando a viola como um instrumento de concerto e embaixatriz da cultura brasileira. Seu trabalho mesclou com maestria o popular e o erudito, rompendo barreiras e mostrando a versatilidade e a profundidade da viola caipira.
Faixas
Créditos
César Guerra-Peixe
Livros
Análises
Renato Andrade - A Fantástica Viola De Renato Andrade (1977)
toque-musicall.com
Temos então o primeiro disco de Renato que eu, confesso, não conhecia. Porém, do pouco que ouvi, posso afirmar: é fantástico! Estranhei a quantidade de músicas. Algumas são do álbum "Viola de Queluz". Seria um ;lp duplo? Não, apenas bonus extras, não é mesmo Giovanni?
Renato Andrade - A Fantástica Viola De Renato Andrade - OUVIR MÚSICA
ouvirmusica.com.br
Venha ouvir "Seriema No Campo", "Prelúdio da Inhuma", "Literatura do Cordel" e muitas outras músicas do álbum Renato Andrade - A Fantástica Viola De Renato Andrade!
Mestre Renato Andrade - a Fantástica Viola De Renato Andrade - 1977
cantosagradodaterra2.blogspot.com
sábado, 20 de setembro de 2014 MESTRE RENATO ANDRADE - A FANTÁSTICA VIOLA DE RENATO ANDRADE - 1977 ... BAIXE ESSE CANTO SAGRADO: CANTO SAGRADO Postado por TERRA BRASILIS 2 às
LP Renato Andrade - A Fantástica Viola De Renato Andrade (1977)
velvetdiscos.com.br
Início / LPs / MPB/Samba/Bossa / LP Renato Andrade - A Fantástica Viola De Renato Andrade (1977) Formato: 12'' Selo: Chantecler Encarte: Não Estado do Disco: VG: Very Good/ Muito Bom Estado da Capa: VG: Very Good/ Muito Bom (Vide Foto)
