Build Up
Rita Lee
1970

Ranking nas Listas
Por Que Esse Disco é Importante
Lançado em 1970, Build Up marca a estreia solo de Rita Lee, um feito notável dado que ela ainda era integrante fundamental da banda Os Mutantes. Este álbum se destaca por ser um registro precoce da versatilidade e do espírito inovador de Rita, que, mesmo sob a sombra do grupo psicodélico, já explorava caminhos musicais distintos, mesclando rock, pop, elementos de folk, música latina e até gospel em suas composições e interpretações. O disco, que se revelaria um "cult classic" anos mais tarde, oferece uma amostra da jovem Rita Lee em um de seus mais belos registros vocais, revelando uma artista que transitava com naturalidade entre diferentes gêneros. A capacidade de hibridizar influências internacionais com a tradição musical brasileira é uma marca que a acompanharia em sua brilhante trajetória, fazendo de Build Up um importante ponto de partida para a 'Rainha do Rock brasileiro'.
Contexto
Em 1970, ano de lançamento de Build Up, Rita Lee consolidava sua posição como peça-chave em Os Mutantes, uma banda pioneira do movimento tropicalista, conhecida por sua sonoridade experimental e a irreverência de suas letras. Contribuindo com vocais, flauta, percussão e como principal letrista do grupo, Rita já demonstrava um talento multifacetado. O projeto de Build Up, inicialmente, surgiu a partir de um musical, o "Build Up Eletronic Fashion Show", para a empresa Fenit em São Paulo, que era uma precursora da São Paulo Fashion Week. A gravadora Philips, ciente do potencial solo de Rita, aproveitou um período de "primeira separação" dos Mutantes para investir em sua carreira individual através desses musicais, culminando no lançamento deste álbum solo.
Gravação
O álbum Build Up foi gravado em 1970 no Estúdio Scatena, localizado em São Paulo, e contou com a produção de Arnaldo Baptista e Rogério Duprat. Manuel Barenbein também participou na coordenação da produção. Rogério Duprat, figura icônica da Tropicália, foi o responsável pelos arranjos orquestrais, imprimindo sua assinatura inovadora à sonoridade do disco. Apesar de ser um trabalho solo de Rita Lee, a forte ligação com Os Mutantes é evidente na participação de membros da banda nas gravações: Lanny Gordin na guitarra, Diógenes na bateria e Sérgio no baixo, contribuindo em todas as faixas. A mistura de rock, música latina, elementos orquestrais e gospel reflete a amplitude sonora explorada na produção. O álbum foi originalmente lançado com uma capa gatefold (dupla), um item que, na época, foi distribuído em poucos exemplares.
Músicas
Build Up apresenta uma diversidade de composições, revelando a criatividade de Rita Lee e seus colaboradores. Entre as faixas, destaca-se "José (Joseph)", uma versão em português da canção de Georges Moustaki, adaptada por Nara Leão, que se tornou um single e marcou o álbum, alcançando um sucesso moderado. Curiosamente, a inclusão de "José" no repertório foi uma insistência de Rita, já que Arnaldo e Sérgio, membros dos Mutantes, não apreciavam a canção. Outras canções notáveis incluem "Sucesso, Aqui Vou Eu (Build Up)", coescrita com Arnaldo Baptista, e "Calma", composta exclusivamente por Arnaldo. "Viagem ao Fundo de Mim", uma composição solo de Rita, é uma balada delicada que, segundo a própria artista, descreve uma experiência com LSD. O disco ainda surpreende com "Macarrão com Linguiça e Pimentão", que, de forma inusitada, é literalmente uma receita cantada. O álbum também conta com a regravação de "And I Love Him" dos Beatles. Élcio Decário foi um importante parceiro de composição neste trabalho, contribuindo em diversas faixas como "Precisamos de Irmãos", "Hulla-Hulla", "Tempo Nublado", "Prisioneira do Amor" e "Eu Vou Me Salvar". A faixa "Prisioneira do Amor" é descrita como um tango hilário, com uma interpretação inspirada de Rita e arranjo de Duprat, enquanto "Eu Vou Me Salvar" encerra o disco com um rock gospel de maneira primorosa e debochada.
Legado
Na época de seu lançamento, Build Up não obteve grande sucesso comercial e "não fez muito sucesso", sendo considerado um projeto paralelo de Os Mutantes que "não conseguiu cativar os ouvintes no Brasil". No entanto, ao longo dos anos, o álbum ganhou status de "cult classic" e, com o renovado interesse na obra dos Mutantes, passou a ser reavaliado por muitos como um dos trabalhos mais significativos e finos de Rita Lee. Após sua saída dos Mutantes em 1972, a carreira solo de Rita Lee decolaria para um sucesso comercial massivo, especialmente com o lançamento de Fruto Proibido em 1975, que vendeu mais de 700 mil cópias e gerou grandes hits. A trajetória de Build Up, de um álbum inicialmente subestimado a uma joia cult, reflete a profundidade artística de Rita Lee, cujas experimentações iniciais pavimentaram o caminho para se tornar a "Rainha do Rock brasileiro". O álbum tem sido objeto de diversas reedições, incluindo versões em vinil, atestando seu valor duradouro no catálogo da artista.
Faixas
Créditos
Arnaldo Baptista, Rogério Duprat
Podcasts
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Sucesso, aqui vou eu! - O primeiro solo de Rita Lee participam desse episódio: Patricia Palumbo, Silvia Machete, Milton Guedes, Lucinha Lins e Laert Sarrumor. ****** A discografia de Rita Lee, além de rica e diversa, faz um panorama do crescimento do pop/rock brasileiro. Rita é personagem fundamental desde a Tropicália, passando pelo rock dos anos 70 e 80, pioneira no fenômeno dos Acústicos dos
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Filmes

Rita Lee - Biograffiti: Cor de Rosa Choque
2007
Rita Lee se transformou na principal referência do rock-pop brasileiro. Compôs canções antológicas abordando o universo feminino, tema de "Cor de Rosa Choque", terceira parte da série documental "Biograffiti". Assuntos como a feitiçaria das mulheres, as musas que a inspiraram, as maravilhas de envelhecer e os mistérios não revelados da alma feminina são tratados nesse documentário de maneira bem humorada e emocionante. "Todas as Mulheres do Mundo", "Pagu" e "Erva Venenosa" são algumas das muitas canções mostradas, e foram retiradas do show gravado em Novembro de 2006 no Morro da Urca, no Rio de Janeiro. Há também preciosos arquivos históricos, como os encontros de Rita e Elis em 1978, cantando "Doce de Pimenta", e Rita e Cássia Eller, em 1998, cantando "Luz del Fuego". "Cor de Rosa Choque" também traz a gravação da música "Tão", um rock inédito.

Rita Lee - Biograffiti: Baila Comigo
2007
A vida na estrada é o tema de ‘Baila Comigo’, segunda parte da trilogia documental "Biograffiti" sobre a vida e obra de Rita Lee. A cantora fala sobre o prazer de compor, da sua afinidade com o público e conta como nasceram algumas de suas músicas. Fala ainda de cinema, de drogas e do Rio de Janeiro. O documentário mostra o encontro de Rita e João Gilberto cantando Joujoux et Balangandans, flagra Rita e Roberto de Carvalho finalizando uma nova canção chamada ‘Dinheiro’ e apresenta as canções do show da cantora em janeiro de 2007 na Praia de Copacabana. Lá Rita cantou os sucessos ‘Mania de Você’, ‘Lança Perfume’, ‘Agora só falta Você’ e ‘Flagra’, entre outros. E para homenagear a Cidade Maravilhosa, cantou junto com as 180 mil pessoas presentes na praia a canção ‘Valsa de Uma Cidade’.

Rita Lee - Biograffiti: Ovelha Negra
2007
A primeira parte da trilogia documental "Biograffiti", mostra os primeiros tempos da cantora: a infância, a família, a escola, os Mutantes, o Tropicalismo e o Tutti Frutti. Uma viagem imperdível aos primórdios do que se fez de mais moderno na música brasileira nas últimas décadas. Além de grandes sucessos da carreira de Rita e das presenças de Caetano Veloso e Tom Zé, o documentário apresenta uma nova canção inédita.

Rita Lee: Mania de Você
2025
O filme revisitará a trajetória e os desafios que a rainha do rock enfrentou ao longo da vida e contará com depoimentos de familiares, amigos e grandes nomes da música brasileira.
Livros

Os 500 Maiores Álbuns Brasileiros de Todos os Tempos
Ricardo Alexandre · 2022
A maior eleição de música brasileira já feita: 162 especialistas, entre jornalistas, críticos, músicos, produtores e podcasters, indicaram, cada um, 50 discos essenciais, apoiados por uma masterlist de mais de 2.000 obras. Encabeçada por Ricardo Alexandre, com tabulação de Sérgio Jomori, foi publicada em dezembro de 2022 em um livro de 200 páginas em capa dura, com projeto gráfico de Fernando Pires.

Rita Lee: Uma Autobiografia
Rita Lee · 2016
Autobiografia da renomada musicista de rock brasileira Rita Lee, cobrindo sua carreira profissional e sua vida pessoal desde a infância. Sendo a narrativa da própria artista, oferece um panorama aprofundado de sua trajetória, incluindo o período de lançamento do álbum 'Build Up' e o contexto de sua criação.
Análises
Build Up – Wikipedia
Wikipédia, a enciclopédia livre
Rita Lee: 55 anos de "Build Up"
bcfblogculturaefutebol.blogspot.com
Hoje, 8 de maio, completam-se dois anos da partida da grande Rita Lee Jones (1947-2023) e, para celebrarmos o seu legado, destacarei a respeito do álbum "Build Up", que completa 55 anos de lançamento em 2025.
Build Up, de Rita Lee - PáginaDois
paginadoisblog.com
Build Up é o primeiro disco da carreira solo de Rita Lee. O álbum foi gravado quando ela ainda era parte dos Mutantes, e os músicos da banda, inclusive aparecem em várias faixas.
Boomerang Music | "BUILD UP", primeiro disco solo de RITA LEE, ganha ...
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Sucesso, aqui vou eu". É assim que Rita Lee abre o seu primeiro disco solo, "Build Up", de 1970. A canção, inspirada nos clássicos musicais, ganhou o luxuoso arranjo de orquestra do maestro tropicalista Rogério Duprat.
Build Up, álbum de estreia de Rita Lee, ganha versão de luxo
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Sucesso, aqui vou eu ". É assim que Rita Lee abre o seu primeiro disco solo, Build Up, de 1970. A canção, inspirada nos clássicos musicais, ganhou o luxuoso arranjo de orquestra do maestro tropicalista Rogério Duprat.