Atrás do Porto Tem uma Cidade

Rita Lee e Tutti Frutti

1974

Capa de Atrás do Porto Tem uma Cidade
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

Atrás do Porto Tem uma Cidade, lançado em junho de 1974, marca um ponto crucial na discografia de Rita Lee, sendo seu terceiro álbum de estúdio e o primeiro em parceria com a banda Tutti Frutti. Este trabalho representa uma ruptura significativa com a sonoridade psicodélica de sua fase com Os Mutantes, pavimentando o caminho para um rock brasileiro mais direto, embora ainda longe do mainstream da época. O álbum é uma demonstração vigorosa do talento de Rita Lee em sua nova fase, misturando influências do rock dos Rolling Stones com elementos de glam rock, blues rock e uma pitada de funk, tudo embalado por seu humor e peso característicos. A crítica especializada, como o AllMusic, reconheceu sua qualidade, atribuindo-lhe uma avaliação de 4 de 5 estrelas. É um disco fundamental para entender a evolução de Rita Lee como a 'primeira-dama do rock nacional', ou 'titia dos roqueiros', consolidando sua identidade artística pós-Mutantes.

Contexto

O lançamento de Atrás do Porto Tem uma Cidade ocorre em um momento de transição e redefinição para Rita Lee. Após sua saída, em 1972/1973, de Os Mutantes, um período que ela descreveu como uma grande decepção, a artista buscou novos horizontes musicais. Seus trabalhos solo anteriores, *Build Up* (1970) e *Hoje É o Primeiro Dia do Resto da Sua Vida* (1972), já sinalizavam sua individualidade, mas foi com a formação do Tutti Frutti que Rita encontrou uma nova casa para sua expressão roqueira. Inicialmente, Rita Lee formou as Cilibrinas do Éden com a guitarrista Lúcia Turnbull. Mais tarde, com a adição de Lee Marcucci no baixo, Luis Carlini na guitarra e Mamão (Emílio Colantonio) na bateria, o Tutti Frutti foi consolidado. Esse período foi essencial para Rita Lee fazer uma transição para uma fase mais independente e roqueira, distanciando-se das amarras criativas que sentia em sua gravadora anterior, a Philips, que geraram um relacionamento tenso e a eventual mudança para a Som Livre para o álbum seguinte, *Fruto Proibido*.

Gravação

Atrás do Porto Tem uma Cidade foi gravado em 1974 e contou com a produção de Marco Mazzola. A ficha técnica do álbum revela a formação robusta do Tutti Frutti, com Rita Lee assumindo vocais, clavinet, Minimoog, Mellotron, piano, órgão, pandeiro e palmas. Lúcia Turnbull complementava com vocais de apoio, guitarra, violão de 12 cordas e palmas. A base instrumental era completada por Luis Sérgio Carlini nas guitarras (incluindo guitarra havaiana), Lee Marcucci no baixo e Mamão e Paulinho Braga revezando-se na bateria. O disco também contou com participações especiais, como Juarez no saxofone tenor e Luis Cláudio na jazz guitar. Notavelmente, Ely Arco Verde foi responsável pelos arranjos de orquestra nas faixas "Menino Bonito" e "Ando Jururu", adicionando uma camada de sofisticação à produção. Apesar de haver divergências nas concepções artísticas entre Rita Lee e o produtor Mazzola, o resultado final demonstrou a força e originalidade do projeto. O LP original incluía um pôster da banda, refletindo o clima de rock e atitude da época.

Músicas

Com dez faixas e uma duração total de 29:46, Atrás do Porto Tem uma Cidade apresenta um repertório em que Rita Lee é a principal compositora, assinando a maioria das canções sozinha, e co-assinando "Yo No Creo Pero...", "Tratos à Bola" e "Círculo Vicioso" com Lee Marcucci e Luis Sérgio Carlini. O álbum é recheado de canções que se tornaram marcantes em sua carreira. Destaques incluem a balada "Menino Bonito", uma canção suave com piano e arranjos de cordas, e "Eclipse do Cometa", que explora uma temática espacial. Outras faixas notáveis são a cativante "Ando Jururu", cuja letra expressa a angústia e a busca por novos caminhos de Rita após sua saída dos Mutantes, e a vibrante "Círculo Vicioso", com uma pegada funky. "De Pés no Chão", com um saxofone "matador", "Mamãe Natureza" (que se tornou um hit radiofônico) e "Pé de Meia", com influências claras dos Rolling Stones, também são exemplos da versatilidade e energia do álbum.

Legado

Atrás do Porto Tem uma Cidade, apesar de ter vendido cerca de 9 mil cópias em seu lançamento, consolidou-se ao longo do tempo como um álbum de grande importância na trajetória de Rita Lee e na história do rock brasileiro. Sua repercussão se estendeu por décadas, com diversas homenagens e releituras. Em 1985, a canção "Menino Bonito" foi regravada por Wanderléa em tributo ao seu filho falecido e, no mesmo ano, tornou-se tema da novela *Um Sonho a Mais*, da Rede Globo. A própria Rita Lee revisitou o álbum, regravando "Ando Jururu" com a banda Raimundos para seu disco *Santa Rita de Sampa*, de 1997. Mais recentemente, em 2024, a faixa "Menino Bonito" foi novamente destacada quando uma víbora-dos-lábios-brancos resgatada na Bahia foi batizada em sua homenagem pelo Instituto Butantan. Considerado um marco de transição para a sonoridade pop-rock de Rita, este álbum é avaliado positivamente pela crítica, recebendo 4 de 5 estrelas do AllMusic, e é frequentemente citado como um clássico, ainda que seu sucesso comercial inicial não tenha atingido os patamares de seus álbuns posteriores, como *Fruto Proibido*.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Arranjo

Tutti Frutti

Vocais

Lucia Turnbull, Rita Lee

Baixo

Lee Marcucci

Bateria

Mamão, Paulinho

Guitarra

Lucia Turnbull

Guitarra Solo

Lucia Turnbull, Luis Sérgio Carlini

Corte

Joaquim Figueira

Referências

Livros