Fruto Proibido

Rita Lee & Tutti Frutti

1975

Capa de Fruto Proibido
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

Fruto Proibido, lançado em 1975 por Rita Lee e a banda Tutti Frutti, é um trabalho seminal que redefiniu a carreira da artista e a estabeleceu como um ícone do rock brasileiro. Este álbum marcou um ponto de virada significativo em sua trajetória, consolidando a liberdade artística que Lee tanto almejava após suas experiências anteriores. Musicalmente, o disco incorpora predominantemente os estilos glam rock e blues, com uma sonoridade que transborda rebeldia e um toque de sofrimento, distanciando-se das inflexões zombeteiras de seus tempos com Os Mutantes. As letras de Fruto Proibido são um manifesto de auto-capacitação e anseio por liberdade, abordando temas como desprezo parental, despedidas e narrativas que celebram personalidades despidas de pudor, como Luz del Fuego e Isadora Duncan. Os vocais de Rita Lee são notados por sua espontaneidade e por exibir uma faceta mais crua e autêntica, característica que se tornaria uma marca registrada em sua obra. Com uma composição que Rita Lee assinou ou co-escreveu em todas as faixas, Fruto Proibido é uma expressão genuína da visão da artista e de sua banda. É um álbum que, desde seu lançamento, captura a atenção pela sua inovação sonora e pela força de suas mensagens, elementos que o tornam uma peça indispensável na história da música brasileira.

#16

o primeiro álbum do rock brasileiro que não soava versão da matriz inglesa.

Marcus Preto · Rolling Stone Brasil

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Contexto

Após sua saída conturbada d'Os Mutantes em 1972, devido a divergências musicais e pessoais, Rita Lee enfrentou um período de reestruturação em sua carreira. Rejeitada pela banda que buscava uma sonoridade mais progressiva, Lee voltou a morar com os pais e começou a compor, buscando uma nova forma de apresentar suas músicas. Uma tentativa inicial com as Cilibrinas do Éden, ao lado de Lúcia Turnbull, não obteve o sucesso esperado em um festival de 1973. A formação da banda Tutti Frutti, com Luis Sérgio Carlini, Lee Marcucci e Emilson Colantonio (posteriormente substituído por Franklin Paolillo), marcou o início de uma nova fase. O primeiro álbum dessa parceria, Atrás do Porto Tem uma Cidade (1974), pela Philips, não alcançou o desempenho comercial esperado e foi marcado por atritos e pouca liberdade criativa. O descaso da gravadora e a falta de autonomia na produção levaram Lee e o Tutti Frutti a buscarem um novo lar musical, encontrando na Som Livre a promessa de total liberdade para o projeto seguinte.

Gravação

O rompimento com a Philips e a busca por um novo contrato levaram Rita Lee e o Tutti Frutti à Som Livre, sob a batuta de João Araújo, que garantiu total liberdade criativa. A gravação de Fruto Proibido foi precedida por um período intenso de ensaios, com a banda e Rita Lee residindo por alguns meses em uma casa emprestada à beira da represa de Ibiúna. Durante esse retiro, a artista mantinha duas cobras, supostamente subtraídas do cantor Alice Cooper após um show em São Paulo. Foi nesse contexto que Rita Lee conheceu Andy Mills, técnico de som de Cooper, a quem convidou para produzir o álbum devido à imediata identificação musical. As sessões de gravação ocorreram em abril de 1975, no Estúdio Eldorado, em São Paulo, pioneiro no Brasil por possuir uma mesa de 16 canais. Mills optou por manter todos os músicos na mesma sala para capturar uma atmosfera mais ao vivo, o que contribuiu para o som inovador do disco. A maioria das canções foram compostas por Lee, que em algumas faixas dividiu a autoria com Paulo Coelho, e em outras com Marcucci e Carlini. Uma anedota notável envolveu a finalização de "Ovelha Negra", cujo solo de guitarra, sonhado por Carlini, exigiu persistência para ser incluído no álbum já em fase de mixagem, mas acabou sendo aprovado e elogiado por todos.

Músicas

Do ponto de vista musical, Fruto Proibido é uma fusão poderosa de glam rock e blues, enriquecida por uma gama de instrumentos que incluem guitarras marcantes, violões acústicos, minimoog e sintetizador. As letras, embora não façam referências políticas diretas, capturam o ideário da juventude da época, com temas de busca por liberdade e rebeldia contra a ordem vigente. Os vocais de Rita Lee, com inflexões infanto-juvenis, expressam agora rebeldia e até sofrimento, abandonando o tom debochado de seus trabalhos anteriores. Uma característica marcante do álbum é a citação a mulheres notáveis da história, uma constante na obra de Lee. "Dançar Pra Não Dançar" abre o disco resgatando a história da bailarina Isadora Duncan, símbolo de quebra de dogmas e busca por liberdade de movimento e espírito criativo. A canção é embalada por um solo de guitarra que convida a uma liberdade de viés psicodélico. "Agora só Falta Você" explora a libertação de um relacionamento tóxico e a busca pela realização pessoal, celebrando a autoestima e o prazer de ser autêntico, enquanto ainda anseia pelo amor.

Insatisfeita com os rumos progressivos da banda e desgastada por desavenças pessoais, Rita Lee se ejetou dos Mutantes em 1972. Antes, ela já havia até lançado dois álbuns solo, Build up e Hoje é o primeiro dia do resto da sua vida, título mais bandeiroso impossível.

Arthur Dapieve · 300 Discos Importantes

Legado

Fruto Proibido proporcionou a Rita Lee um nível de sucesso comercial inédito, projetando-a como uma das maiores vendedoras de álbuns no Brasil àquela época. O disco atingiu a sétima posição na parada musical do IBOPE e se tornou o primeiro álbum de rock de um artista a superar a marca de 50 mil unidades vendidas em solo brasileiro, garantindo a Lee o segundo melhor desempenho comercial para uma cantora no ano de seu lançamento. Para a promoção, a artista participou de programas de televisão e realizou a aclamada Turnê Fruto Proibido, elogiada por sua presença de palco e qualidade técnica. A recepção crítica foi de aclamação, com elogios direcionados aos vocais de Lee, ao instrumental e à espontaneidade de sua performance. Retrospectivamente, Fruto Proibido é amplamente considerado o álbum que consolidou o status de Rita Lee como uma das maiores artistas do rock brasileiro e um símbolo de expressão e representatividade feminina dentro do gênero e da música brasileira em geral, tanto durante a ditadura militar quanto na contemporaneidade. Sua influência é inegável, com artistas como Manu Gavassi, Zelia Duncan e Pitty creditando a obra e suas canções como um ponto crucial para suas próprias construções musicais. O álbum foi classificado na 16ª posição na lista dos 100 melhores álbuns da história da música brasileira pela Rolling Stone Brasil, e a versão estadunidense da revista o enumerou entre os melhores discos de rock latino-americanos de todos os tempos.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Arranjo

Rita Lee, Tutti Frutti

Arranjo [Vocals]

Rita Lee

Coprodução

Otávio Augusto

Produção

Andy Mills

Vocais de Apoio

Gilberto Nardo, Rubens Nardo

Violão, Sintetizador

Rita Lee

Contrabaixo, Cowbell

Lee Marcucci

Bateria, Percussão

Franklin Paolillo

Guitarra, Slide Guitar, Violão, Gaita, Vocais de Apoio

Luis Sérgio Carlini

Flauta

Manito

Órgão [Hammond]

Manito

Other [Amplificação]

Snake

Piano, Clavinete

Guilherme S. Bueno

Saxofone

Manito

Mixagem

Luis Carlos Baptista

Técnico

Gaivota

Técnico [Recorded By]

Flávio Augusto Ferreira, Luis Carlos Baptista

Arte

Kélio Rodrigues

Fotografia

Meca

Podcasts

Referências

Livros