É Proibido Fumar

Roberto Carlos

1964

Capa de É Proibido Fumar
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Porque Merece Estar na Lista

É Proibido Fumar, lançado em agosto de 1964, é um álbum seminal na discografia de Roberto Carlos e um marco na história do rock brasileiro. Representando o terceiro trabalho de estúdio do artista, ele assinala a definitiva guinada de Roberto Carlos para o rock and roll, estabelecendo a sonoridade que o consagraria como o "Rei" e pavimentaria o caminho para o fenômeno da Jovem Guarda. Este disco não apenas consolidou a identidade musical de Roberto, mas também se tornou um dos pilares do rock jovem no Brasil, incorporando influências de rockabilly, surf rock e doo-wop. Com uma duração de pouco mais de 28 minutos, o álbum é uma explosão de energia juvenil e rebeldia, apresentando clássicos atemporais que ressoam até hoje. A ousadia de Roberto Carlos em investir plenamente no rock após o sucesso de seu trabalho anterior o transformou de uma promessa em um verdadeiro fenômeno da música brasileira, capturando o espírito de uma geração e moldando a paisagem sonora do país. O álbum demonstra a capacidade de Roberto de transitar entre composições próprias e versões, sempre com uma roupagem autêntica e vibrante que o destacaria no cenário musical.

Contexto

Antes de É Proibido Fumar, Roberto Carlos buscava afirmação na cena musical brasileira. Seus primeiros passos na carreira, no final da década de 1950, incluíram incursões pela bossa nova e samba-canção, que não obtiveram o êxito desejado. Foi ao retornar ao rock and roll, um estilo que o cativou desde a juventude, que Roberto começou a encontrar sua verdadeira voz artística, embalado pelo bom desempenho do álbum anterior, Splish Splash, de 1963. O ano de 1964, marcado pelo lançamento do disco, coincidiu com o início da ditadura militar no Brasil, um período de repressão moral e conservadorismo. Nesse cenário, o álbum de Roberto Carlos surge como um ato de atitude e enfrentamento, com letras que, por vezes, desafiavam as normas sociais. A ascensão da cultura jovem e do rock, com suas guitarras elétricas e uma nova forma de expressar o amor e a vida, representava uma significativa novidade musical, e Roberto Carlos se posicionava como seu principal porta-voz.

Gravação

O álbum É Proibido Fumar foi gravado em junho de 1964 nos renomados estúdios da CBS no Rio de Janeiro, com a produção de Evandro Ribeiro. Roberto Carlos, além dos vocais, contribuiu com violão e guitarra, demonstrando seu envolvimento instrumental na criação da sonoridade. O acompanhamento ficou a cargo da banda The Angels, posteriormente conhecida como The Youngsters, que assumiu a instrumentação em todas as faixas e contava com Sérgio Becker no saxofone. Um episódio notável da gravação envolve a canção "O Calhambeque". Originalmente planejada para ter arranjos com metais, a gravação noturna impediu a presença de músicos de sopro. A solução encontrada foi um arranjo acústico e improvisado, com a percussão sendo realizada de forma criativa: o baterista Romir utilizou uma lata de fita de gravação, tocada com vassourinhas, conferindo um toque singular à faixa.

Músicas

É Proibido Fumar apresenta uma rica tapeçaria de canções que se tornaram símbolos da era. A faixa-título, parceria de Roberto com Erasmo Carlos, e "O Calhambeque", uma versão de "Road Hog" assinada por Erasmo, destacam-se como clássicos absolutos do rock brasileiro e presenças constantes nos shows do Rei. O álbum também inclui outras canções de grande repercussão, como "Um Leão Está Solto Nas Ruas", "Minha História De Amor" e "Rosinha", além de versões marcantes como "Nasci Para Chorar" (de "I Was Born To Cry" de Dion DiMucci) e "Desamarre O Meu Coração" (de "Unchain My Heart", sucesso de Ray Charles). "Broto Do Jacaré" é um exemplo vibrante da inclusão do estilo surf music no repertório, remetendo à sonoridade popularizada pelos Beach Boys. A contribuição de Erasmo Carlos foi fundamental, coescrevendo não apenas a faixa-título, mas também "Broto do Jacaré" e "Louco Não Estou Mais", além de ser o responsável pelas versões de "O Calhambeque" e "Nasci Para Chorar". As letras abordam temas juvenis e, em faixas como "É Proibido Fumar", carregavam uma mensagem provocadora, alinhada ao espírito de uma juventude que reagia à repressão da época.

Legado

É Proibido Fumar é amplamente reconhecido como um dos álbuns mais importantes do rock brasileiro, essencial para a formação do gênero no país. O lançamento impulsionou as vendas de Roberto Carlos de 9 mil cópias em 1963 para quase 60 mil em 1964, marcando sua ascensão de promessa a fenômeno musical. Foi um catalisador decisivo para o surgimento e a consolidação do movimento da Jovem Guarda, posicionando Roberto Carlos como o principal porta-voz e ícone dessa geração. A influência do álbum transcendeu sua época. Canções como "É Proibido Fumar" tornaram-se verdadeiros hinos e foram revisitadas por diversas gerações de artistas. Bandas como Skank regravaram a faixa-título em 1994, recolocando-a nas paradas de sucesso e mostrando sua atemporalidade. A canção também foi interpretada por nomes como Rita Lee e Samuel Rosa, evidenciando seu impacto duradouro na cultura pop brasileira. Além disso, o álbum recebeu certificação de Platina no Brasil, com 250 mil unidades vendidas, atestando seu sucesso comercial e popularidade.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Fotografia [Capa Foto]

Armando Canuto

Referências

Livros