Roberto Carlos
Roberto Carlos
1971

Ranking nas Listas
Por Que Esse Disco é Importante
Roberto Carlos, o décimo primeiro álbum de estúdio do cantor, lançado em dezembro de 1971 pela CBS, representa um marco na trajetória do artista e da música brasileira. Este trabalho é considerado um álbum de transição, no qual Roberto Carlos, já aclamado pelo público como um grande ídolo nacional, solidificou o reconhecimento da crítica como um dos mais importantes criadores da nossa música, frequentemente em parceria com Erasmo Carlos. Ao atingir os 30 anos, Roberto Carlos entrou em uma fase de maior maturidade artística, assumindo de forma definitiva sua veia romântica. O álbum foi crucial para sua consagração como o maior ídolo romântico da música brasileira, um status que perdura até os dias atuais. Sua entrada no panteão dos grandes autores da MPB deve-se tanto ao estilo moderno de interpretar canções românticas quanto à ênfase temática de faixas como "Detalhes", que se distanciava do convencional lamento do desamor ao evocar lembranças marcantes de relacionamentos terminados. Para muitos, Roberto Carlos de 1971 é considerado o melhor e mais importante disco de sua carreira, um trabalho que reúne as diversas facetas do artista em uma obra coesa e profundamente significativa.
Roberto, na época, era puro romantismo, sem ser meloso.
Toninho Spessoto · Rolling Stone Brasil
Contexto
Na década de 1960, Roberto Carlos emergiu como o principal ícone da Jovem Guarda, estabelecendo-se como uma referência para a juventude brasileira. A partir de 1968, o cantor iniciou um processo de amadurecimento em seu repertório, que culminaria em discos lançados em 1968 e 1969, fortemente influenciados pela música negra norte-americana. À medida que o ano de 1971 se iniciava, Roberto, então com 30 anos, passava a reforçar e aprofundar sua faceta romântica, culminando neste álbum que é visto como um divisor de águas em sua maturidade artística e temática.
Gravação
O álbum Roberto Carlos de 1971 marcou um ponto significativo na produção do artista por ser o primeiro a ser gravado nos Estados Unidos. O trabalho de gravação foi realizado em outubro de 1971, no estúdio da gravadora CBS, localizado em Nova York, enquanto a fase de pré-produção ocorreu no Rio de Janeiro. Os arranjos musicais ficaram sob a responsabilidade do renomado pianista e maestro norte-americano Jimmy Wisner, que assinou a maior parte das orquestrações, com exceção das faixas "Amada Amante" e "Eu Só Tenho Um Caminho". A produção executiva do álbum foi de Evandro Ribeiro, com Eugênio e Dilmar atuando como técnicos de gravação. A equipe de músicos contou com Roberto Carlos nos vocais, Paulo César Barros, dos Renato e Seus Blue Caps, no baixo, e Altamiro Carrilho com sua flauta em "Detalhes". Além deles, participaram diversos músicos de estúdio, todos sob a regência e os arranjos do maestro Jimmy Wisner.
Músicas
O álbum de 1971 é um tesouro de composições que exploram as múltiplas nuances do romantismo e da identidade de Roberto Carlos. A faixa "Detalhes" é amplamente reconhecida como o marco zero de sua consagração como o maior cantor romântico do país, destacando-se por sua abordagem lírica que, ao invés do ressentimento, evoca memórias marcantes de um relacionamento. Essa precisão lírica, uma das muitas presentes no disco, também se manifesta em "Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos" e "Amada Amante". A primeira, uma balada romântica que o público cantou por mais de duas décadas, revelou-se em 1992 como uma homenagem a Caetano Veloso durante seu exílio em Londres. "Amada Amante", por sua vez, apresenta um Roberto sedutor e audacioso, que defende um amor livre de convenções. Mesmo sendo um álbum de transição, a influência da soul music e do funk da fase anterior de Roberto Carlos ainda é palpável. Isso se evidencia no arranjo blues de "Como Dois e Dois", de Caetano Veloso, na levada soul-gospel de "Eu Só tenho Um Caminho", de Getúlio Cortes, e no vibrante funk "Todos Estão Surdos". O intérprete sensível e irresistível brilha em "A Namorada", "Se Eu Partir" e na autoral "De Tanto Amor", esta última eleita pelo Jornal do Brasil em 2005 como uma das dez mais belas canções brasileiras de todos os tempos. O álbum também nos brinda com o Roberto Carlos brincalhão e descontraído em fox-trots como "Você Não Sabe o Que Vai Perder" e "I Love You", onde ele homenageia a velha guarda romântica da MPB e até parece satirizar a própria pieguice com a voz empostada. Finalmente, a dimensão autobiográfica do artista emerge na confessional "Traumas", onde, com certa reserva, ele aborda pela primeira vez seu acidente de infância, em versos que revelam a delicadeza de sua alma.

Quase simultaneamente ao final do programa Jovem Guarda, em 1969, Roberto Carlos começou a empreender a transição de Rei da Juventude Transviada para Rei da Maturidade Bem-Comportada – o que não melhorou em nada a sua imagem diante dos patrulheiros ideológicos da esquerda.
Arthur Dapieve · 300 Discos Importantes
Legado
Roberto Carlos de 1971 consolidou definitivamente a figura de Roberto Carlos como o "Rei" da música brasileira, transcendendo sua imagem de ícone da Jovem Guarda. A crítica do jornal O Estado de S. Paulo, à época do lançamento, já afirmava que Roberto poderia ser "colocado, sem favor, entre os melhores intérpretes da música brasileira". A relevância duradoura do álbum é atestada por diversas publicações e enquetes. Foi eleito pela Rolling Stone Brasil como o 28º maior disco brasileiro. Em setembro de 2012, uma votação conjunta da Rádio Eldorado FM, do portal Estadao.com e do Caderno C2+Música o elegeu como o décimo melhor disco brasileiro de todos os tempos. Em uma análise posterior, o jornalista Mauro Ferreira destacou que o disco é um dos poucos que "conservam o encanto e, de certa forma, a atualidade por tocar em temas atemporais", solidificando a entronização vitalícia de Roberto Carlos como um dos cantores mais populares do Brasil.
Faixas
Créditos
Jimmy Wisner
Armando Canuto
Podcasts
Discoteca Básica Podcast · Parasol Storytelling
O PRIMEIRO DISCO DO RESTO DA VIDA DE ROBERTO CARLOS. Em 1971, Roberto Carlos completa seu ciclo de amadurecimento com o álbum de “Detalhes” e “Amada Amante”. Convidado do episódio: Xico Sá Confira os episódios extras do CLUBE DISCOTECA BÁSICA. Saiba como assinar e aproveitar 30 dias grátis: https://podcastdiscotecabasica.com/assine/ Conheça o novo site do programa: https://podcastdiscotecabasica.c
Brazuca Sounds · Leandro Vignoli
In episode #10 we celebrate Roberto Carlos' 80th birthday discussing his self-titled album released 50 years ago in 1971. After a short transitional period of immersing himself in Soul and Funk music, this is the record that would set the tone for the rest of his career. From being a Brazilian Elvis to a full-blown version of a Brazilian Sinatra, or simply, O Rei (The King). Follow our playlist on
QUER QUE EU RESENHE? · André Marx
Em outra belíssima resenha, o grande George Teixeira volta ao canal pra falar sobre uma obra-prima, aquele que pra imensa maioria é o maior álbum do Rei: o disco de 71, com "Detalhes". Sejam bem-vind@s ao Canal/Podcast QUER QUE EU RESENHE? e esperamos que vocês gostem.
Vídeos
ROBERTO CARLOS 1971 | ALBUM REVIEW
Som de Peso
Álbum Roberto Carlos 1971 Comentário
Roni Fernandes
Detalhes: Por que o disco de 1971 muda tudo na carreira de Roberto Carlos?
Pitadas do Sal
Roberto Carlos 1971: A influência gospel em Roberto que muita gente não percebeu
Pitadas do Sal
Roberto Carlos 1971 Album [Review]
Discomaníacos
Roberto Carlos - Roberto Carlos (1971) | ALBUM REVIEW | ESPECIAL ROBERTO CARLOS 80 ANOS
QUER QUE EU RESENHE?
Filmes

Roberto Carlos a 300 Km por Hora
1971
Mecânico de carros de corridas, ambicionando tornar-se piloto, substitui um corredor traumatizado em acidente.

Roberto Carlos em Ritmo de Aventura
1968
Roberto Carlos, ídolo da música jovem brasileira, é perseguido por um bando que pretende utilizá-lo para a produção em massa de canções, com a ajuda de um cérebro eletrônico. Roberto, que está fazendo um filme com o vilão francês Pierre, é obrigado a fugir de helicóptero, avião, automóvel, tanque e até foguete espacial, indo do Rio a São Paulo e a Nova York e Cabo Kennedy, mas no fim, tudo acaba bem, para ele, seus amigos e os adversários." (Guia de Filmes, 14) (Cinemateca Brasileira)
Livros

Os 500 Maiores Álbuns Brasileiros de Todos os Tempos
Ricardo Alexandre · 2022
A maior eleição de música brasileira já feita: 162 especialistas, entre jornalistas, críticos, músicos, produtores e podcasters, indicaram, cada um, 50 discos essenciais, apoiados por uma masterlist de mais de 2.000 obras. Encabeçada por Ricardo Alexandre, com tabulação de Sérgio Jomori, foi publicada em dezembro de 2022 em um livro de 200 páginas em capa dura, com projeto gráfico de Fernando Pires.
Roberto Carlos
Jotabê Medeiros · 2021
Esta é uma biografia abrangente de Roberto Carlos, escrita por Jotabê Medeiros, um jornalista de música respeitado. O livro explora a trajetória do artista mais popular do Brasil, desde sua onipresença na televisão nos anos 1960, seus sucessos que marcaram gerações, seus triunfos artísticos e dramas pessoais, até sua figura pública reservada e sua religiosidade. Abrange as décadas de sua carreira, incluindo os anos 1970, período em que o álbum de 1971 foi lançado, sendo essencial para entender seu contexto e impacto.

300 Discos Importantes da Música Brasileira
Charles Gavin, Tárik de Souza, Carlos Calado, Arthur Dapieve · 2008
Idealizado pelo baterista dos Titãs e pesquisador musical Charles Gavin, o livro de 434 páginas reúne capas e resenhas de discos lançados entre 1929 e 2007. Os textos ficaram a cargo dos jornalistas Tárik de Souza, Arthur Dapieve e Carlos Calado.
Análises
Roberto Carlos – Wikipedia
Wikipédia, a enciclopédia livre
Roberto Carlos – Os 100 Maiores Discos da Música Brasileira
Toninho Spessoto · Rolling Stone Brasil
Roberto, na época, era puro romantismo, sem ser meloso.
Álbum de 1971 que consolidou reinado de Roberto Carlos faz 50 ... - G1
g1.globo.com
Lançado em dezembro de 1971, o álbum Roberto Carlos sedimentou a transformação gradual do artista e consolidou o reinado do cantor no Brasil conformista e anestesiado do inicio da década de 1970.
"Roberto Carlos" (CBS, 1971), Roberto Carlos
discosessenciais.blogspot.com
O sucesso da canção gospel "Jesus Cristo", do álbum de 1970, abriu uma nova linha de trabalho para Roberto Carlos: o das canções de temática cristã. Àquela altura, ao se tornar um cantor mais maduro e romântico, a popularidade de Roberto Carlos cresceu de maneira fantástica.
T03E16: Roberto Carlos - Roberto Carlos (1971) - Discoteca Básica
podcastdiscotecabasica.com
O PRIMEIRO DISCO DO RESTO DA VIDA DE ROBERTO CARLOS. Em 1971, Roberto Carlos completa seu ciclo de amadurecimento com o álbum de "Detalhes" e "Amada Amante".