Bahia Fantástica
Rodrigo Campos
2012

Porque Merece Estar na Lista
Bahia Fantástica, o segundo álbum de Rodrigo Campos lançado em 2012, representa um marco fundamental na trajetória do artista, consolidando-o como uma voz singular na cena musical brasileira contemporânea. Distanciando-se do caráter autobiográfico de seu trabalho anterior, Campos mergulha em uma "Bahia" que é, ao mesmo tempo, um cenário geográfico e um espaço íntimo e imaginário, utilizando-a como fio condutor para suas crônicas subjetivas e personagens fantásticos. A sonoridade do álbum é uma tapeçaria rica e inovadora, mesclando MPB com toques de pop, rock, jazz, soul e afrobeat, enriquecida por violões que dividem espaço com guitarras e sopros psicodélicos. Essa fusão experimental, aliada à sua habilidade em desenhar ambientes e personagens através de versos descritivos, garantiu a Bahia Fantástica um lugar de destaque e o reconhecimento da crítica como um avanço criativo em sua obra.
Contexto
O lançamento de Bahia Fantástica marcou uma virada significativa na carreira de Rodrigo Campos. Após o sucesso de seu álbum de estreia, São Mateus Nem É Um Lugar Assim Tão Longe (2009), que narrava suas experiências de infância e juventude na periferia paulistana, o artista enfrentou um período de "depressão criativa". Foi após sua mudança para Pinheiros, em São Paulo, que as composições começaram a fluir novamente, impulsionadas por um novo distanciamento de suas origens.
Gravação
A produção de Bahia Fantástica ocorreu entre os anos de 2010 e 2012, sob a direção artística de Romulo Fróes e a produção de Gustavo Lenza, que também foi responsável pela gravação e mixagem do álbum. O disco foi masterizado por Felipe Tichauer no Red Traxx Mastering Studio, com versões em vinil que contaram com masterização adicional de Carlos "Cacá" Lima nos estúdios da YB Music e Direct Metal Mastering por Rand. As sessões de gravação contaram com um seleto grupo de músicos renomados da cena paulistana, que contribuíram para a sonoridade única do álbum. Entre eles estavam Kiko Dinucci na guitarra, Marcelo Cabral no baixo e arranjos de cordas, Maurício Fleury nos teclados (Wurlitzer, Hammond, piano, sintetizador Pro-one), Maurício Takara na bateria e Thiago França nos sopros (saxofone tenor, flauta, EWI). Esse time de colaboradores, muitos dos quais são figuras centrais da efervescente vanguarda paulistana, conferiu ao trabalho uma riqueza instrumental e um tempero particular, com molho brasileiro e pitadas de afrobeat.
Músicas
No âmbito lírico, Bahia Fantástica aprofunda a técnica narrativa de Rodrigo Campos, que constrói suas canções em torno de personagens. Desta vez, esses personagens transitam em um cenário baiano, que se revela mais como um estado de espírito ou uma geografia interior do que um local estritamente físico, influenciado pela breve, mas intensa, passagem do artista pelo estado. As letras, que se destacam por sua natureza de "crônicas subjetivas", projetam cenas e desenham ambientes com um estilo próprio, partindo de vivências pessoais e inspirações de Campos, mas tratadas dentro de uma linguagem universal. A instrumentação do álbum é um ponto alto, com violões e guitarras se entrelaçando, e sopros psicodélicos que flertam com o jazz, pop e rock. Faixas como "Princesa do Mar" ganham destaque com um ritmo afrobeat vibrante, enquanto "Morte na Bahia" é pontuada por uma percussão marcante, ambas enriquecidas por colaborações vocais de Luisa Maita e Criolo em "Ribeirão", além de Juçara Marçal em "Jardim Japão" e "Sou de Salvador". A canção "Elias", por sua vez, retorna a paisagens da periferia paulistana, evidenciando a capacidade de Campos em transitar entre diferentes cenários com sua narrativa musical.
Legado
Bahia Fantástica solidificou a posição de Rodrigo Campos no cenário musical brasileiro, recebendo reconhecimento internacional com uma nota no The New York Times, que o apontou como um dos cantores mais importantes de sua geração na cidade de São Paulo. No Brasil, o álbum foi aclamado pela crítica, recebendo 4 de 5 estrelas do jornal Estadão e 3 de 5 estrelas da Folha de S. Paulo. A obra foi elogiada por veículos especializados como a Música Instantânea, que o considerou um salto significativo em relação ao trabalho anterior de Campos, destacando sua sonoridade abrangente e menos hermética em comparação com outros artistas da cena paulistana da época. Mesmo uma década após seu lançamento original, em 2012, Bahia Fantástica demonstrou vitalidade contínua, sendo reeditado em vinil em 2023. Essa reedição atesta não apenas sua relevância duradoura, mas também seu papel como um ponto de virada na inspiração lírica e estética de Campos, expandindo sua sonoridade do samba para incorporar influências da música negra estadunidense, como o soul de Curtis Mayfield.