A Banda Tropicalista do Duprat
Rogério Duprat
1968

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Por Que Esse Disco é Importante
A Banda Tropicalista do Duprat, lançado em 1968, é um álbum emblemático que reflete a genialidade de Rogério Duprat, figura central e muitas vezes subestimada do movimento tropicalista. Duprat foi um dos grandes responsáveis por personalizar a sonoridade da Tropicália, criando arranjos elaborados, criativos e alinhados com as tendências musicais internacionais da época. Este disco é uma audaciosa fusão de elementos pop-rock, ritmos latinos infecciosos e diversas formas da música brasileira. Ele se destaca pelas releituras surpreendentes de sucessos pop americanos e britânicos, misturando-os com composições de mestres brasileiros, resultando em uma atmosfera easy listening pontuada por arranjos excêntricos e inovadores. Conhecido como o "George Martin da Tropicália", Duprat imprimiu no álbum seu selo de psicodelia e experimentalismo sonoro. Embora o próprio Duprat não tenha ficado totalmente satisfeito com o resultado final, considerando-o "mais tropicalista por fora do que por dentro", o trabalho é inegavelmente um "must" para qualquer entusiasta do movimento, oferecendo uma janela para a mente de um dos maiores arranjadores da música brasileira.
Contexto
Rogério Duprat (1932-2006) teve uma formação musical erudita robusta, graduando-se no Conservatório Musical Heitor Villa Lobos em 1958. Sua busca por inovação o levou a estudar na Alemanha nos anos 60 com o vanguardista Karlheinz Stockhausen, um dos precursores da música eletrônica, e a ter contato com John Cage, ampliando seu horizonte musical. Em 1963, Duprat foi co-fundador da Orquestra de Câmara de São Paulo e um dos signatários do manifesto Música Nova, que defendia a superação da estética nacionalista e a atualização modernista na composição. Nesse mesmo ano, ele realizou uma experiência pioneira no Brasil, utilizando um computador IBM 1620 para compor a peça "Klavibm II", um marco na música eletrônica nacional. A Tropicália, por sua vez, representava o rompimento das barreiras entre a música erudita e a popular, em um cenário político brasileiro de intensa repressão e cerceamento da liberdade artística.
Gravação
Lançado em 1968, A Banda Tropicalista do Duprat foi gravado pela Companhia Brasileira de Discos, sob o selo Philips. A produção do álbum ficou a cargo de Manoel Barenbein, com a engenharia de som realizada por José Carlos Teixeira, João Kibelkstis e Stelio Carlini. Uma participação notável no disco é a do grupo Os Mutantes, composto por Arnaldo Dias Baptista, Rita Lee e Sérgio Dias Baptista, que colaboraram em pelo menos duas, e possivelmente até quatro, faixas do álbum.
Músicas
O repertório do álbum é uma coleção fascinante de releituras e composições originais que ilustram a visão musical abrangente de Duprat. O disco apresenta canções de mestres tropicalistas como Caetano Veloso e Gilberto Gil, ao lado de versões brasileiras de hits internacionais da época, como "Judy in Disguise" de John Fred e "The Rain, the Park and Other Things" dos The Cowsills. Outras faixas notáveis incluem "Canção Pra Inglês Ver", "Chiquita Bacana", "Flying" e as versões para "Cinderella Rockafella" e "Lady Madonna" dos Beatles, que demonstram a habilidade de Duprat em infundir sua estética experimental em diferentes gêneros. Embora o próprio Duprat tenha expressado insatisfação com a direção do disco, sentindo que ele não explorou plenamente o universo tropicalista, as canções exibem arranjos ricos, misturando pop-rock, ritmos latinos e harmonias inovadoras.
Legado
A Banda Tropicalista do Duprat, apesar das reservas do próprio artista, é hoje um álbum muito procurado e considerado um item essencial para os aficionados da Tropicália. Sua sonoridade, descrita como uma "mistura selvagem de elementos pop-rock e várias formas de música brasileira", mantém sua relevância e frescor, soando contemporânea mesmo décadas após seu lançamento. A influência de Rogério Duprat na sonoridade da Tropicália é inegável, estendendo-se aos primeiros álbuns de Os Mutantes, aos dois primeiros discos solo de Gilberto Gil e ao clássico coletivo Tropicália: Ou Panis et Circenses. A recepção atual do álbum é bastante positiva, com médias de avaliação de 4.67 de 5 estrelas no Discogs, refletindo seu status cult. O valor de mercado do LP original, que pode atingir centenas de dólares, também sublinha sua importância e raridade para colecionadores. Estudos recentes reforçam a profundidade de seus arranjos, que incorporavam técnicas de musique concrète e outros procedimentos composicionais eruditos, evidenciando seu impacto duradouro na música brasileira.
Faixas
Créditos
Rogério Duprat
Manoel Barenbein
José Carlos Teixeira, João Kibelkstis, Stelio Carlini
Livros

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Rogério Duprat, arranjos de canção e a sonoplastia tropicalista
Jonas Soares Lana
Este livro foca nos arranjos musicais de Rogério Duprat e sua contribuição para a sonoplastia do movimento tropicalista. Dada a relevância do álbum 'A Banda Tropicalista do Duprat' dentro de sua obra, é altamente provável que este estudo aprofundado dedique atenção significativa a este trabalho seminal.