A Máquina Voadora

Ronnie Von

1970

Capa de A Máquina Voadora
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

Lançado em 1970, A Máquina Voadora é um marco na discografia de Ronnie Von e na música psicodélica brasileira, consolidando a fase experimental do artista que buscava romper com a imagem de "Príncipe" da Jovem Guarda. O álbum se destaca por sua sonoridade inovadora para a época, mesclando elementos de rock psicodélico, MPB e influências que remetem ao The Beatles em sua fase mais lisérgica. Este trabalho singular é permeado por um conceito quase alegórico, explorando temas como aviação e referências literárias, em particular aos livros de Antoine de Saint-Exupéry, como O Pequeno Príncipe. Sua atmosfera viajante e introspectiva o tornou uma obra de culto, apreciada por sua ousadia e profundidade em um cenário musical efervescente.

Contexto

Antes de A Máquina Voadora, Ronnie Von era conhecido como um ídolo da Jovem Guarda, o "Pequeno Príncipe" daquela geração pop dos anos 1960. Ele havia alcançado sucesso com canções românticas e versões de músicas dos Beatles, chegando a rivalizar com Roberto Carlos em popularidade. No entanto, por volta de 1968, Ronnie Von manifestou o desejo de se afastar dessa imagem e explorar caminhos artísticos mais arriscados, embarcando em uma "viagem psicodélica" que resultou em uma trilogia de álbuns, da qual A Máquina Voadora é o encerramento. Formado em economia e pilotagem, Ronnie Von queria se dedicar à música e buscar um conteúdo mais significativo, indo além do apelo de galã.

Gravação

A produção do álbum A Máquina Voadora ficou a cargo de Arnaldo Saccomani. Os arranjos, por sua vez, foram elaborados por Chiquinho de Moraes, um pianista e arranjador renomado que trabalhou com diversos grandes nomes da música brasileira. Um fato notável na gravação da faixa-título, "A Máquina Voadora", é o arranjo orquestrado por Chiquinho de Moraes, que buscou simular o ronco de um motor e a sensação de um avião decolando e planando, utilizando guitarras de Cacho Valdez e Tony Osanah para criar essa sonoridade. Ronnie Von compôs a canção em cerca de 40 minutos, inspirado por sua paixão por pilotar monomotores.

Músicas

As doze faixas de A Máquina Voadora exibem uma rica tapeçaria sonora e lírica. A faixa-título, "A Máquina Voadora", é uma composição de Ronnie Von e San Martin, caracterizada por seu cravo marcante, bateria "quebrada" e um instrumental impactante, apesar de curta. "Baby de Tal", de Arnaldo Saccomani, é outra canção que manteve o lado romântico do artista, mas com roupagem psicodélica, sendo uma das músicas de trabalho nas rádios na época. Outros destaques incluem "O Verão nos Chama", uma das melhores composições de Ronnie Von, com uma letra poética ("No paraíso os anjos dançam, e andam de motocicleta") e uma linha de sopros que remete ao estilo de Tim Maia. A canção "Continentes e Civilizações" é considerada "extrema" e "genial" por sua letra reflexiva, melodia melancólica e a forma de declamação de Ronnie, sendo comparada ao álbum Dark Side of the Moon do Pink Floyd pela necessidade de ouvi-la por completo para compreendê-la. Já "Viva o Chopp Escuro" é um hino do rock psicodélico e da boemia, com um refrão marcante, cuja letra foi inspirada por um incidente trágico presenciado por Ronnie e o diretor da gravadora Andre Midani.

Legado

A Máquina Voadora é reconhecido como um dos álbuns mais cultuados pelos fãs de música brasileira, marcando um ponto alto na fase psicodélica de Ronnie Von. Lançado em 1970 pelo selo Polydor da gravadora Philips, o disco foi reeditado em CD em 2007 e relançado em formato original de LP em 2013 pela Polysom. Embora Ronnie Von tenha se afastado da música para o grande público, tornando-se apresentador de TV, A Máquina Voadora e seus outros discos psicodélicos, como o álbum de 1969, são raridades disputadíssimas em vinil e foram essenciais para reavaliar sua discografia, mostrando um artista que ousou fugir de sua imagem inicial. A capa original do LP, que divergia do conceito artístico desejado por Ronnie Von (que preferia um desenho de Pepe), é outro detalhe que ressalta o embate entre a visão comercial da gravadora e a proposta experimental do artista.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Coprodução, Guitarra, Vocal Principal

Julito Cavalcante

Mixagem, Masterização

Rob Grant

Gravação

Hugo Falcão

Gravação, Coprodução, Guitarra, Vocal Principal

Diego Xavier

Referências

Livros