Revoluções por Minuto

RPM

1985

Capa de Revoluções por Minuto
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

Lançado em maio de 1985 pelo selo Epic, Revoluções por Minuto é o álbum de estreia da banda de rock brasileira RPM e um marco inquestionável na música nacional. O disco chegou com uma explosiva mistura de pose, poesia e provocação, definindo o som de uma geração que ansiava por ser ouvida em um Brasil em transição. O RPM não apenas lançava um álbum, mas capturava o espírito de uma época com sua sonoridade moderna, elegante e ousada, aliando o pop ao rock'n'roll. Com influências de new romantic, synth-pop, new wave e pós-punk, o álbum trouxe uma sonoridade inovadora para a cena brasileira, incorporando bateria eletrônica e sintetizadores que o distinguiram. As canções, repletas de uma energia irresistível, combinavam melodia marcante e letras que refletiam o hedonismo, a solidão e o desejo, elementos emblemáticos do rock brasileiro dos anos 80. Revoluções por Minuto foi uma revolução sonora, visual, estética e comportamental, consolidando o RPM como uma das bandas mais importantes e influentes do período.

#99

A revolução proposta pelo RPM acabou rendendo um pouco mais do que os tradicionais 15 minutos de fama.

Leonardo Dias Pereira · Rolling Stone Brasil

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Contexto

O álbum Revoluções por Minuto surge em um Brasil no vácuo da redemocratização, um período de grande efervescência cultural e transformações sociais e políticas. A ditadura militar se despedia, e o rock nacional ganhava novos holofotes, com a juventude expressando suas ideias e reivindicações de forma mais livre. Foi neste cenário, marcado por cabelos arrepiados com gel, roupas de cores ácidas, teclados futuristas e uma rebeldia com batida dançante, que o RPM emergiu. A banda, formada por Paulo Ricardo (vocal/baixo) e Luiz Schiavon (teclados) em 1983, já havia lançado um EP em 1984 com as faixas "Louras Geladas" e "Revoluções por Minuto", que já indicavam a direção de seu som. A formação do grupo passou por algumas mudanças antes e durante a gravação do álbum, como a saída do baterista Júnior Moreno, então com 14 anos, e a breve passagem de Charles Gavin (que se juntaria aos Titãs) antes da entrada de Paulo Pagni, o P.A., que se consolidaria na bateria.

Gravação

O álbum Revoluções por Minuto foi lançado em maio de 1985 pelo selo Epic. A produção ficou a cargo de Luiz Carlos Maluly, que conseguiu trazer um brilho internacional ao som da banda sem que perdessem o sotaque brasileiro. As faixas "Louras Geladas" e "Revoluções por Minuto", que já haviam sido lançadas em um EP anterior, foram gravadas com o auxílio de uma caixa de ritmos, evidenciando a exploração de elementos eletrônicos na sonoridade do grupo. Um fato notável durante as gravações foi a entrada do baterista Paulo Pagni (P.A.) no meio do processo, o que explica sua ausência na foto da capa, que retrata Paulo Ricardo, Luiz Schiavon e Fernando Deluqui. A capa do álbum, um trabalho de Alex Flemming a convite de Luiz Schiavon, foi inicialmente reprovada pela gravadora, que preferia uma imagem mais 'boy band'. No entanto, a banda insistiu e conseguiu que a arte fosse aceita. Flemming utilizou fotolitos e serigrafias a partir de uma foto original de Rui Mendes, criando as linhas distintivas da imagem com fósforos embebidos em tinta e desenvolvendo uma fonte original para o nome da banda, que se tornou sua marca registrada.

Músicas

Revoluções por Minuto é um disco repleto de canções que se tornaram hinos do rock nacional, com destaque para "Olhar 43", "Louras Geladas", "Rádio Pirata" e "A Cruz e a Espada". "Louras Geladas", por exemplo, foi a canção que apresentou a banda ao grande público, com seu riff marcante e refrão pegajoso, tornando-se um hit nas danceterias e rádios. A faixa-título, "Revoluções por Minuto", destaca-se pela ironia e crítica social e política ao Brasil dos anos 80, em um período de transição pós-ditadura. Composta por Luiz Schiavon e Paulo Ricardo, a letra aborda temas como a globalização, os problemas sociais e a desilusão com mitos nacionais, utilizando versos como "Agora a China bebe Coca-Cola aqui na esquina cheiram cola" e referências a Brasília e rumores de guerrilha. Apesar de ter sido inicialmente censurada devido a um verso, a música se tornou um manifesto da banda e um hino da juventude urbana em busca de espaço. Outras canções como "Olhar 43" exploram o universo da sedução e do desejo, com a complexidade melódica dos teclados de Schiavon, enquanto "A Cruz e a Espada" demonstrou a capacidade do RPM para composições mais profundas, com a participação de Roberto Sion no clarinete e Luiz Carlos Maluly no violão.

Paulo Ricardo Medeiros estudou Jornalismo na ECA-USP. Depois foi para Londres, ver de onde sopravam os ventos.

Arthur Dapieve · 300 Discos Importantes

Legado

Revoluções por Minuto foi um fenômeno inédito na indústria fonográfica brasileira, impulsionando o RPM ao estrelato e vendendo mais de um milhão de cópias, um número expressivo para a época. O álbum foi amplamente reconhecido pela crítica, sendo considerado um dos 100 maiores discos da música brasileira pela revista Rolling Stone Brasil, ocupando a 99ª posição. O sucesso retumbante das canções "Olhar 43", "Louras Geladas", "Rádio Pirata" e "A Cruz e a Espada" garantiu ao grupo um enorme prestígio em todo o país. O álbum teve um impacto cultural significativo, sendo a trilha sonora de um país em transição e influenciando gerações de músicos ao misturar atitude e tecnologia no pop rock brasileiro. Em reconhecimento à sua importância, Revoluções por Minuto foi remasterizado e relançado em 2008 como parte do box Revolução: RPM 25 Anos. Esta reedição incluiu também outros álbuns e um DVD do show Rádio Pirata ao Vivo, originalmente lançado em VHS em 1987 e certificado com disco de ouro pela ABPD em sua versão em DVD de 2011.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Produção

Luiz Carlos Maluly

Vocais, Baixo

Paulo Ricardo

Violão, Guitarra

Fernando Deluqui

Bateria, Percussão

Paulo Pagni

Piano Elétrico, Sintetizador, Sequencer, Drum Machine

Luiz Schiavon

Corte, Corte [Runout Etching EL]

Elio Gomes

Gravação

Guilherme Canaes, Reinaldo Souza, Ricardo Franja

Gravação, Mixagem

Roberto Marques

Direção de Arte

Gê Alves Pinto, Ricardo Leite

Capa

Alex Flemming

Fotografia

Rui Mendes

Podcasts

Referências

Livros