Em Som Maior

Sambrasa Trio

1965

Capa de Em Som Maior
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

Em Som Maior, lançado em 1965, é o único álbum do Sambrasa Trio e representa um marco fundamental na evolução da música instrumental brasileira. Este disco é uma verdadeira joia do samba-jazz, um estilo que florescia no Brasil dos anos 60 e que o trio elevou a um patamar de virtuosidade e inovação. A proposta era clara: fundir ritmos brasileiros, especialmente o samba, com a complexidade harmônica e improvisacional do jazz, criando uma sonoridade energica e sofisticada. O que torna Em Som Maior ainda mais especial é a constelação de talentos que o formou: Hermeto Pascoal ao piano e flauta, Humberto Clayber no contrabaixo e gaita, e Airto Moreira na bateria. Individualmente, esses músicos se tornariam figuras colossais na música brasileira e mundial. Juntos, no Sambrasa Trio, eles demonstraram uma química e um vanguardismo que, conforme as notas originais do álbum, estabeleceram uma "nova fase da moderna música popular brasileira", plantando uma bandeira na rica e incomparável arte do país.

Contexto

O álbum surge em 1965, um período efervescente para a música brasileira, marcado pela ascensão do samba-jazz e de uma nova bossa. Esse estilo instrumental, que mesclava o balanço propulsivo do samba com a linguagem harmônica e improvisacional do jazz moderno, ganhava força nos clubes noturnos do Rio de Janeiro e São Paulo. Os membros do Sambrasa Trio já possuíam um histórico relevante nesse cenário. Humberto Clayber e Airto Moreira, por exemplo, haviam integrado o influente Sambalanço Trio, conhecido por sua fusão de bossa nova e jazz. Com a saída do pianista César Camargo Mariano do Sambalanço Trio, Airto convidou Hermeto Pascoal para assumir o posto, resultando na formação do Sambrasa Trio, consolidando um time de instrumentistas que já vinha explorando novas fronteiras musicais. Hermeto Pascoal, por sua vez, já havia liderado o grupo Som Quatro e tinha uma trajetória de inovação, preparando o terreno para a experimentação sonora que viria a ser sua marca registrada.

Gravação

As sessões de gravação de Em Som Maior, apesar de não terem seu estúdio explicitamente nomeado, foram descritas nas notas originais como uma "experiência impressionante" para todos os envolvidos. O ambiente no estúdio era tenso, mas produtivo, com os músicos entregando-se a um "cataclisma sonoro" que revelava conceitos então desconhecidos para a formação de piano-baixo-bateria. A criatividade do trio se manifestava na versatilidade instrumental; Humberto Clayber alternava entre o contrabaixo e a gaita, enquanto Hermeto Pascoal expandia sua performance no piano para incluir a flauta em diversas faixas. Essa fluidez na instrumentação e a intensidade das performances capturadas no disco contribuíram para a atmosfera de surpresa e inovação que marcou a produção, destacando a capacidade dos músicos de reinventar os papéis tradicionais de seus instrumentos.

Músicas

Em Som Maior apresenta uma seleção de composições que equilibra obras autorais dos integrantes com releituras de clássicos e músicas de outros importantes compositores brasileiros. Faixas como "Sambrasa", de Airto Moreira, "Coalhada", de Hermeto Pascoal, e "João sem braço" e "Lamento nortista", de Humberto Clayber, mostram a criatividade individual dos músicos. O álbum também inclui interpretações de "Aleluia" e "Arrastão", de Edu Lobo, "Samba novo", de Durval Ferreira, e "Nem o mar sabia", de Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli. Destaque para "João Sem Braço", reconhecida pela "flauta uivante de Hermeto e o trabalho percussivo avassalador de Airto". A versatilidade do trio é evidenciada na delicada e "suave, sussurrante, sutil" versão de "Duas Contas", de Garoto, e na surpreendente inclusão da marchinha de carnaval de 1938, "A Jardineira", que encerra o disco de forma inesperada e jubilosa, demonstrando a amplitude do repertório e a irreverência do grupo.

Legado

Após um período de relativo esquecimento, Em Som Maior foi redescoberto e relançado em CD em 2006, como parte da aclamada série Som Livre Masters, curada pelo baterista Charles Gavin. Essa reedição trouxe o álbum para uma nova geração de ouvintes e colecionadores, reiterando sua importância histórica. O álbum foi elogiado pela crítica na época de seu lançamento e contribuiu significativamente para o desenvolvimento das carreiras de seus integrantes. No cenário atual, continua a ser muito apreciado, com uma média de 4.82/5 estrelas em plataformas como o Discogs, baseada em mais de uma centena de avaliações, confirmando seu status de "gema do samba-jazz". Embora o Sambrasa Trio tenha tido vida curta e gravado apenas este álbum, sua influência foi duradoura, pavimentando o caminho para outros grupos importantes, como o Quarteto Novo, que reuniria Hermeto Pascoal e Airto Moreira, e impactando muitos músicos de samba e jazz por anos.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Baixo, Gaita

Humberto Clayber

Bateria

Airto Moreira

Piano, Flauta

Hermeto Pascoal

Referências